Carregando...

Publicidade

Carro onde a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson foram baleados foi transportado em um guincho e periciado pela polícia, após o assassinato na noite de quarta (14). (Foto: AFP/ABR)

Para Matar Marielle: Inquérito revela que munição usada veio de lote da PF.

Ministro da Segurança disse que as cápsulas encontradas na cena do crime foram compradas em 2006 e roubadas.

17/03/2018

Rio de Janeiro. A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito, na sexta-feira (16), sobre as cápsulas das armas usadas no assassinato da vereadora do Rio Marielle Franco, na noite de quarta-feira (14), após reunião com grupo de mulheres negras na Lapa, na região central do Rio. Os assassinos alvejaram quatro vezes o rosto da parlamentar. Outras três balas mataram o motorista dela, Anderson Gomes.

As munições calibre 9 milímetros usadas no crime pertencem ao mesmo lote das balas utilizadas na maior chacina da história de São Paulo, que aconteceu em agosto de 2015 e deixou 17 mortos. A descoberta se deu ontem depois que a perícia divulgou que as cápsulas encontradas na cena dos assassinatos pertenciam ao lote UZZ18, vendido pela Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) à Polícia Federal em Brasília em 2006.

O ministro extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, confirmou, na sexta, que desvios acontecem "há vários anos" e inquéritos estão em andamento na PF para descobrir os responsáveis. "Acredito que as cápsulas encontradas na cena do bárbaro crime foram efetivamente roubadas", disse.

Segundo o ministro, a PF já mapeou munição desse lote roubada em uma agência dos Correios da Paraíba e, também, desviada por um escrivão da Superintendência da PF no Rio. No caso do escrivão, ele foi preso.

No Rio, existem redes do tráfico de armas das quais participam policiais, guardas penitenciários e militares, destacou em 2016 uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do estado, que tem amplas áreas sob o controle de narcotraficantes ou de milícias, as mesmas que foram alvo das denúncias de Marielle.


Em Curitiba (PR), mesmo debaixo de chuva fina, centenas de pessoas se reuniram (e) na praça Santos Andrade para homenagear a carioca defensora dos direitos humanos. (Foto: AFP/ABR)

Assessora

Segundo informações publicadas pela imprensa, o carro em que Marielle voltava para casa foi seguido por 4 km por outro veículo. Ainda muito abalada, assessora que estava com Marielle na hora do crime afirmou, em depoimento, não ter percebido que o veículo em que estavam era seguido e não ter visto nenhum carro nem moto perto.

No depoimento, a assessora disse que Marielle costumava ficar no banco da frente, ao lado do motorista, mas naquela noite preferiu ir atrás para falar com a funcionária. Queriam escolher fotos do evento que haviam acabado de ir.


Em São Paulo, manifestantes deitaram na rua (d) como se fossem vítimas, em um ato que reuniu cerca de 40 mil pessoas no vão do Masp. (Foto: AFP/ABR)

Irmã e filha

Além do início das investigações, a morte da vereadora do PSOL voltou a mobilizar multidões pelo País. As manifestações maciças de repúdio ao crime entraram no segundo dia seguido. Novas convocações de protestos foram realizadas, na sexta.

No Centro do Rio, os semáforos estavam cobertos com imagens de Marielle, conhecida por sua luta contra o racismo e a violência policial nas favelas.

"A melhor resposta que o governo tem que dar é investigar com celeridade, rapidez e eficiência. Eu afirmo: se houver trabalho sério, sem medo de mexer em bolsões incrustados no Estado de corrupção, violência e crime, a gente apura em duas semanas isso aí", declarou o deputado Chico Alencar, do PSOL.

"Existe uma cultura no Rio, uma cultura de matriz mafiosa, de eliminação de pessoas que acabam de alguma forma se opondo ou resistindo às organizações criminosas e isso seria o que ocorreu com Marielle", disse o jurista Walter Maierovitch, ex-secretário Antidrogas (1999).

A irmã de Marielle Franco se manifestou sobre alguns insultos postados em redes sociais. "Respeitem a nossa dor. Respeitem a luta da minha irmã", escreveu a professora de inglês Anielle Silva, de 33 anos. A filha de Marielle, Luyara Santos, de 19 anos, também desabafou em uma rede social: "Alguém me acorda desse pesadelo!".


Total de acessos: 235017

Visitantes online: 8