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A pré-candidata aparece em 3º lugar nos cenários com Lula e em 2º lugar, nos cenários sem Lula. (Foto: Agência PSB)

Marina disputará entre chance de vencer e risco de ostracismo.

A ex-senadora é alvo de críticas por um suposto "desligamento" das questões nacionais nos últimos anos.

22/03/2018

Com um capital político de duas disputas competitivas à Presidência da República, mas dispondo de poucos segundos de rádio e TV, a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), pode ser a principal concorrente do polêmico 'outsider' Jair Bolsonaro (PSL), uma eventual aliada do ex-presidente Lula (PT), na campanha eleitoral deste ano, ou iniciar um processo de decadência política em 2018.

Além do cenário incerto quanto à participação do petista no pleito, principalmente após a condenação dele em 2ª instância, a própria Marina, outrora tida como ícone do movimento ambientalista e também uma das precursoras do discurso da 'nova política', foi alvo de críticas por um suposto desligamento das grandes questões políticas nacionais nos últimos anos.

Marina Silva, que passou 23 anos no PT, e depois teve passagens rápidas, mas marcantes politicamente, por PV e PSB, obteve o registro do partido Rede Sustentabilidade em setembro de 2015.

Apesar de a nova sigla ter atraído figuras políticas de destaque como Heloísa Helena, Randolfe Rodrigues, Alessandro Molon (que anunciou no fim de fevereiro a saída da sigla) e Miro Teixeira, e contar hoje com três deputados federais e um senador, a legenda de Marina não teve o crescimento imaginado por sua fundadora e, ela mesma parece estar distanciada de outras lideranças do partido.

Assim, a pré-candidata, que aparece em terceiro lugar na mais recente pesquisa de intenção de voto (CNT/MDA), com 7,8% nos cenários em que Lula é incluído, e em segundo lugar, nos cenários sem o ex-presidente (com 13,4%) deve enfrentar dificuldades maiores que aquelas com as quais se deparou em 2010, no pequeno, contudo tradicional, PV, ou em 2014, quando disputou um partido de médio porte como o PSB, mas ainda abalado pela perda de seu maior nome, o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo.

De acordo com o historiador e cientista político Rui Martinho, "ela perdeu o debate da eleição de 2014. Ela foi atacada e não soube responder aos ataques que sofria. Depois da eleição, renunciou ao protagonismo que ela tinha. Manteve silêncio sobre os escândalos de corrupção que foram revelados no Brasil, desde então, inclusive, os que envolvem as relações de políticos e empreiteiros. Além disso, fica difícil, para ela, atacar os companheiros de quase 30 anos de vida partidária do PT e outras siglas aliadas".

Martinho, que é também professor associado da Universidade Federal do Ceará (UFC), acrescenta ainda que "ela também enfrentará dificuldades, mesmo que tente disputar o espaço político entre os moderados, já que há muitos candidatos nessa área entre a centro-esquerda e a centro-direita".

Para ele, "a sociedade está muito polarizada entre Lula e Bolsonaro, que representam os dois extremos, excluindo alguns candidatos nanicos de extrema esquerda ou extrema direita. Entre os moderados, o grande número de candidatos pulveriza esse eleitorado".

O especialista cita o exemplo de pré-candidatos como Henrique Meirelles (PSD, Álvaro Dias (Podemos), Rodrigo Maia (DEM) e o próprio governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que têm adotado um discurso mais centrista.

Já o também cientista político e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ernani Carvalho, vê que Marina tem possibilidades de crescer tanto adotando uma postura moderada, mais ao centro, como apostando no discurso de "outsider", devido ao perfil político e cultural do novo eleitorado brasileiro, observado nos últimos cinco anos.

"Os candidatos que não estão envolvidos em irregularidades teriam um campo amplo para explorar, como é o caso da Marina. Grande parte dos outros candidatos estão envolvidos ou são citados em denúncias de corrupção", projeta.

Obstáculos

Carvalho não desconsidera, no entanto, as questões pragmáticas que podem dificultar não só a candidatura de Marina, como também de Bolsonaro, seu principal adversário em um cenário sem a candidatura de Lula.

Ambos e alguns outros candidatos que se apresentam como figuras da 'nova política' e até da antipolítica podem esbarrar justamente na falta de estrutura que seus respectivos partidos e coligações dispõem, bem como do pouco tempo de propaganda que disporão no rádio e na TV.

Uma forma de tentar driblar essa desvantagem em relação a candidatos como Geraldo Alckmin ou mesmo Lula, caso ele consiga concorrer, é justamente uma plataforma em que Marina Silva foi uma das pioneiras entre os políticos tradicionais, e que também é bastante explorada por Bolsonaro: a internet. Para o professor da UFPE, "a Marina sai na frente nessa disputa, apesar do êxito recente de Bolsonaro nas redes sociais. Ela já se utilizou muito bem desses canais alternativos na eleição passada".

Rui Martinho concorda que "com as redes sociais, embora essa questão do tempo de TV continue tendo sua importância, isso fica um pouco relativizado".

De certo, para os dois analistas, está a tendência cada vez mais explícita de que essa deve ser a última grande oportunidade para a pré-candidata chegar ao Palácio do Planalto.



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