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Chefe do Executivo nacional citou pessoas sem "brasilidade em seu coração", dispostas a "desestabilizar o País" e gerar repercussão internacional. (Foto: AFP)

Temer faz crítica indireta à Skala.

Com a PF fechando o cerco no 'Inquérito dos Portos', presidente adota tom nacionalista para atacar opositores.

03/04/2018

São Paulo/Brasília. Ao discursar no fórum da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, o presidente Michel Temer criticou, ontem, em São Paulo, pessoas sem "brasilidade em seu coração" que causam, nas palavras dele, embaraços ao seu governo.

Nos bastidores, a fala do peemedebista foi vista como uma referência a excessos que o presidente enxergou na Operação Skala, que prendeu, na quinta passada, dez pessoas, entre elas o advogado José Yunes e o coronel João Baptista Lima, amigos de décadas do peemedebista.

"Nestes quase dois anos de governo, não foram poucos os embaraços e as oposições que nós sofremos, até de gente disposta a desestabilizar o País com gestos extremamente irresponsáveis, que têm naturalmente repercussão internacional", disse Temer, sem citar nomes.

"E as pessoas que agem dessa maneira", seguiu Temer, "não se apercebem, ou seja, não sentem brasilidade em seu coração, porque sabem que gestos desta natureza comprometem com problemas nos aspectos internacionais". Mais cedo, em Brasília, o presidente fez críticas indiretas à operação que prendeu alguns de seus amigos mais próximos, na semana passada.

Durante a posse de novos ministros, ele cobrou união e diálogo diante do que chamou de problemas, defendeu as instituições e o respeito à Constituição.

Reforma ministerial

A cerimônia de posse dos ministros Gilberto Occhi, que assumiu a Saúde, e Valter Casimiro, nos Transportes, lotou o Salão Leste do Palácio do Planalto.

Temer segue com as tratativas para concluir ainda esta semana a reforma ministerial, que deve, segundo o governo, mexer em até 14 Pastas.

Ex-diretor geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Casimiro disse que ainda vai avaliar o status dos pedidos de prorrogação de contratos de arrendamento com base no polêmico Decreto 9.048, o Decreto dos Portos.

Casimiro, funcionário de carreira do Dnit desde 2006 e sem filiação partidária, virou ministro com as bênçãos do PR, partido de seu antecessor, Maurício Quintella Lessa, que deixou o governo para concorrer a uma vaga de senador em Alagoas.

Denuncismo

Já Occhi disse que é necessário "garantir as conquistas" do governo, como a redução da taxa de juros e a criação do teto de gastos, e criticou o denuncismo.

"Denúncias que mais tarde não são caracterizadas fazem mal à democracia, à liberdade, às pessoas. O presidente não quis que não se apurasse, mas não podemos condenar as pessoas de forma antecipada", disse o novo titular da Saúde.

Investigados

Um dos alvos da Operação Skala, Gonçalo Borges Torrealba, sócio do Grupo Libra, desembarcou, ontem, no Aeroporto de Galeão, no Rio. Ele estava nos EUA e se apresentou à Polícia Federal, segundo sua defesa.

No domingo, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, determinou três integrantes da família Torrealba comparecessem à PF para prestarem depoimento. Além de Gonçalo, a medida atinge Rodrigo Borges Torrealba e Ana Carolina Borges Torrealba, que estariam na Europa quando a operação foi deflagrada.

O Grupo Libra, que explora uma área no Porto de Santos (SP), é investigado pelo suposto pagamento de propina do setor dos portos para agentes do governo em troca de favorecimentos nos contratos.

Apenas uma integrante da família, Celina Torrealba, foi detida no Brasil no dia da operação. Ela foi solta no domingo, junto com o advogado José Yunes e o coronel reformado João Baptista Lima Filho, amigos de Temer.



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