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Apesar das turbulências políticas, Michel Temer pregou "esperança e otimismo" em evento, ontem. (Foto: Agência Brasil)

Denúncia Aceita: Amigos de Temer viram réus no caso do "quadrilhão".

10/04/2018

Brasília. O juiz Marcos Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, aceitou denúncia de organização criminosa contra nove pessoas, entre elas integrantes do PMDB e dois amigos próximos do presidente da República Michel Temer, o coronel João Baptista de Lima Filho e o advogado José Yunes. Os acusados passam agora à condição de réus e responderão a uma ação penal.

A denúncia, referente ao chamado "quadrilhão do PMDB", foi apresentada originalmente em setembro do ano passado pelo então procurador-geral da República Rodrigo Janot ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra Temer e alguns de seus aliados, como os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha (RJ) e Henrique Eduardo Alves (RN), além do ex-ministro Geddel Vieira Lima (BA) e do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PR). Ele apontou a existência de uma organização que desviava recursos de vários órgãos públicos para integrantes do partido.

Os acusados negam envolvimento em ilícitos. Depois que a Câmara dos Deputados barrou o prosseguimento da ação contra Temer, o caso foi remetido à Justiça Federal no Distrito Federal para que os envolvidos sem prerrogativa de foro sejam processados. No último dia 21, a Procuradoria da República no DF ratificou a denúncia original e fez um aditamento, acrescentando cinco novos acusados ao caso, entre eles Yunes e Lima.

Também são acusados os corretor Lúcio Funaro, Altair Alves Pinto e Sidney Szabo, apontados como auxiliares de Cunha no esquema investigado.

Doação ilegal

O magistrado aceitou a denúncia integralmente contra todos os denunciados. A acusação dos procuradores leva em conta o fato de Yunes ter admitido que recebeu um pacote da Odebrecht, a pedido do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil). Segundo as investigações, tratava-se de doação ilegal de campanha acertada com Temer e aliados em 2014, no Palácio do Jaburu. A acusação ao coronel se baseia nas delações de Joesley Batista e Ricardo Saud, da JBS. Segundo as colaborações, a pedido de Temer, a empresa entregou R$ 1 milhão ao coronel Lima.

Os recursos seriam para uso em campanha, mas o presidente teria ficado com o dinheiro para proveito pessoal.

A delação da JBS também levantou a suspeita de que a Rodrimar, empresa que atua no Porto de Santos, foi beneficiada por Temer com a edição de um decreto. Essa investigação corre perante o Supremo Tribunal Federal.

'Momento difícil'

Em discurso na posse de Dyogo Oliveira na presidência do BNDES, Temer reconheceu, ontem, que o País atravessa um momento difícil do ponto de vista político. Sem citar a prisão de Lula, o peemedebista pregou a "organização" no País, com respeito à Constituição e às regras do Direito. Também pregou "esperança e otimismo" no País, em um ano eleitoral. Temer ainda exaltou o agora pré-candidato à Presidência Henrique Meirelles, atribuindo ao ex-ministro da Fazenda a responsabilidade pelas conquistas econômicas de seu governo.



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