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Estradas de acesso das zonas rurais à sede do Município ficaram avariadas por erosões provocadas por rios e riachos, com as chuvas de abril. (Foto: Alex Pimentel)

Em Quixeramobim: 14 mil alunos sem aulas por causa das estradas.

As aulas foram suspensas pelo secretário de Educação para prevenir acidentes com estudantes.

25/04/2018

Quixeramobim. As chuvas de abril foram suficientes para afetar os 14 mil alunos da rede pública do Ensino Fundamental deste Município do Sertão Central. Choveu 82,7% acima da sua média histórica. O excesso provocou atoleiros e abriu crateras em várias estradas na zona rural. As mais afetadas foram as localidades de Belém, Berilândia, Fogareiro e São Joaquim.

Preocupada com a segurança das crianças, na faixa etária dos cinco aos 12 anos, a Secretaria Municipal de Educação decidiu interromper as aulas. Havia risco de acidente em alguma das 94 rotas, 25 delas da zona rural para a área urbana. Há cerca de duas semanas, quando as precipitações ficaram mais intensas, um ônibus escolar derrapou durante a passagem sobre a parede de um açude. Por pouco não tombou na água, podendo causar a morte dos alunos.

Ao tomar conhecimento do perigo, o titular da Pasta, Fernando Ronny Oliveira, resolveu suspender as aulas imediatamente. A decisão foi tomada para os pais não insistirem em levar os filhos às escolas de qualquer maneira. Até coletes salva-vidas tinham solicitado para realizarem a travessia das crianças nos rios. "Prefiro receber críticas a deixar nossos alunos correrem perigo de morte", ressaltou, referindo-se a denúncias que o levaram a justificar-se perante Câmara Municipal e o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).

As aulas foram suspensas nas 114 escolas da rede municipal até o Dia do Trabalhador, 1º de maio. A partir do dia seguinte, o ano letivo deverá volt ar ao normal, caso não volte a chover com intensidade. As aulas perdidas nestas duas semanas serão recuperadas no segundo semestre. O término do ano letivo estava previsto para 8 de dezembro. Neste ano, as férias de fim de ano serão adiadas para 21 de dezembro.

As mães, mesmo de estudantes que não precisam do transporte escolar, como Maria José Felício, moradora de Uruquê, consideram a atitude correta. "Toda mãe quer a segurança do seu filho. Podendo evitar, é melhor, afinal, aula se recupera, uma vida perdida, não", comentou, na expectativa de que as chuvas continuem, mas sem exageros, pois é agricultora.

A paralisação temporária dos ônibus escolares afetou também os estudantes do Ensino Médio. Um número pequeno deles, cerca de 8%, precisou encontrar alternativas para não faltar às aulas nas duas unidades de ensino públicas do Estado, a Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Coronel Humberto Bezerra e a Escola Estadual de Educação Profissional Doutor José Alves da Silveira. Quem mora nas áreas afetadas está dormindo na casa de amigos e parentes.

Em Jaguaretama, no Vale do Jaguaribe, são 2.800 alunos sem aula pelo mesmo motivo.



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