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Retórica militarista e repulsa às bandeiras dos direitos humanos marcam as falas de pré-candidato. (Foto: ABR)

Jair Bolsonaro tenta suavizar imagem de que é "extremista".

Deputado oferece vaga de vice ao PR de olho em maior tempo na TV; para analistas, disputa sem Lula reduz suas chances.

23/03/2018

Jair Bolsonaro (PSL) despontou como figura pública no fim dos anos 1980, como capitão do Exército, militando contra os baixos soldos pagos à corporação. A postura rendeu-lhe alguns dias de prisão no Exército e abriu caminho para sua entrada na política. Na reserva, foi eleito vereador do Rio em 1988, pelo Partido Democrata Cristão (PDC). Foram apenas dois anos na Câmara Municipal; no fim de 1990 ele se elegeu pela primeira vez deputado federal.

Nascido em Campinas (interior paulista), aos 63 anos, ele cumpre atualmente o seu sétimo mandato na Câmara dos Deputados. Nas eleições de 2014, Bolsonaro foi o deputado federal mais bem votado no Estado do Rio, com o apoio de 6% do eleitorado fluminense (cerca de 464 mil votos). A imagem de deputado histriônico, com declarações classificadas como politicamente incorretas, defensor do regime militar (1964-85) e de outras posições conservadoras, foi sendo criada pelo próprio Bolsonaro ao longo de seus mandatos parlamentares.

Hoje ele é identificado com as causas da chamada "bancada BBB" (Boi, Bala e Bíblia).

Atrás de Lula na última pesquisa eleitoral CNT/MDA, Jair Bolsonaro, que aparece com 16,8% das intenções de voto, pode se beneficiar na disputa pelo Palácio do Planalto, caso o petista não consiga registrar sua candidatura à Presidência e fique de fora da disputa presidencial. No principal cenário sem Lula, o candidato da extrema-direita lidera a disputa com 20,2% das intenções de voto, contra 13,4% de Marina Silva (Rede), que apareceria em 2º lugar.

Contudo, para o cientista político Rodrigo Gallo, docente da Fundação Escola de Sociologia e Política e da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), Bolsonaro tende a perder se Lula realmente ficar fora da disputa.

"Há uma interpretação possível de que a ausência de Lula na eleição seja negativa para Bolsonaro. Isso, na minha opinião, ocorre porque muitos eleitores de Bolsonaro só votariam nele como forma de voto útil, ou seja, voto anti-Lula. Mas não seriam eleitores que acreditam realmente nas ideias difundidas pelo presidenciável. Então, a ausência do petista pode fazer com que, gradativamente, esses eleitores anti-Lula também desistam da intenção de votar no candidato do PSC para buscar outra opção. Logo, Bolsonaro pode entrar numa curva descendente de votos, demonstrando que ele atingiu um ápice das intenções de voto, que o teto foi atingido, e que haveria uma reversão desse crescimento", diz.

Para o cientista político André César, consultor da Hold Assessoria Legislativa, por mais expressivo que pareça ser o apoio popular à candidatura de Bolsonaro, mostrado nas pesquisas, é limitada a força eleitoral do deputado fluminense. "Primeiro porque é uma candidatura pequena, que terá pouco tempo de propaganda no rádio e na TV. E o teto dele é baixo, porque a rejeição é grande, então, será muito complicado para ele um eventual 2º turno".

Redes sociais

A internet é uma das principais armas do deputado na busca por apoiadores. As redes sociais se tornaram o principal canal de comunicação direta entre o deputado e seu eleitorado. Em janeiro, ele comemorou a marca de 5 milhões de seguidores no Facebook e 400 mil no YouTube.

Devido a suas opiniões controvertidas, Bolsonaro costuma agitar os comentaristas políticos ligados aos setores de esquerda, que se utilizam da internet para disseminar notícias com viés negativo sobre o presidenciável.

Um estudo do pesquisador Fabio Malini, coordenador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Espírito Santo, identificou que uma das interpretações mais frequentes entre a audiência com esse perfil ideológico é que "Bolsonaro é desqualificado para a Presidência".

Desde o ano passado, Bolsonaro tenta moderar sua retórica, de olho nos votos da classe média, buscando se tornar mais palatável, afastado-se de antigos posicionamentos, como os elogios à ditadura militar e à tortura.

Para o analista político Ibsen Costa Manso, da ICM Consultoria, o "Brasil tem uma pequena margem de eleitores que são de esquerda ou de direita. O voto não é ideológico. Não se ganha eleição só com esses nichos. Ele é um voto muito mais personalista do que ideológico. Bolsonaro deve ter entendido que precisa de um discurso para ampliar seu eleitorado de classe média".

No caminho, há outros obstáculos. Ele é réu e deve ser julgado pelo STF, antes da eleição. Numa delas, o pré-candidato à Presidência da República é réu por injúria e apologia ao crime. A autora é a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), sobre quem Bolsonaro declarou, em 2014, que "não estupraria a deputada porque ela não mereceria". A outra denúncia é do Ministério Público Federal, que enxerga, na conduta do deputado, incitação ao crime de estupro.

Vice

Bolsonaro ofereceu ao PR a vaga de candidato a vice-presidente em sua chapa.

O presidenciável busca aliança com o partido para aumentar seu tempo na propaganda eleitoral no rádio e na TV.

O PR pode agregar cerca de 45 segundos ao tempo de Bolsonaro. Sozinho pelo PSL, ele teria menos de 10 segundos.

A oferta para dividir a chapa foi feita ao senador Magno Malta (PR-ES).



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