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A vereadora Marielle Franco, assassinada na última quarta-feira no Rio de Janeiro, recebeu diversas homenagens nos últimos dias em todo o País. (Foto: AFP)

Amiga de Marielle recebe ameaças de morte no Rio.

20/03/2018

Rio de Janeiro. Parlamentar mais votada de Niterói, na Grande Rio, única mulher na Câmara Municipal, negra e feminista, Talíria Petrone era amiga da vereadora Marielle Franco (PSOL) e apontada como sua sucessora natural dentro do partido.

Diferentemente da colega assassinada na última quarta, Talíria já recebeu várias ameaças de morte por telefone e pelas redes sociais.

Uma queixa foi feita pela parlamentar em novembro, na 76ª Delegacia de Polícia (Icaraí). O caso, porém, não teve desdobramentos. O PSOL avalia oferecer segurança à vereadora. Ela pode concorrer como vice na chapa do partido ao governo do Estado, encabeçada por Tarcísio Motta. Talíria ocuparia vaga planejada para Marielle.

A investigação sobre essas ameaças podem ajudar na investigação do caso de Marielle, acreditam assessores do partido.

"Desde o início do mandato, numa Câmara majoritariamente conservadora, com muitos representantes da extrema direita, sofro ameaças", contou.

"Enfrento muitas reações: são ataques sistemáticos nas redes sociais, em que sou chamada de 'vagabunda', em que dizem que se me encontrarem na rua vão 'meter uma bala na minha cara', para eu 'voltar pra senzala'."

Depois, a hostilidade ficou mais visível. A sede do PSOL em Niterói foi invadida por um homem armado, que ameaçava a vereadora. Segundo assessores, latas de tinta são mantidas na sede só para apagar recorrentes pichações contra ela. Em eventos públicos são comuns xingamentos e ameaças como "só matando mesmo".

"Mas chegou ao ápice em 14 de novembro, quando foram feitas ligações sistemáticas para a sede do PSOL, me chamando de 'piranha', de 'vagabunda', dizendo que iam explodir a sede do partido, me matar com uma bomba", contou Talíria.

Maré

Professora de História e mestranda em Serviço Social, Talíria começou sua militância na época em que dava aulas no pré-vestibular no Complexo da Maré, zona norte carioca. Ali conheceu Marielle. As duas tinham pautas muito parecidas.

Na sua primeira candidatura, foi a vereadora mais votada de Niterói. Talíria, a exemplo da amiga, preside a Comissão dos Direitos Humanos na Câmara. Nela, já fez inúmeras denúncias de violência policial. "Essas bandeiras que levantamos mexem muito com as estruturas da sociedade, são consideradas uma afronta por muitas pessoas".

Xingamento

Um padre de 81 anos foi interrompido e xingado por dois homens enquanto celebrava uma missa numa igreja de Ipanema, zona sul do Rio, após citar o assassinato de Marielle.

Os dois foram retirados da igreja e o padre continuou a celebração. O caso não foi denunciado à Polícia Civil.

O padre Mario de França Miranda, de 81 anos, é professor da PUC-Rio.

"Me xingaram de tudo", afirmou o religioso. Ao final da missa, fiéis se solidarizaram com o padre e o parabenizaram pela homilia.



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