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Obras paralisadas ou em atraso freia a ampliação das exportações de produtos pelos empresários cearenses, segundo o estudo divulgado ontem. (Foto: Cid Barbosa)

Anel Viário: Atraso em estradas deixa frete até 30% mais caro.

Em documento oficial, setor produtivo relata gargalos dos portos que dificultam exportações e possíveis soluções.

25/04/2018

O histórico atraso nas obras de duplicação dos 32 quilômetros da Rodovia Quarto Anel Viário, que deve cortar seis municípios da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), repercute hoje em fretes até 30% mais caros, contabiliza o presidente da Câmara Temática Logística (CTLog) e do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Heitor Studart.

O Anel Viário foi pensado para agilizar o trânsito na região, bem como facilitar o escoamento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP). Entretanto, a paralisação das obras impede que tudo isso aconteça, freando uma ampliação mais pujante das exportações no Estado.


(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

"A malha rodoviária, que inclui o Anel Viário, o Arco Metropolitano e a Transnordestina são fundamentais para o avanço e inserção do Porto do Pecém na competitividade nacional. Muitas firmas de exportação deixam de se instalar no Ceará porque não têm viés rodoviário", criticou Heitor Studart ontem (24), durante apresentação de um estudo sobre entraves portuários, na Fiec.

O documento, que foi elaborado pelo Coinfra junto à CTLog, é fruto de reuniões realizadas desde setembro do ano passado e nele estão enumerados todos os principais problemas e também algumas soluções para o setor portuário.

O material foi encaminhado ainda ontem para o titular da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Estado do Ceará (SDE), César Ribeiro, e o Governo do Estado terá até 60 dias para se posicionar oficialmente sobre o conteúdo.

"Esse documento oficial é relevante porque queremos lançá-lo como um fórum de debates para daí o governo tomar providências urgentes, algumas inadiáveis. Sem a resolução de toda essa operação logística, por exemplo, firmas migram para outros portos próximos, como o Porto do Itaqui, no Maranhão", destacou Heitor Studart.

Carência de pessoal

Um dos percalços que afetam diretamente o comércio exterior, aponta o setor produtivo, é o horário restritivo, o que impede o funcionamento integral dos terminais marítimos, durante 24 horas. "Hoje, a Anvisa encerra suas atividades de liberação dos navios às 17 horas de sexta-feira e retorna apenas na segunda. Ou seja, o navio que tem um custo de estadia da ordem de até US$ 30 mil por dia vai ter que ficar parado aguardando liberação só na segunda, caso chegue após 17 horas de uma sexta", argumentou o presidente do Sindicato das Agências de Navegação Marítima e dos Operadores Portuários do Ceará (Sindace) e consultor na área de petróleo e gás, Bruno Iughetti.

Duplo escoamento

A burocracia de alguns procedimentos executados dentro dos terminais, como o duplo escaneamento de contêineres vazios no Porto do Mucuripe, em Fortaleza, também foi alvo de críticas. Conforme Iughetti, além de custos adicionais, o procedimento adotado pela Receita Federal no Brasil implica em perda de produtividade.

Outra sugestão incluída no estudo é a unificação de instruções e procedimentos entre os portos do Pecém e do Mucuripe. "Hoje, Pecém tem determinados procedimentos emanados pela Aduana local e Mucuripe tem outros completamente diversos", diz, citando como exemplo o horário diferenciado de atuação de fiscais da Receita nos dois terminais, em que não há mais serviços de plantão.

No Porto do Mucuripe, os fiscais atuam de segunda à sexta-feira, das 7h30 às 17h30. Já no Porto do Pecém, o horário é de segunda à sexta-feira, de 8h às 15h30. "Ou seja, qualquer liberação que dependa da Receita fora desses horários ficará prejudicado", frisa Bruno Iughetti.



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