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Defensor da execução de prisões após condenação em segunda instância, ele citou crimes de colarinho branco que levaram quase 20 anos para serem executados. (Foto: Pedro de Oliveira / ALEP)

Dallagnol destaca ações contra ex-presidentes pelo mundo: "alguns, ainda não foram presos".

Sem citar nominalmente Lula, o coordenador da Operação Lava-Jato no Ministério Público Federal do Paraná afirmou que o Brasil e o mundo têm passado por "tempos de mudanças".

05/04/2018

No mesmo dia em que o habeas corpus do ex-presidente Lula é julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador Deltan Dallagnol disse em evento nesta quarta (4) que o combate à corrupção ao redor do mundo tem levado à prisão de ex-presidentes.

Sem citar nominalmente Lula, o coordenador da Operação Lava-Jato no Ministério Público Federal do Paraná afirmou que o Brasil e o mundo têm passado por "tempos de mudanças" que fizeram seus comandantes serem processados por corrupção. "Podemos citar aí África do Sul, Israel, Coreia do Sul, Panamá, El Salvador, Guatemala e Peru, para ficar em apenas alguns", afirmou, em jantar promovido pela consultoria AML na zona sul de São Paulo. "Em alguns países, os ex-presidentes foram inclusive presos. Em outros, como vocês sabem, ainda não", disse, ressaltando o "ainda não" com a voz.

Defensor da execução de prisões após condenação em segunda instância, Deltan citou crimes de colarinho branco que levaram quase 20 anos para serem executados, como o do ex-senador Luiz Estêvão, e defendeu a decisão de 2016 do Supremo que autorizou prisões antes de análise pelos tribunais superiores. "Nos surpreende que, quatro anos depois da Lava Jato, grande parte do debate público é sobre como não retroceder, não voltar dez anos em um dia, em vez de conversarmos sobre como nós podemos avançar ainda mais no controle da corrupção", disse, em referência à possibilidade de o STF rever a decisão de dois anos atrás.

Deltan chegou ao restaurante onde o evento aconteceu antes das 19h e começou sua fala de mais de uma hora pouco antes das 21h. Passou esse período checando recorrentemente o celular para ter notícias do julgamento. Ele não quis comentar a decisão da ministra Rosa Weber, considerada o voto decisivo da corte, de negar o habeas corpus ao ex-presidente. Quando subiu ao palco para falar, disse que não havia problema se o público checasse os celulares durante a palestra. "Saibam que eu queria estar fazendo o mesmo a cada um minuto pelo menos", riu. Na metade da fala, parou por um minuto e conferiu o placar do julgamento -estava cinco a dois contra o habeas corpus.

Em seu discurso, o procurador fez a defesa de ações de compliance (conformidade com normas) por partes das empresas e voltou a dizer que nas eleições deste ano deve-se votar em candidatos favoráveis às ações anticorrupção levadas à frente pela Lava Jato. Segundo ele, há um sentimento contrário ao que considera retrocessos por parte da população, originado a partir das manifestações de 2013. "Junho de 2013 ainda não acabou", disse Deltan. "Ontem mesmo vimos a população do Brasil indo às ruas contra a corrupção e contra a impunidade", afirmou, em referência às manifestações pela prisão de Lula.

O procurador é parte da força-tarefa da Lava Jato que acusou o ex-presidente de corrupção e lavagem de dinheiro no processo do tríplex de Guarujá (SP). Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). Ele nega que tenha cometido crimes.



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