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Economista acredita que a guerra comercial entre os dois países também pode ter um impacto benéfico para o aço produzido no Ceará. (Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Frutas e Aço: Conflito entre EUA e China pode beneficiar exportações do CE.

Por outro lado, especialistas dizem que o preço das commodities pode cair, prejudicando o Brasil.

06/04/2018

A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China ainda é vista com desconfiança pelo mercado local. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a tensão entre as duas maiores economias mundiais deverá ser temporária, abrindo pequenas brechas que podem ser aproveitadas por exportadores locais. Contudo, o cenário ainda incompleto, impossibilita, conforme eles, uma avaliação mais fria acerca do quanto o Ceará pode ser impactado. A princípio, o mercado de frutas cearense pode ser beneficiado pelo conflito.

Na última quarta-feira (4), a China anunciou a cobrança de tarifa de 25% sobre 106 produtos americanos na importação. Dentre os impactados, estão soja, milho, aviões, automóveis, produtos químicos e uísque. As sobretaxas são retaliação à taxa imposta pelo governo de Donald Trump ao aço proveniente do país asiático que entra nos Estados Unidos.

O economista e consultor internacional Alcântara Macedo alerta que o imbróglio entre os dois países tende a reverberar por todo o globo, dada a relevância dos envolvidos. "Uma desarticulação dos acordos internacionais de duas economias, as duas maiores do mundo, afeta todo o sistema internacional de comércio", destacou.

Para ele, o Brasil surge como um participante que pode ser beneficiado. "É evidente que, na medida em que a China não pode mais comprar alguns produtos dos EUA, a possibilidade do Brasil vender aumenta. Sem dúvidas, essa guerra favorece ao Brasil", disse.

Temporário

Tal favorecimento, contudo, é temporário. Na visão de Macedo, China e EUA não sustentarão as posições agressivas durante muito tempo. "A diplomacia vai encontrar um caminho para encontrar vantagens competitivas que não permitam essa guerra continuar, pois é ruim para os dois lados. Acho que é temporária, apenas vai haver desgaste", apontou.

"Na medida em que a China e os Estados Unidos deixam de ter a complementação de produtos, evidentemente abre vaga para economias que concorrem e não têm o diferencial de impostos que os governos colocaram. De um lado, Trump quer holofotes para seu partido e a impetuosidade dele, que é comum ao temperamento; e por outro lado, a China teve que responder à altura, pois criaria uma diferença de tamanho de importância do País dentro da conjuntura de comércio internacional. Evidente que os dois lados vão perder. E nós, Brasil e outras economias que possam ter produtos em quantidade, podemos nos beneficiar", ressaltou o especialista.

Perdas

A gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Karina Frota, tem uma percepção mais recatada quanto aos benefícios para o Brasil do impasse entre chineses e estadunidenses. Na perspectiva dela, as brechas deixadas pelos dois países são bem pequenas e ainda não podem sequer ser mensuradas. "Temos condições de perceber benefício muito pontual quando a gente fala de Brasil. No nosso entendimento, a economia do Estado ou do País, perde mais do que ganham com a questão da retaliação da China sobre as tarifas", ponderou.

Conforme Karina, há a possibilidade de a retaliação chinesa servir ainda de inspiração para outros países tomarem atitude protecionista similar. "Quando a gente analisa qual é o grande reflexo desse projeto, quanto ao comércio internacional, temos receio de que a retaliação da China tenha condições de agir como uma espécie de efeito dominó. Outros países ou grupos, como a União Europeia, podem, a médio prazo, criar algum tipo de tarifa em relação a outros produtos", ponderou. "A gente percebe claramente que isso representa uma reação protecionista e, por esse motivo, nos desperta essa preocupação. Ainda pois, para as regras da Organização Mundial do Comércio, é uma ação legítima da China, visando proteger seus interesses comerciais", emendou.

O empresariado do Estado do Ceará também está atento ao que acontece entre norte-americanos e asiáticos. Conforme Karina Frota, numa visão "otimista", quem atua no ramo da produção de frutas, por exemplo, pode aproveitar do momento de tensão entre China e EUA e obter atratividade no mercado.

Na opinião da gerente do CIN, as "commodities", isto é, produtos de origem primária, tendem a ser desvalorizados em meio à disputa. "O preço das commodities tende a cair. Isso ocasionaria um prejuízo para o Brasil. Nossa maior preocupação é que com a possível guerra comercial se alastrando para outros mercados, teremos importações menores em termos de valores e quantidade, gerando aumento da importação de produtos manufaturados. No curto prazo, a gente vê, em termos de volume, uma oportunidade para a questão dos suínos e sojas. E, para os produtos do Ceará, talvez a oportunidade para algumas frutas. Isso seria um impacto positivo, uma vantagem pontual, no curto prazo. Mas tudo é muito prematuro ainda", disse Karina Frota.

Siderurgia

Alcântara Macedo ainda aposta também numa vantagem para o aço do Ceará em meio ao imbróglio. "Talvez, com essa situação, a gente possa se beneficiar com a China. Ela tem aço, mas a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) trabalha muito com aquela região", comentou o economista.



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