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Em família, entre amigos ou dispersos, a caminhada ocupou o acostamento, além da recém-inaugurada ciclovia da CE-292, a popular Avenida Padre Cícero. (Foto: Antonio Rodrigues)

Fraternidade: Caminhada reúne 8 mil entre Crato e Juazeiro.

Homens e mulheres de várias idades acordaram cedo, com céu ainda escuro, para andarem em comunhão.

02/05/2018

Crato / Juazeiro do Norte. Pelo 28º ano, foi realizada a Caminhada da Fraternidade, que fez cerca de 8 mil pessoas percorrerem 15Km entre a Igreja São Francisco, no bairro Pinto Madeira, em Crato, até o Santuário dos Franciscanos, em Juazeiro do Norte. Homens e mulheres de várias idades acordaram cedo, com céu ainda escuro, para andarem em comunhão. Com apoio de um trio elétrico, começou às 4h20 e durou quase 4h.

Em família, entre amigos ou dispersos, a caminhada ocupou o acostamento, além da recém-inaugurada ciclovia da CE-292, a popular Avenida Padre Cícero. Muitos participantes portavam cartazes e faixas se manifestando pela "Fraternidade e superação da violência", tema da 28ª edição e da Campanha da Fraternidade, cujo lema é "Em Cristo somos todos irmãos". Neste ano, durante as pausas para descanso e hidratação, nas canções e nos momentos de oração os fiéis buscaram alertar sobre a necessidade de cultivar a paz.

"A caminhada tem muito a questão da tradição, que vem desde o início. O pai traz o filho, que chama o amigo, e assim por diante, e faz essa fraternidade acontecer. Então, não existe algo novo. Na parada, houve uma breve reflexão sobre a paz. Como o percurso é muito extenso, a recomendação é que não demore muito", explica o Padre Arileudo Machado, da Paróquia de São Francisco, em Crato, organizadora do evento.

Em passos largos, sem olhar para trás, o aposentado José Osmadino Gonçalves não diminuiu a pisada, mesmo próximo à chegada. "A gente era o derradeiro e chegamos na frente ainda", brinca. Para ele, que 3h já estava de pé, a caminhada também é um momento de fé. Junto de alguns amigos, saiu caminhando do bairro do Seminário, em Crato, até o local da concentração. "Já cheguei aquecido", brinca, encarando o trajeto até o município vizinho. "É a fé de vir de lá para cá que me trouxe. Nunca tive problema e vou continuar vindo", promete.

Já a agricultora Maria das Dores de Souza, que há 10 anos participa da celebração, acredita o evento dá a oportunidade de fazer uma caminhada. "É bom para a saúde. Me levantei 3h e ainda não estou cansada. É porque tem energia a gente que trabalha a roça", explica. Ao seu lado, o marido, o aposentado Raimundo de Souza Leite, que a acompanha há oito anos. "Vale a pena. Quanto mais caminha, mais São Francisco dá paz para a gente", completa.

No Santuário dos Franciscanos, em Juazeiro do Norte, os participantes foram recepcionados com um café da manhã oferecido por voluntários da comunidade católica local. Ao todo, foram ofertados, aproximadamente, 3 mil pães, 100 litros de café e 75 litros de chá. Mesmo debaixo de sol, filas se formaram para receber os alimentos.

Há mais de 16 anos, a dona de casa Selma Pereira é uma das voluntárias da Caminhada da Fraternidade. Ao lado de outras quatro pessoas, desde a tarde do dia 30 ela esteve na cozinha preparando o café e o chá. "Começamos ontem a preparação para ficar no jeito e começar mais cedo. Viemos ajeitar o fogão, colocar a panela no fogo. Hoje, chegamos 4h20. Fazemos isso com satisfação porque temos um amor imenso por esse povo", garante.

Dia do Trabalhador

O Frei Raimundo Barbosa, sacerdote do Santuário de São Francisco, que realizou a tradicional "bênção do trabalhador", explica que a caminhada, em sua origem, além de ter um "fundo evangélico" busca exaltar a figura do trabalhador. "As paradas acontecem para refletir. Muitas vezes, só olham a produção e não olham para a dignidade humana. Hoje, no nosso País, sabemos que as leis trabalhistas foram modificadas e alguns direitos aniquilados. A caminhada é de valorizar a pessoa", explica.

O padre Arileudo Machado torce que, a partir do próximo ano, a Caminhada da Fraternidade integre todas as paróquias do Município. "Vai ser de toda a cidade. O objetivo é fazer essa ligação existir, essa união entre as duas cidades", explica. Mesmo assim, ele admite que, ao longo dos anos, ela tem diminuído de público. "Mas, dessa vez, relaciono com o tempo. Choveu e as pessoas ficaram indecisas".

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Por que você participa?

"Acordei às 3h em busca de paz. Há quatro anos tinha vindo e resolvi vir novamente neste ano. Mas há 15 anos vim pela primeira vez. É muito cansativo, mas é muito boa"

Maria Lucineide da Silva
Agricultora

"Levantei cedo e vim porque é bom para estirar as pernas. Com a fé a gente consegue muita energia. Venho há oito anos. Meu pai São Francisco e Padre Cícero movem a fé da gente"

Raimundo de Souza Leite
Aposentado



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