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Henrique Meirelles deixou o PSD, após a sigla decidir apoiar a candidatura do governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) em outubro. (Foto: Agência Brasil)

Ao PMDB: Meirelles se filia sem garantia de candidatura.

Ministro deve deixar o cargo até sexta-feira para se dedicar ao seu projeto de concorrer às eleições de outubro.

04/04/2018

Brasília. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, oficializou ontem sua filiação ao PMDB. Ele entra no partido com o objetivo de tentar viabilizar uma candidatura à Presidência pela sigla, mas terá um importante adversário interno: o presidente Michel Temer (PMDB), que já declarou publicamente seu desejo de tentar reeleição para o cargo nas eleições de outubro deste ano, mesmo sendo alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) e de registrar baixíssima taxa de popularidade.

Meirelles negociou sua filiação ao PMDB diretamente com Temer, que abonou a ficha de filiação de Meirelles ontem junto com o presidente nacional do partido, senador Romero Jucá (RR). Ele decidiu mudar de legenda após não conseguir apoio para uma candidatura ao Planalto de seu antigo partido, o PSD, que deve apoiar o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, presidenciável pelo PSDB.

Em discurso, Jucá ressaltou o trabalho de Meirelles à frente da Fazenda nos últimos dois anos. Disse que graças à "competência" do ministro e o "comando político" de Temer, o governo conseguiu conduzir o País da melhor forma possível e fazer coisas "inimagináveis", que garantiram a recuperação da economia brasileira, mesmo com "tormentas, ataques e especulações".

No ato de filiação, o ministro optou por não anunciar ainda oficialmente sua saída do cargo, embora o próprio Temer já tenha confirmado há uma semana que Meirelles deixará o governo nesta semana.

O ministro só pretende oficializar a saída da Fazenda amanhã (5), a dois dias do fim do prazo de desincompatibilização. Meirelles se filiou ao PMDB mesmo sem a certeza de que será o candidato da legenda ao Planalto.

"Saindo do ministério tenho convites e pedidos para palestras, eventos no Brasil inteiro, que acho que vai ser uma oportunidade excelente de percorrermos o País e mostrarmos tudo aquilo que fizemos e tudo aquilo que está sendo feito e que tem dado resultados tão favoráveis para o crescimento do País, da renda, além da inflação em baixa", disse Meirelles.

Plano B

O partido quer o ministro como um "plano B", para caso Temer desista de disputar reeleição. Se o presidente concorrer, a legenda defende que Meirelles seja candidato a vice-presidente, formando uma chapa pura emedebista, ou seja, formada por candidatos a presidente e vice da mesma sigla. Enquanto Temer não se decide -ele tem até 15 de agosto para tomar uma decisão oficial-, o PMDB quer usar o ministro como um "escudo" político para o presidente. Para isso, a sigla e o próprio Temer fazem questão de investir no discurso de que o ministro da Fazenda poderá, sim, ser o cabeça de chapa. Com isso, tentam evitar que Temer seja alvo único de opositores na vitrine do jogo político.

Na cerimônia, o PMDB fez questão de reforçar a união entre Temer e Meirelles. "M de Michel, M de Meirelles, M de MDB", diz o refrão do jingle divulgado ontem, referindo-se à primeira sigla do partido. Já o slogan, estampado em um grande banner instalado no local da filiação, traz a frase "Nossa União nos Fortalece", acompanhada de uma foto de Meirelles e de Temer. Em todo o processo de negociação, Meirelles foi atropelado pelo PMDB, que antecipou o anúncio da filiação dele e a renúncia do ministro da Pasta.



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