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Segundo titular da SSPDS André Costa, a arma recolhida foi encontrada no Rio Grande do Norte. O objeto será submetido a um exame balístico. (Foto: JL Rosa)

"Marcola" considerou traição as mortes no Ceará, diz MPSP.

Os suspeitos do duplo homicídio não foram presos. Uma das três armas utilizadas no crime foi encontrada.

17/03/2018

O duplo homicídio que vitimou os maiores líderes do Primeiro Comando da Capital, em liberdade, Rogério Jeremias de Simone, ‘Gegê do Mangue’; e Fabiano Alves de Sousa, o ‘Paca’, está longe de ser totalmente esclarecido. Se entre os investigadores, algumas perguntas continuam se resposta, porque nenhum dos executores foi preso; no mundo do crime, as coisas parecem ainda mais confusas.

A cúpula do PCC é estável e definida deste 2006. Durante todo este tempo, os membros se entenderam e conseguiram fazer da facção um ‘negócio’ promissor. É unanimidade entre as autoridades que investigam a organização que nenhuma grande ação acontece sem a ordem máxima de Marcos Willians Hebras Camacho, o ‘Marcola’. Porém, declarações dadas pelo detento, na Penitenciária Maurício Henrique Guimarães Pereira, a P2, de Presidente Venceslau, onde está toda a cúpula do PCC, dão a entender que ele não autorizou a morte de ‘Gegê’ e de ‘Paca’ e estaria se sentindo “traído”.

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) confirmou que os homicídios podem não terem sido ordenados pelo líder da organização. Em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do MPSP, contou que em um bilhete interceptado, ‘Marcola’ afirmou que ‘Fuminho’ o traiu e foi responsável pelas mortes.


A SSPDS divulgou que a pistola, supostamente, usada pelos executores foi encontrada dentro de um córrego e isto impossibilita a identificação de digitais. (Foto: JL Rosa)

‘Fuminho’ é Gilberto Aparecido dos Santos, uma espécie de gerente das finanças do PCC e do próprio ‘Marcola’. O criminoso paulista é tido pela Polícia Civil do Ceará como um dos responsáveis pela morte cinematográfica, acontecida no dia 15 de fevereiro, em Aquiraz

“O ‘Fuminho’ é uma pessoa ligada ao ‘Marcola’. Por isso associaram logo as mortes como um mando do chefe do PCC. Dentro do presídio, o ‘Marcola’ disse que foi traído e que a decisão das mortes foi do ‘Fuminho’, por conta própria. Ele espalhou um ‘salve’ à respeito e falou que não autorizou as mortes dos dois”, revelou Gakiya. O promotor afirmou que Marcos Camacho não chegou a ser interrogado sobre as mortes de ‘Gegê’ e ‘Paca’.

Desentendimento

Lincoln Gakiya acredita que o desentendimento interno não significa o fim do PCC, mas mostra um racha dentro da cúpula, que pode gerar uma possível renovação dos líderes. “Acredito que essas mortes podem implicar em uma nova geração de comando, porque desde 2006 essa cúpula permanece com formação inalterada. A situação do duplo homicídio ainda está muito obscura. Sabemos que todos os participantes da execução tiveram suas mortes decretadas pela própria facção”, declarou o promotor de Justiça.

Além de Gilberto Aparecido, a Polícia Civil identificou outros suspeitos d a execução de ‘Gegê’ e ‘Paca’. São eles, Wagner Ferreira da Silva, o ‘Cabelo Duro’, morto em São Paulo na semana seguinte ao duplo homicídio; Erick Machado Santos, o ‘Neguinho Rick da Baixada’; Ronaldo Pereira Costa; André Luiz da Costa Lopes, o ‘Andrezinho da Baixada’; Thiago Lourenço de Sá de Lima; e o piloto Felipe Ramos Morais. Nenhum deles foi preso.


Conforme antecipado com exclusividade pelo Diário do Nordeste, os membros da cúpula da facção embarcaram na aeronave, na Praia do Futuro. (Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Apreensões

Na sexta-feira (16), a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) divulgou a apreensão de uma das três pistolas, supostamente, utilizada nas execuções, e revelou que o helicóptero usado pelos executores foi trazido para o Ceará. A aeronave usada na emboscada - das cores preta e vermelha, modelo EC130 B4 - foi guardada em um hangar no Eusébio, antes de transportar assassinos e vítimas.

Conforme antecipado com exclusividade pelo Diário do Nordeste, os integrantes da cúpula da facção embarcaram na aeronave, na Praia do Futuro. A Secretaria informou que o local de embarque foi um heliponto na Avenida Dioguinho, desativado em setembro de 2017.

O helicóptero comprado com dinheiro de ‘Cabelo Duro’, e recebido por Felipe Morais semanas antes do atentado, foi localizado no Município de Fernandópolis, no Interior de São Paulo, no último dia 1º de março. Na manhã dessa quinta-feira (15), a aeronave, chegou à sede da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer).

Sobre a arma recolhida, o titular da SSPDS, André Costa, disse que foi encontrada em um córrego no Rio Grande do Norte. Na próxima semana, a Perícia Forense deve divulgar resultado da balística que compara a munição com os projéteis encontrados na reserva indígena.

‘Cargo’ de líder nas ruas continua sem ser ocupado

O lugar de Rogério Jeremias de Simone, o ‘Gegê do Mangue’ ainda não foi ocupado, segundo o representante do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Lincoln Gakiya. O criminoso, que morava há mais de um ano em um condomínio de luxo, no Ceará, se apresentava aqui como João Paulo Martinelli. Era um grande negociador e tinha facilidade para estabelecer contatos com novos fornecedores de drogas e armas, no esquema montado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), que se movimenta além dos continentes.

Entrosado com muitos dos membros da cúpula, era a pessoa ‘de confiança’ dos maiores narcotraficantes do País. Amigo pessoal de Marcos Willians Herbas Camacho, ‘Marcola’; Roberto Soriano, o ‘Tiriça’; e de Fabiano Alves de Souza, o ‘Paca’, ele era, talvez, o membro com maior capilaridade na ‘sintonia geral final’ da facção.

Após ser liberado da prisão, por força de uma ordem judicial, no dia 3 de fevereiro de 2017, ‘Gegê’ assumiu o posto de ‘embaixador’ do PCC no Paraguai. Esteve no país por algum tempo organizando rotas para a passagem da mercadoria ilegal da facção. Depois seguiu para Santa Cruz de la Sierra a mando da facção. Na Bolívia, sempre na companhia de ‘Paca’, acabou estruturando uma rota milionária.

Voos

Em coletiva de imprensa nessa sexta-feira (16), o titular da Secretaria da Segurança, André Costa, deu pistas que ‘Gegê’ e ‘Paca’ haviam levantado voo do Ceará, para alimentar a máquina que acabou por engoli-los outras vezes. O poder dos líderes do PCC ia além do Brasil, mas não conseguiu ir além da ganância dos comparsas, que acharam que a dupla estava gastando demais. “A aeronave tem equipamentos de navegação para voos longos. Temos indícios dentro da própria aeronave que ela já tenha voado em países da América do Sul, que fazem fronteira com o Brasil”, disse Costa.


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