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No Ceará, 3,2% de crianças menores de 5 anos estão na condição de desnutrição. O Estado também aparece entre as Unidades da Federação com os piores índices de pobreza extrema entre menores de 14 anos. (Foto: Reinaldo Jorge)

Ceará tem 61% da população de até 14 anos na pobreza.

Comparando os dados, o Ceará ocupa a terceira colocação no Brasil, atrás de Alagoas (66%) e Maranhão (62,4%).

25/04/2018

Crescer com qualidade de vida, rodeados por bons serviços de saneamento, saúde e educação, por exemplo, deveria ser regra para crianças e adolescentes. No entanto, a precariedade de condições financeiras leva a caminhos mais difíceis: no Ceará, 61% da população de 0 a 14 anos - cerca de 1,2 milhão de pessoas - vive na pobreza, numa classe de rendimento mensal domiciliar per capita de até meio salário mínimo. Isso levando em conta o valor do ano de 2015, que era de R$788. Comparando os dados, o Ceará ocupa a terceira colocação do ranking nacional, atrás de Alagoas (66%) e Maranhão (62,4%).

O Ceará também aparece entre as Unidades da Federação com os piores índices de pobreza extrema entre menores de 14 anos. Nessa categoria, a renda per capita é equivalente um quarto daquele salário, isto é, R$197. O Maranhão lidera o ranking com 35,2%, seguido por Ceará (28,6%), Alagoas (28,3%), Bahia (24,7%) e Pará (23,9%). No Estado, o número absoluto de crianças e adolescente nessa situação chega a 561,2 mil.

A situação precária em que vivem os jovens do País é atestada pela nova edição do "Cenário da Infância e da Adolescência no Brasil", levantamento da Fundação Abrinq, lançado ontem, que mostra que 40,2% dos jovens brasileiros vive na pobreza e que cerca de quatro milhões de crianças moram em favelas.

O Nordeste e o Norte do país são as regiões com os piores cenários em relação à faixa de renda. Nelas, respectivamente, 60% e 54% das crianças vivem em situação de pobreza.

Para a administradora executiva da Fundação Abrinq, Heloisa Oliveira, é a profunda desigualdade social brasileira que está por trás dessa situação e leva à piora de outros indicadores, considerados "impactantes". "Nós fizemos uma fotografia da situação, mas, se não houver, por parte dos governantes, uma decisão estratégica de investimentos em crianças e adolescentes, dificilmente o Brasil vai conseguir cumprir as metas de bem-estar social", afirma.

Heloisa se refere aos indicadores sociais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), compromisso global para a promoção de metas de desenvolvimento até 2030, do qual o Brasil é signatário junto a outros 192 países. Os objetivos da ONU incluem melhoramentos em educação, saúde, saneamento e enfrentamento à violência.

No entanto, pelo menos nas estatísticas, eles estão longe de serem alcançados. No Ceará, 3,2% de crianças menores de 5 anos estão na condição de desnutrição (a meta da ONU é zerar a taxa); contabilizam-se 12,7 óbitos de menores de um ano a cada mil nascidos vivos; apenas 29,7% das crianças de 0 a 3 anos contam com cobertura de creches (quando o ideal é de, pelo menos, 50%); e 65% da população não tem acesso adequado à rede de coleta de esgoto, um fator propagador de doenças como infecções digestivas.

Qualidade

"Para alguns indicadores, é fundamental a atenção à primeira infância, principalmente quando se fala de mortalidade infantil e acesso à educação. Dos 6 a 12 anos, é importante refletir sobre a qualidade da educação, inclusive sexual, para evitar a gravidez precoce ou a contaminação por Infecções Sexualmente Transmissíveis. Dos 12 aos 18 anos, temos umas preocupação diferente: dar oportunidades para que os jovens se afastem das drogas e de atividades ilícitas. Em cada faixa, temos um tipo de prioridade a ser avaliada", detalha a administradora executiva da Fundação Abrinq.

Conforme Heloisa, as estatísticas apresentadas no estudo permitem uma reflexão sobre a realidade e precisam ser apropriadas na tomada de decisões. "É importante que os conselhos de direito da criança e do adolescente tenham o papel de orientar as políticas públicas e investimentos na área, além de fazerem diagnósticos locais da situação de meninos e meninas", explica.

A coordenadora do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca-CE), Mara Carneiro, atesta carências "de várias ordens" no território cearense, o que ela considera "violações de direitos" da infância e da juventude. "Temos tido dificuldades com cortes do Governo Federal nessa área, e isso tem se acentuado. Nunca se investiu tão pouco", diz. Segundo Mara, o Cedeca promove diálogos com parlamentares e secretarias públicas, mas as reuniões "não têm se transformado em efetivação".


(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)


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