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Ciro Gomes já concorreu à Presidência duas vezes, então pelo PPS, em 1998 e em 2002. (Foto: Agência Brasil)

3ª Campanha Presidencial: Ciro vai à disputa de olho em eleitor da esquerda à direita.

Ele já foi deputado estadual e federal, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará e ministro por duas vezes.

20/03/2018

Naquele que promete ser o pleito com maior número de candidatos desde as eleições de 1989, um candidato ligado ao estado do Ceará figura entre os principais nomes cotados para a disputa ao cargo de presidente da República em 2018.

Embora tenha nascido em Pindamonhangaba (SP), Ciro Gomes (PDT) é de família cearense e foi no Estado que obteve alguns dos maiores êxitos de sua carreira política, tendo sido eleito deputado estadual entre 1983 e 1988, logo em seguida prefeito de Fortaleza e, entre 1991 e 1994, governador do Ceará.

O pedetista foi ainda ministro em duas ocasiões. A primeira foi na gestão Itamar Franco (que morreu em 2011), quando foi titular do Ministério da Fazenda, nos primórdios do Plano Real. A segunda foi como ministro da Integração Nacional, no governo do ex-presidente Lula (PT), a quem pode vir a enfrentar no próximo ano. Mas essa disputa não seria inédita.

Ciro Gomes já concorreu à Presidência duas vezes, então pelo PPS, em 1998 e em 2002, enfrentando, inclusive o petista.

Na primeira campanha, ambos ficaram atrás de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Quatro anos depois, Lula e José Serra (PSDB) foram os dois melhores colocados no primeiro turno e Ciro ficou na quarta colocação. No segundo turno, Ciro manifestou apoio a Lula, que foi, então, eleito presidente da República pela primeira vez. Nos quase dezesseis anos que se seguiram, os dois mantiveram-se aliados, mas a eclosão da Operação Lava-Jato, que atingiu o ex-presidente, entre outras figuras políticas, fez com que novos nomes de esquerda aparecessem como opções eleitorais para 2018, até pela indefinição sobre a possibilidade de que o petista concorra novamente ao Palácio do Planalto.

Perspectivas

Em tal cenário, o pedetista Ciro Gomes está de olho não apenas no eleitorado que vota tradicionalmente em um 'cacique' como Lula, mas também no eleitor de pré-candidatos que adotam um discurso 'outsider' como Jair Bolsonaro (PSL), conforme indicou o próprio pedetista, em recente entrevista. Nesse sentido, de acordo com o cientista político Josênio Parente, que é também professor adjunto da Universidade Estadual do Ceará (Uece), o misto de experiência política com um afastamento prolongado de cargos eletivos pode ser um trunfo para uma eventual candidatura do pedetista.

Ciro Gomes teve como último cargo eletivo, o mandato de deputado federal que exerceu entre 2007 e 2010, então afiliado ao PSB. "Esse hiato foi importante para que o Ciro reconstruísse o discurso dele de um projeto nacional. O Ciro tem um discurso, como se diz, que não 'dá murro em ponta de faca'. Ele sabe alternar crítica e elogio de uma maneira que possa ajudar a construir algo", analisa. Parente cita a postura do pré-candidato do PDT com relação à Operação Lava-Jato.

"O Ciro soube ler as questões que estavam envolvidas e elogiou a Lava-Jato, mesmo reconhecendo que em determinados momentos ela foi conduzida de modo enviesado", exemplifica.

Mesmo reconhecendo que o pedetista pode conquistar parcela do eleitorado mais à direita, o cientista político avalia que é mesmo na esquerda que Ciro deve apostar a maior parte de suas fichas em uma eventual campanha à Presidência.

"As esquerdas tinham praticamente um candidato só, que era o Lula, mas que foi atingido pela Lava-Jato e, agora, há dúvida se ele poderá concorrer e em que condições (...) Nesse vácuo que o PT pode deixar, pode aparecer nas esquerdas alguém com capacidade de ocupar esse espaço que era do Lula e esse alguém pode ser o Ciro", especula.

Parente não descarta ainda a possibilidade de uma aliança entre PT e PDT no plano nacional. "Assim os discursos do Ciro e do Lula poderiam se complementar, com o Lula assumindo uma retórica social mais radicalizada e o Ciro com uma retórica mais tranquilizadora para o mercado", afirma.

Dificuldades

O também cientista político e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Uribam Xavier, no entanto, enxerga dificuldades para a consolidação de uma candidatura competitiva de Ciro Gomes. O primeiro desafio para isso seria o próprio PDT.

"O Ciro tem um desejo pessoal de ser presidente e isso é muito maior do que um desejo partidário do PDT", observa.

Para Xavier, "uma candidatura do Ciro seria mais uma opção num leque em que teremos muitos candidatos e isso vai ser bom, principalmente, no primeiro turno, e o que se espera é que o próximo pleito coloque o Brasil no eixo da legitimidade", referindo-se ao contexto político conturbado que o País enfrenta desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Nesse cenário, o especialista afirma que "quem deve se favorecer em 2018 será um candidato que saiba trabalhar bem a esperança ou a desesperança da população brasileira".

Entretanto, o cientista político projeta que, caso o pedetista concorra à Presidência em 2018, Ciro não deve ir ao segundo turno. "Provavelmente, aparecerá (no resultado eleitoral) atrás de figuras como Lula, Bolsonaro e Marina (Rede). Acredito que até o Alckmin teria mais votos e, caso também faça essa análise, pode ser que o PDT decida nem lançar a candidatura do Ciro". Na última pesquisa estimulada feita pelo CNT/MDA, Ciro Gomes aparece com 4,3% das intenções de votos, em um cenário com os candidatos Lula, Bolsonaro, Marina Silva e Geraldo Alckmin (PSDB) à frente dele.

Já em uma disputa sem Lula, segundo o instituto, o desempenho eleitoral de Ciro subiria quase quatro pontos percentuais, indo a 8,1%, ainda atrás de Bolsonaro, Marina e Alckmin.



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