Carregando...

Publicidade

(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Ceará sobre trilhos: rastros deixados na história.

17/03/2018

Foi a partir da implantação da estrada de ferro que muitas cidades cearenses surgiram e se desenvolveram ao longo de décadas. Mas o transporte de passageiros e cargas significou muito mais. O apito do trem trazia consigo não apenas a expectativa a mercadores que fechavam as suas portas para correr à estação. Era um acontecimento, momento de grande emoção para todos, de chegadas e partidas de pessoas queridas, do acesso à informação pelos jornais, de ver a ansiada encomenda, de matar a curiosidade. Tudo aquilo era festejado, rotineiramente, como um grande evento.

Por outro lado, os trilhos deram fim a um processo lento e difícil de locomoção de pessoas e cargas por meio de cavalos, jumentos, carroças. A exportação do ouro branco, como ficou conhecido o algodão, para as manufaturas inglesas, que se ressentiam da queda na produção dos Estados Unidos por causa da Guerra Civil, enriqueceu muitos e deu início ao próprio processo de embelezamento da Capital. O primeiro objetivo era de escoar a produção, a partir do maciço de Baturité.

Daí, veio a grande seca de 1877 e com ela uma nova função para a ferrovia: dar emprego e ao mesmo tempo manter afastada da Capital a imensa leva de retirantes. O Império de Dom Pedro II assumiu a Estrada de Ferro com a nova missão de ampliá-la até outro celeiro produtivo do Estado: o Cariri. E ainda construir a Linha Norte, chegando ao vizinho Piauí. A ferrovia alcançou, então, o Sertão, mudando as perspectivas de vida de muitos. Cidades foram formadas a partir das estações ferroviárias.

Mas a história anda e, o Estado brasileiro entrou numa outra fase de crescimento, passando a privilegiar o transporte rodoviário com a justificativa de atrair a indústria automobilística e gerar mais desenvolvimento. O desinvestimento no setor ferroviário foi fazendo o glamour ir desaparecendo pouco a pouco até sumir.

Hoje, restam estações cujas paredes têm muito a contar sobre a história do povo cearense. Algumas preservadas, outras nem tanto, elas seguem a mostrar como o Ceará se desenvolveu e muito do afeto em torno das idas e vindas dos vagões puxados por marias-fumaças e, mais tarde, locomotivas a diesel que receberam nomes carinhosos, como Sonho Azul e Asa Branca. É disso que trata o DOC Ceará sobre trilhos, que hoje destaca a Linha Sul, de Fortaleza a Crato.



Total de acessos: 216962

Visitantes online: 7