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Em frente à Câmara do Rio de Janeiro, no Centro, os cariocas expressaram sua dor e indignação com o crime, lembrado também em outras cidades. (Foto: Agência Brasil)

Milhares Pelas Ruas: Brasileiros choram e protestam contra morte de ativista.

Multidões ocuparam espaços públicos com homenagens, faixas e gritos pedindo o fim da impunidade.

16/03/2018

Rio/São Paulo. Milhares de pessoas protestam ontem no Rio, São Paulo e outras cidades contra a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, assassinados na noite de quarta (14).

No começo da noite, uma multidão em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) pedia por justiça numa das maiores manifestações de grupos de esquerda desde os protestos de junho de 2013.

Em São Paulo, o ato no vão livre do Masp chegou a bloquear a avenida Paulista também no começo da noite.

O protesto conseguiu unir sob uma mesma pauta as diversas correntes do pensamento de esquerda do Rio. Em razão da proximidade das eleições, os grupos estavam divididos, com parte apoiando o nome de Lula e parte de um possível candidato do PSOL à Presidência. A candidatura de Guilherme Boulos, por exemplo, pelo PSOL e com a bênção de Lula, gerou um racha interno do partido.

Na manifestação de ontem, as diferenças eleitorais foram postas de lado, explicou o militante do PCB Vinícius Brandão.

"A luta da Marielle era pelos trabalhadores. Então, as diferenças estão de lado nessa marcha em memória dela", afirmou.

Em coro, as pessoas pediam justiça e o fim da Polícia Militar. Eles entoavam cânticos como "Sem hipocrisia, a PM mata gente todo dia" e "Pisa ligeiro, pisa ligeiro, quem mexeu com a Marielle atiçou o formigueiro". Na escadaria da Assembleia, carregavam faixas que diziam "Quem matou Marielle Franco?" e "Não Recuaremos, Marielle vive".

Por volta das 18h30, manifestantes saíram em direção à Candelária, enquanto outro grupo seguiu para a Cinelândia, local de início do ato no começo da tarde, em frente à Câmara do Rio, onde foram velados os corpos de Marielle e do motorista Anderson. Uma multidão de manifestantes levou flores e cartazes contra a intervenção federal na cidade. Eles também fizeram coro contra a Polícia Militar.

"Marielle, presente"

Políticos e colegas da Câmara também estiveram no local. Uma das principais lideranças do PSOL, o deputado Chico Alencar fez um discurso na escadaria do Palácio e disse que as famílias pediram uma cerimônia reservada. Ele disse que há "opressão" e pediu uma vigília em memória à vereadora, com "serenidade".

Os organizadores do ato se revezaram em discursos na frente da Câmara, nos quais repetiram o lema "Marielle, presente", e na leitura de notas de pesar de movimentos de todo o país.

A cantora Zelia Duncan esteve no ato e disse que o momento é de luto e pediu mobilizações de rua. Manifestantes colaram cartazes em memória à vereadora e jogaram tinta vermelha em um monumento e na fachada do prédio da Câmara. Líderes religiosos participaram do ato e pediram orações. Roberto Cavalcanti, da Assembleia de Deus, disse que o crime representa a morte "da esperança".

Pelo menos 12 capitais, incluindo Fortaleza, realizaram manifestações. Os atos ocorreram em Salvador, na Tenda Sem Medo, no Fórum Social Mundial, e Brasília, no anexo 2 da Câmara dos Deputados. Atos ocorreram em Recife, Belém, Natal, Florianópolis, Belo Horizonte, Porto Alegre e em Curitiba. Além das capitais, em Minas Gerais foi realizado um ato em Juiz de Fora e no Rio, em Campos.



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