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Ministro Luís Barroso, do STF, quer que os investigados tenham depoimentos colhidos à Polícia Federal e representantes do Ministério Público Federal. (Foto: STF)

Operação Skala: PF ouvirá investigados que estão no exterior.

Ministro Barroso, do STF, determinou que os três alvos do inquérito se apresentem na hora do desembarque.

02/04/2018

Brasília. O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, ontem, que três investigados na mira da Operação Skala que se encontram no exterior deverão se apresentar à Polícia Federal no momento do desembarque e ser imediatamente levados para a prestação de depoimentos à PF e a representantes do Ministério Público Federal.

A decisão atinge Rodrigo Borges Torrealba, Ana Carolina Borges Torrealba Affonso e Gonçalo Borges Torrealba, membros da família que controla o Grupo Libra e que no momento se encontram no exterior.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) já informou que os três estão dispostos a se apresentar à autoridade policial assim que retornarem ao Brasil.

Procurado pelos jornalistas, o Grupo Libra reiterou que "já está prestando todos os esclarecimentos à Justiça, e que uma de suas acionistas já depôs à Polícia Federal".

No último sábado, Barroso revogou as prisões temporárias decretadas por ele na Operação Skala, deflagrada na última quinta-feira.O pedido de revogação havia sido feito pela Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge.

Entre empresários e ex-agentes públicos foram presos o advogado José Yunes, amigo do presidente Michel Temer há mais de 50 anos e ex-assessor dele na Presidência, o coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo João Baptista Lima Filho, também coordenador de campanhas eleitorais de Temer, e o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi, que é pai do líder do MDB na Câmara, deputado Baleia Rossi (SP).

Ao todo, 10 das 13 prisões temporárias ordenadas por Barroso haviam sido cumpridas.

Crítica

Já o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot criticou o pedido de liberdade dos amigos de Temer na Operação Skala.

Autor de duas denúncias contra Temer em 2017, Janot questionou a manifestação de Dodge ao STF, em que ela solicita a revogação das prisões temporárias. "Não teria sido o caso então de pedir condução coercitiva ao invés de prisão? Voltou a ser assim? E vai continuar sendo assim?", tuitou Janot ao compartilhar uma notícia sobre o pedido de sua sucessora.

As conduções coercitivas sugeridas pelo ex-procurador-geral, entretanto, não eram uma alternativa na Operação Skala.

A medida, que obriga investigados a serem levados pela polícia para prestar depoimento, está proibida desde dezembro passado por uma decisão liminar do ministro do STF Gilmar Mendes. O entendimento de Gilmar ainda será submetido ao plenário da Corte.

Na última quinta-feira, quando a operação foi deflagrada, o ex-procurador-geral também havia se manifestado no Twitter: "Começou? Acho que sim".

Como justificativa, Dodge afirmou que as medidas já cumpriram seu objetivo legal: ouvir os investigados e fazer buscas em endereços ligados a eles.

O ministro Barroso acolheu o pedido de Dodge. Na decisão, o ministro ordenou a emissão de alvará para soltar imediatamente os investigados.

Propinas

Nove pessoas estavam presas na sede da PF em São Paulo e uma no Rio de Janeiro. O coronel João Baptista Lima Filho, amigo de Temer e apontado como seu operador de propinas, deixou a prisão sem ter prestado depoimento à PF e à PGR.

Na sexta-feira passada, os investigadores tentaram ouvi-lo, mas ele ficou em silêncio e seus advogados alegaram que Lima Filho não tinha condições físicas e psicológicas para ser ouvido naquele momento.

Há nove meses ele não comparece nas oitivas convocadas pelos delegados sob a alegação de ter problemas de saúde.

O advogado, ex-assessor especial e amigo do presidente, José Yunes, foi um dos presos que chegaram a depor duas vezes nesse período.

Yunes negou envolvimento em irregularidades ligadas ao setor de portos.



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