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(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Reajuste: Energia sobe 3,80% nas residências e 7,96% na indústria; menor do País;

Reajuste, no entanto, ficou acima da inflação no período, e começa a vigorar no próximo domingo, 22 de abril.

18/04/2018

A partir do próximo domingo (22), a conta de energia no Ceará fica mais cara. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, na manhã de ontem, o reajuste médio de 4,96% para os consumidores da Enel Distribuição Ceará. Para consumidores residenciais (baixa tensão), a alta será de 3,80% e para a indústria (alta tensão) de 7,96%. Dentro das expectativas, o resultado para o Ceará ficou abaixo do reajuste médio previsto para o Brasil neste ano que, segundo estimativa da Aneel, deve ficar acima de 10%. Para o consumidor residencial e residencial de baixa renda (classe B1) o reajuste da Enel será de 3,70%, o menor entre todas as 16 distribuidoras que já tiveram seus reajustes homologados pela Aneel. No Estado, essa classe representa quase 80% das unidades consumidoras.

Até agora, o maior reajuste na classe B1 foi de 21,44%, da distribuidora Ampla, do Rio de Janeiro. Neste ano, a agência ainda irá homologar revisões e reajustes de outras 47 distribuidoras. No Nordeste, além da Enel, apenas a distribuidora EBO, da Paraíba, já teve seu reajuste homologado, com alta de 16,85% na classe B1. Ontem, a Aneel definiu as revisões tarifárias da Coelba (BA), com alta de 17,22%; da ESE (SE), elevação de 9,78%; e Cosern (RN), com 14,81%.

Acima da inflação

Apesar de o reajuste no Ceará ter sido inferior ao praticado em outros estados, o presidente do Conselho de Consumidores da Enel Distribuição Ceará (Conerge), Antônio Erildo Lemos Pontes, considera preocupante a alta ter ficado acima da inflação anual. O IGP-M, índice utilizado para balizar os aumentos da energia elétrica, registrou alta de 0,20% no acumulado de 12 meses terminado em março, e IPCA, que mede a inflação oficial no País, subiu 2,84% no acumulado de 12 meses até fevereiro. "Nos preocupa o fato de a energia estar subindo muito além da inflação. E, principalmente, para o setor industrial temos uma alta próxima a 8% desse insumo básico para o setor e, evidentemente, isso vai refletir nos custos das empresas ", avalia Pontes. "Mas, se comparado a outras distribuidoras, estamos em uma situação favorável, o que não quer dizer que a gente esteja satisfeito", acrescenta.

Indústria reage

Em nota, o Núcleo de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), diz que "os índices agravam as dificuldades atuais, devido à crise que o País atravessa, o que deverá causar elevação de custos dos insumos pela classe produtiva".

A entidade afirma ainda que é preciso verificar as causas da elevação continuada dos custos de energia elétrica no Brasil, "para que com isso, sejam intensificadas as medidas para impedir que tal situação atinja um patamar insustentável".

Encargo

De acordo com a justificativa dada pela Enel Distribuição Ceará, o reajuste para os clientes industriais ficou maior devido ao encargo da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e do custo de transmissão, que possuem pesos maiores na tarifa desses clientes.

Aumento dos custos

Segundo José Alves, diretor de Regulação da Enel no Brasil, "os principais fatores que impactaram a tarifa deste ano foram: o custo de transmissão, os encargos setoriais e o custo com a compra de energia. Já a parcela da distribuidora teve um impacto de -1,11% no reajuste, contribuindo na diminuição da tarifa", comenta.

A Enel diz ainda que, nos últimos 10 anos, o valor da tarifa residencial evoluiu abaixo da variação do IGP-M e do IPCA no mesmo período, apresentando uma redução de mais de 20%.

Composição da tarifa

De acordo com a Enel, somente 21,6% da conta de energia se destinam ao serviço de distribuição de energia operado pela companhia. O valor se destina aos custos de operação, expansão e manutenção da rede de energia elétrica.

Do valor total pago pelo consumidor, 33,9% são referentes ao custo da energia, 29,0% a tributos como ICMS (23,6%) e PIS/Cofins (5,4%), 10,5% são destinados a encargos setoriais e 5,1% a custos de transmissão. Os percentuais já consideram a aprovação do reajuste tarifário divulgado ontem.


(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Consumidores no Ceará

Atualmente, a Enel atende a 3,4 milhões de unidades consumidoras localizadas em 184 municípios do Ceará. O número indica que a empresa encerrou o ano passado com um incremento de 3,3% em relação à quantidade de consumidores registrado no fim de 2016.

O crescimento está concentrado na classe residencial (convencional e baixa renda) e comercial, com mais 62.903 e 796 novos consumidores, respectivamente. Em 2017, os investimentos para conexão de novos clientes à rede da Companhia no Estado totalizaram o montante de R$ 403 milhões.

O que eles pensam

Setor produtivo reclama da alta

A gente fica preocupado com essa alta, que é mais do que o dobro da inflação dos últimos 12 meses. Porque isso impacta no custo de produção, uma vez que a energia elétrica é um dos insumos mais importantes do processo industrial, e, neste momento econômico, será difícil de repassar esse aumento para o preço dos produtos.

Joaquim Rolim
Coordenador do Núcleo de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec)

Para o consumidor de alta tensão é um reajuste muito elevado tendo em vista a inflação que nós temos hoje. Ficou pesado para as empresas, principalmente para as de grande porte, entre as quais estão incluídos os fornecedores dos varejistas. Para o consumidor de baixa tensão, o reajuste veio dentro do esperado. De todo modo, a energia é um insumo que anda colado conosco.

Freitas Cordeiro
Presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Ceará (FCDL-CE)

Mais uma vez, o setor produtivo sai penalizado. Acho que o Brasil está contramão, quando o mundo todo estimula a produção, o empreendedorismo, nós temos uma das energia mais caras do planeta, mesmo com uma matriz barata. Esse insumo atinge diretamente o preço final dos produtos, e, infelizmente, teremos de repassar para o consumidor. Esse reajuste é ruim para todos.

André Montenegro
Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Ceará (Sinduscon-CE)



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