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Amigo de Temer, o advogado José Yunes detalhou sobre a entrega de "envelope lacrado grosso" do doleiro Lúcio Funaro a pedido de Eliseu Padilha. (Foto: Folhapress)

Suspeita de Propina: Yunes avisou Temer sobre "envelope grosso".

Pela 1ª vez, advogado e ex-assessor menciona o nome do presidente da República no caso do "Quadrilhão do PMDB".

24/04/2018

Brasília/São Paulo. O advogado José Yunes, ex-assessor especial do Palácio do Planalto, afirmou em depoimento à Polícia Federal, no âmbito da Operação Skala, ter contado ao presidente Michel Temer, seu amigo pessoal há mais de 50 anos, sobre a entrega de um "envelope lacrado grosso" do doleiro Lúcio Funaro em seu escritório, a pedido do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil). É a primeira vez que Yunes, que já prestou ao menos dois outros depoimentos sobre o assunto, cita o nome de Temer neste episódio.

"Sobre os fatos já noticiados relativos ao recebimento de documentos de Lúcio Bolonha Funaro, a pedido de Padilha, lembra-se de que se tratava de envelope lacrado grosso, da espessura de pouco mais de dois centímetros, que não era pesado", afirmou Yunes em depoimento prestado no dia 30 de março ao delegado Cleyber Malta, que é responsável pelo inquérito do "Quadrilhão do PMDB".

Yunes disse que "alguns dias depois" da entrega detalhou a Temer o tal pedido, e que ele demonstrou "estranhamento" e não ter conhecimento sobre o assunto. "Inclusive falou para Michel Temer que ficou estarrecido com a 'tal figura delinquencial', após tomar conhecimento através do Google sobre envolvimento em escândalos por Lúcio Funaro", afirmou.

Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), o "pacote" entregue por Funaro a Yunes conteria R$ 1 milhão em dinheiro e seria parte da propina no valor de R$ 10 milhões acertada entre a Odebrecht e o PMDB para campanhas de candidatos do partido em 2014.

Em colaborações premiadas, Marcelo Odebrecht e Cláudio Melo Filho, presidente e ex-diretor da empreiteira, disseram que o valor foi acertado em reunião com representantes do MDB, no Palácio do Jaburu, na qual o então vice-presidente Michel Temer estaria presente. Segundo os delatores, parte deste valor, R$ 6 milhões, seria repassada a Padilha.

'Mula involuntária'

A citação de seu nome nas delações foi o estopim para o pedido de exoneração de Yunes da assessoria especial da Presidência em dezembro de 2016.

Dois meses depois, o advogado prestou depoimento voluntário à PGR para falar sobre o assunto. Na ocasião, afirmou ter atuado como "mula involuntária" de Padilha.

"Padilha pediu se eu poderia receber no escritório um documento, um pacote, para que outra pessoa fosse pegar", contou na ocasião ao jornal "O Estado de S. Paulo". "Quem levou o documento foi Lúcio Funaro, que eu não conhecia. Por isso eu brinquei que fui mula involuntária do Padilha", disse.

No dia 29 de março deste ano, Yunes foi preso pela Polícia Federal no âmbito da operação Skala - que investiga suspeitas de irregularidades na edição de decreto dos Portos.

Além dele, também foram presos preventivamente o coronel da Polícia Militar aposentado, João Baptista de Lima Filho, o coronel Lima, o ex-ministro de Agricultura Wagner Rossi e o presidente da empresa Rodrimar, Antonio Grecco. Eles foram soltos três dias depois. O advogado de Temer, Antônio Claudio Mariz de Oliveira, disse que não iria se manifestar porque não teve conhecimento do teor dos depoimentos de Yunes.

Já a defesa de Padilha afirmou que "não obstante o equívoco de tal afirmação, o ministro, em respeito ao Poder Judiciário, se pronunciará apenas dentro dos autos".

Rodrimar

Peça central no inquérito que apura se Temer recebeu propina para beneficiar, por meio de um decreto, empresas que atuam no Porto de Santos, a Rodrimar teve uma derrota jurídica. A Justiça Federal negou o pedido da empresa de manutenção do contrato de arrendamento que tem no Porto de Santos, junto à Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). O contrato de arrendamento da Rodrimar com a Docas está vencido, e a companhia solicitava sua prorrogação. A decisão é do juiz federal Décio Gabriel Gimenez, da 3ª Vara Federal em Santos.

No despacho, o juiz federal Décio Gimenez disse que o pedido "está em conflito com a legislação vigente e com os princípios aplicáveis à administração pública". Segundo Gimenez, o Artigo 175 da Constituição Federal impõe que a prestação de serviços públicos mediante o regime de concessão seja sempre precedida de licitação.

Em nota, a Rodrimar afirmou que respeita a decisão da Justiça Federal e que apresentará recurso, assim que for intimada.



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