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A venda de entorpecentes acontecia no entorno da escola estadual localizada no bairro Pajuçara, em Maracanaú. (Foto: Reinaldo Jorge)

Violência: Polícia registra homicídios e tráfico no entorno de escolas.

Alunos fardados foram capturados em posse de entorpecentes. Ontem, um estudante morreu a caminho da escola.

19/04/2018

Desde o início de 2018, reiterados episódios na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) mostram que mortes e tráfico de drogas vêm tomando os arredores das instituições de ensino. Na noite da última segunda-feira (16), dois jovens foram capturados em flagrante comercializando entorpecentes em frente à Escola de Ensino Médio (EEM) Professor Flávio Ponte, no Município de Maracanaú. E na tarde de ontem, um estudante foi morto a tiros em Pacajus.

Fardados, Francisco Luan Mesquita Chaves, 18, e um adolescente de 16 anos, faziam da frente da instituição, no bairro Pajuçara, ponto de venda de entorpecentes. Conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), os suspeitos foram localizados após denúncia anônima.

Policiais militares do Batalhão de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio) informaram que na diligência até o local, eles localizaram a dupla em atitude suspeita e realizaram a abordagem. De acordo com a Pasta, com eles foram apreendidas cinco pedras de crack.

Na casa do menor de idade, mais entorpecentes foram encontrados: 10 gramas de cocaína, 14 gramas de crack, além de uma balança de precisão e materiais para a preparação da droga.

De acordo com informações do delegado Paulo André Cavalcante, titular da Delegacia Metropolitana de Maracanaú, ainda na noite da segunda-feira (16), foi feito o flagrante.

"Nós somos os plantonistas. No outro dia o inquérito foi transferido para o 29º DP (Pajuçara). A Polícia Militar nos informou que os dois estavam com a farda da Escola Flávio Ponte", disse Paulo André. A Secretaria da Segurança disse que um ato infracional por tráfico de drogas também foi realizado na Delegacia Metropolitana de Maracanaú.


Um aluno de 15 anos foi assassinado a tiros quando estava a caminho do colégio, em Pacajus, na Região Metropolitana de Fortaleza. (Foto: Diário do Nordeste/VC Repórter)

Medo

Na porta da escola, um funcionário, que optou por não se identificar, contou que o aluno de 18 anos, Francisco Luan, era um aluno desistente. "Ele ia e voltava pra cá. Passava uns tempos sumidos. Quando foi preso estava fardado. Nós sabemos que a escola está em uma região perigosa. Tanto, que temos vigilante particular. É uma das poucas com esse tipo de segurança. Particularmente, dentro do prédio eu nunca vi nada de droga", disse o servidor público. Uma adolescente aluna da instituição contou, sem especificar, que era amiga de um dos suspeitos que nunca viu o colega vender drogas, mas disse já ter o observando utilizando. "Já vi ele usando maconha em uma festa. Mesmo assim, quando tudo isso aconteceu fiquei surpresa, porque achei que ele não era metido nisso de venda", disse a estudante.

Questionada sobre se a ocorrência era do conhecimento da Secretaria da Educação do Estado (Seduc), o órgão respondeu que, por meio da Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação (Crede) 1, está acompanhando o caso. De acordo com a Seduc, a escola está reforçando a vigilância no seu entorno. Acerca dos projetos de acompanhamento por parte dos colégios junto aos alunos infratores, a Secretaria da Educação respondeu que "além da inclusão da temática em sala de aula, a gestão escolar também busca estratégias de mediação com pais e alunos usuários de drogas".

Assassinatos

Ontem, um outro crime aconteceu próximo a uma instituição de ensino público. O aluno de iniciais T.S.A., de 15 anos, foi morto com disparos de arma de fogo no momento em que seguia para o colégio. A ação criminosa aconteceu no bairro Buriti, da cidade de Pacajus, também na RMF.

Segundo a SSPDS, equipes das polícias Civil e Militar realizam diligências na região com o objetivo de capturar os autores do homicídio, mas até a noite de ontem ninguém havia sido preso. A Secretaria da Segurança acrescentou que a Delegacia Metropolitana de Pacajus está à frente das investigações visando identificar a motivação do crime.

Há duas semanas, outra execução de estudante foi registrada. Um aluno da Escola de Ensino Fundamental e Médio Eunice Weaver, em Maranguape, foi assassinado dentro da sala de aula.

À época, um inspetor da Polícia Civil, que não quis ter sua identidade revelada, afirmou que a vítima pertencia a uma facção criminosa e era envolvida com drogas. O inspetor garantiu que, pelo menos, cinco criminosos participaram da ação.

Porém, a SSPDS informou oficialmente que dois homens participaram da execução. Eles teriam conseguido chegar até a vítima logo após pular o muro dos fundos do equipamento.



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