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(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

PIB do CE cresce 1,87% em 2017 após 2 anos; quase o dobro da média do País.

Resultado positivo foi anunciado, ontem, pelo governador Camilo Santana. Apenas no quarto trimestre do ano passado, a expansão foi de 3,24%.

21/03/2018

A economia do Ceará apresentou crescimento de 1,87% em 2017, quase o dobro da média do País (1%) para igual período. O resultado vem após o Estado registrar queda por dois anos consecutivos no Produto Interno Bruto (PIB). Considerando apenas o quarto trimestre do ano passado, o PIB cearense avançou 3,24%, também na comparação com igual período do ano passado. A retomada do desempenho positivo da economia do Estado foi anunciada, ontem (20), pelo governador Camilo Santana, em sua conta no Facebook. "O Ceará cresceu quase o dobro do Brasil em 2017. Isso significa mais emprego, oportunidade e mais investimentos no nosso estado", destacou o chefe do Executivo estadual, lembrando que a alta de 3,24% nos últimos três meses do ano também está acima da observada no País, que teve crescimento de 2,1%.

Segundo enfatizou o governador, o Ceará foi o Estado que realizou o maior investimento público do Brasil no ano passado, dentre as 27 unidades da Federação, com um aporte de 13,9% da Receita Corrente Líquida (RCL). "O Ceará, em 2017, foi o estado do País, dos 27 estados, que fez o maior volume de investimento público", frisou Camilo Santana durante a transmissão. "Para vocês terem uma ideia, o Brasil investe, hoje, 5% da RCL. Nós investimos quase três vezes e fomos o estado campeão em investimentos", detalhou Camilo Santana.


(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Setores

De acordo com o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), dentre os três setores que compõem o índice, o Agropecuário (que tem menor peso no cálculo do PIB estadual) apresentou o melhor resultado, seguido pela Indústria, enquanto o de Serviços registrou ligeira queda. Mais detalhes sobre o PIB estadual serão divulgados às 10 horas de hoje, pelo Ipece.

Prévia

Ontem, o Banco Central (BC) também divulgou que a atividade econômica no Ceará registrou queda de 0,37% em janeiro deste ano, na comparação com dezembro, quando foi verificado avanço de 1,09%. No entanto, apesar do resultado mensal negativo neste início de ano, a economia do Estado mostra sinais de recuperação. No acumulado dos últimos 12 meses até janeiro, o nível de atividade avançou 0,44%, enquanto em igual período terminado dezembro o crescimento havia sido de 0,09%. Os dados são do Índice de Atividade Econômica Regional do Ceará (IBCR-CE), do BC.

Na comparação entre janeiro deste ano e janeiro de 2017, o indicador apontou um crescimento de 1,96%, na série sem ajuste sazonal. Tanto na comparação entre dezembro e janeiro (com ajuste sazonal), como entre janeiro de 2018 e janeiro de 2017 (sem ajuste), o Ceará apresentou resultados melhores do que a média do Nordeste que, em janeiro, registrou queda de 0,56%. Já no acumulado de 12 meses encerrados em janeiro último, a atividade na Região avançou 0,73%, superando a marca do Estado.

Travessia

Para Alisson Martins, professor de Cenários Macroeconômicos da pós-graduação da Unifor, o resultado de janeiro mostra que a economia cearense iniciou 2018 com perspectivas positivas. "Após a superação da maior crise econômica já registrada, em que 2017 podemos caracterizar como o ano de travessia, o ano 2018 inicia com resultados positivos, apontando no horizonte um crescimento econômico promissor".

O professor afirma que a queda de 0,36% em janeiro já era esperada, devido ao maior vigor econômico característico de dezembro por causa do 13º salário. "A retomada do crescimento do nível de atividade no estado, é claramente percebida pela trajetória de recuperação da economia cearense e, principalmente, por registrar melhora no acumulado dos últimos 12 meses, de forma consecutiva nos últimos 9 meses", disse.

Entretanto, o economista Alisson Martins pondera que a continuidade da trajetória de crescimento econômico no Ceará dependerá, em grande medida, do aquecimento do mercado de trabalho, sobretudo, em razão dos seus efeitos no comércio e no setor de serviços, atividades de maior peso na economia local.

Brasil

Assim como ocorreu no Estado, no País, a atividade econômica iniciou o ano em queda. O Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) dessazonalizado registrou retração de 0,56% em janeiro, ante dezembro. Já na comparação com janeiro de 2017, houve crescimento de 2,97% (na série sem ajustes). E em 12 meses encerrados em janeiro, houve expansão de 1,2% nos dados sem ajuste sazonal.

Embora o IBC seja considerado como uma prévia do PIB, a metodologia utilizada pelo Banco Central para calcular o indicador é diferente da utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o cálculo do PIB. O IBC incorpora informações sobre o nível de atividade de três setores da economia: indústria, comércio e serviços e agropecuária, além do volume de impostos. Já o PIB, indicador oficial do desempenho da economia, compreende a soma das riquezas produzidas no País.

Como avalia a evolução da atividade econômica brasileira, o IBC-Br ajuda o BC a tomar suas decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic.

Opinião do especialista

Destaque

Do Ceará já era esperado

Esses números representam uma boa notícia. A taxa de crescimento da economia do Ceará quase dobrou em relação à taxa brasileira e era de se esperar que o Ceará, em uma dinâmica melhor, tivesse um crescimento maior. O nosso Estado teve posição de destaque no País em termos de investimento do setor público, já vinha ganhando destaque do ponto de vista das finanças públicas como um Estado equilibrado, com boa capacidade de fazer investimentos e os investimentos públicos são um fator muito importante para dar dinamismo à economia. Nós temos os investimentos privados, os estrangeiros - que o Ceará tem atraído muito - e os investimentos públicos, que são responsáveis por mover a economia em momentos de recessão - e a gente está saindo de uma recessão -, nos quais os empresários ficam mais cautelosos e, por isso, investem menos.

Ricardo Eleutério
Economista



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