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(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Blecaute gera prejuízos de até 30% no CE; transtornos em vários setores.

Estados do Nordeste e do Norte tiveram a energia suspensa. Parte da região Sudeste ficou instável.

22/03/2018

Uma falha em um disjuntor da subestação de Xingu, que é responsável pelo escoamento de praticamente toda a geração da usina de Belo Monte, provocou um colapso na distribuição de energia para alguns estados do Norte e todo o Nordeste por mais de 3 horas, informou o Operador Nacional do Sistema (ONS) na noite dessa quarta-feira (21). No Ceará, os supermercados já estimam perdas no faturamento diário entre 20% e 30%, segundo a Associação Cearense de Supermercados (Acesu), enquanto que indústria e comércio calculam os prejuízos.

No Centro de Fortaleza, pouco depois das 15h48 - hora identificada pelo ONS como início do apagão -, clientes e vendedores saíram para as calçadas. Na Avenida Heráclito Graça, próximo ao cruzamento com a Avenida Rui Barbosa, funcionários de uma concessionária de automóveis foram surpreendidos pela falta de energia quando atendiam compradores.

"A gente estava preenchendo uma ficha para um cliente quando o apagão aconteceu", contou o vendedor Vladimir Monte. "Aqui, só fecha às 18h. Não sei como vamos fazer até lá", acrescentou outro vendedor, Mateus Araújo, sobre o principal problema enfrentado pelos comerciantes com o apagão: o horário de fechamento.

A falta de geradores fez com que muitos adiantasse o fim do expediente, além de que a expectativa da vinda dos clientes foi bastante reduzida sem luz nas ruas e com os produtos congelados derretendo, como observou o vice-presidente da Acesu, Nidovando Pinheiro.

"Os estabelecimentos que tinham gerador ainda continuaram com lojas abertas, mas alguns tiveram problemas por conta da instabilidade. Nossas perdas, no faturamento diário, foram de 20% a 30%, dependendo da loja. Além de ter comprometido muitos produtos", lamentou, afirmando que o departamento jurídico da Associação vai avaliar as possibilidade de reduzir esse impacto.

"Esse apagão inesperado trouxe um prejuízo sem igual para os lojistas, tanto do Centro como das lojas dos shoppings, pois o Centro fechou às 16h e alguns shoppings fecharam às 17h, para um momento que vivemos saindo de feriados e por via de consequência a retração das vendas do varejo, traz grandes prejuízos incomensuráveis", completou o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Fortaleza, Assis Cavalcante.

Fonte mais segura

Já a preocupação do presidente da Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL), Freitas Cordeiro, era a necessidade de uma fonte de energia mais segura, gerada pelos próprios consumidores e que fosse imune às falhas do ONS. "Esse apagão é um despertar para a necessidade de uma fonte de geração de energia independente dessa e que nos salve dos sobressaltos. A fonte, inclusive, já existe, só falta mesmo o governo focar e liberar recursos", afirma, apontando para a geração fotovoltaica como melhor fonte alternativa para o Ceará.

Da mesma opinião compartilhou a presidente do Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem em Geral do Estado do Ceará (Sinditêxtil), Kelly Whitehurst. "Foi um acontecimento no Nordeste, mas precisamos pensar na sustentabilidade de energia. Que isso sirva para os governos pensarem na produção de energia própria sem as amarras que existem hoje", observou, lamentando o impacto negativo sobre o segmento.

A energia para o setor têxtil, de acordo com ela, representa cerca 40% da produção das indústrias têxteis, além de o maquinário pesado ser sensível às oscilações do ONS.

"Uma parada de produção em todos os setores não dá para mensurar como deve ser o prejuízo. 2 horas de uma fábrica parada é uma coisa, todas paradas é o caos. Só esperamos que isso não se torne corriqueiro", observou o vice-presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Ricardo Cavalcante.


Na indústria, os prejuízos ainda são calculados, pois o impacto negativo se fez ver na produção e no funcionamento dos equipamentos. (Foto: José Rodrigues Sobrinho)

Causas e impactos

Sobre as causas da falha no disjuntor, que afetou mais de 70 milhões de pessoas, a ONS apenas afirmou que estão sendo apuradas e devem ser conhecidas de 10 a 15 dias. O consultor de energia João Mamede aponta a complexidade do problema, uma vez que afetou três regiões do País, e "porque envolveram muitas linhas de transmissão". "É preciso um estudo complexo de cada subestação e linha de transmissão em todas as áreas para identificar o problema", afirma.

De acordo com o diretor-geral da ONS, Luiz Eduardo Barata Ferreira, a falha provocou a separação dos subsistemas Norte e Nordeste. No Norte, que exporta energia para o Nordeste, o excesso de energia levou ao desligamento das usinas de geração, o que atrasou ainda mais a recomposição no Nordeste, que hoje importa energia. No Ceará, a normalização só aconteceu 20h54, "à medida que o ONS retomava as cargas de energia elétrica", disse a Enel Distribuição Ceará.

"Tivemos praticamente um colapso nessas duas regiões. Com 30 circuitos desligados. Apenas Acre e Roraima não foram afetados porque não estão ligados ao sistema integrado. Alguns circuitos do Sul e Sudeste também tiveram que ser desligados, mas por poucos minutos, já que havia energia suficiente no sistema para atender essas duas regiões", resumiu Ferreira.

O ONS informou que a queda da linha provocou o desligamento de 18 mil megawatts de energia no Norte e Nordeste. Para proteger o resto do País, o ONS pediu a distribuidoras de energia que cortassem 4,2 mil megawatts nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. A decisão de onde cortar é de cada distribuidora.

A Eletropaulo, que atende a região metropolitana de São Paulo, informou que as regiões Norte, Leste e parte do ABC foram mais impactadas. No Rio, a Light cortou a luz de 321 mil clientes nas zonas Oeste e Norte e nos municípios de Seropédica e Paracambi.



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