Carregando...

Publicidade

Ex-gerente da Transpetro, José Antônio de Jesus foi preso em Curitiba em novembro de 2017; parentes dele também são investigados. (Foto: Folhapress)

Lava-Jato investiga esquema na Transpetro.

PF cumpriu mandados de busca e apreensão em três cidades, com o foco em transferências bancárias suspeitas.

24/03/2018

Salvador/Curitiba. A Operação Lava-Jato chegou na sexta-feira à sua 50ª fase, com a Polícia Federal cumprindo três mandados de busca e apreensão em ação que aprofunda investigações sobre pagamento de propina e lavagem de dinheiro em contratos da Transpetro, subsidiária da Petrobras para transportes marítimos.

Com ações em Salvador, Campinas e Paulínia, em São Paulo, a Operação Sothis II é um prosseguimento da 47ª fase da Lava-Jato (a Sothis I), que já investigava irregularidades na Transpetro.

O principal alvo da operação é o ex-gerente da Transpetro José Antônio de Jesus, preso em Curitiba desde novembro de 2017, quando foi deflagrada a Operação Sothis I. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a investigação mostrou que a empresa Meta Manutenção e Instalações Industriais Ltda teria pago R$ 2,3 milhões para o ex-gerente da estatal entre 2009 e 2001.

"As provas colhidas até o momento indicam ainda que, logo após as transferências dos recursos pela Meta Manutenção, familiares de José Antônio de Jesus foram favorecidos com operações bancárias diretas da empresa vinculada ao ex-gerente da Transpetro, evidenciando que foi utilizada apenas para esconder a origem ilícita dos valores", diz a nota do MPF.

O alvo da operação em Salvador foi Ana Zilma Fonseca de Jesus, mulher de José Antonio. Em São Paulo, os alvos foram empresas investigadas na operação. As investigações da Sothis I começaram a partir da delação de Luiz Fernando Maramaldo, executivo da NM Engenharia.

O empresário apontou José Antônio de Jesus, preso no interior da Bahia, como sendo integrante de um esquema de propina que teria rendido ao ex-gerente da Transpetro R$ 7 milhões pagos pela própria NM, entre 2009 e 2014. Jesus foi denunciado pelo MPF no fim do ano.

José Antônio, de acordo com o MPF, pediu para receber 1% do valor de contratos da empresa com a Transpetro como forma de propina. O valor final, no entanto, foi fixado em 0,5%.

Assassinato

Ao longo das investigações, José Antônio foi delatado também por um ex-sócio, o empresário José Roberto Soares Vieira, que alegou ter se desentendido com o ex-gerente da Transpetro porque José Antônio usava a empresa de ambos para receber pagamentos de terceiros sem que os serviços fossem prestados.

José Roberto foi assassinado com nove tiros em 18 de janeiro na região metropolitana de Salvador. À época, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da operação na primeira instância, disse que não poderia excluir a possibilidade de o homicídio estar relacionado à Lava-Jato. Durante a operação Sothis I, José Antônio foi preso temporariamente, mas, desde dezembro de 2017, está preso preventivamente.

Deflagrada em 17 de março de 2014, a Operação Lava-Jato já acumula 50 fases. No Supremo Tribunal federal (STF), são 101 pessoas respondendo a ações penais. Desde o início da operação, 134 colaborações premiadas foram assinadas e enviadas ao Supremo. Segundo o Ministério Público Federal, é esperada a devolução aos cofres públicos de R$ 1,3 bilhão que estão depositados no exterior. No Brasil, a expectativa é de recuperação de R$ 1,4 bilhão. Já foram recuperados R$ 149,5 milhões.



Total de acessos: 237912

Visitantes online: 2