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Em cerimônia para destacar ações de seu governo no período, o presidente não contou com a presença das principais lideranças do Congresso. (Foto: Agência Brasil)

Dois Anos de Gestão: Temer sob pressão da PF, em dia de balanço.

Ministro Edson Fachin vai decidir se autoriza conceder mais 60 dias para apurar suspeitas de repasse da Odebrecht.

16/05/2018

Brasília. No dia em que o presidente da República, Michel Temer (MDB-SP), fez um balanço dos dois anos de seu governo, a Polícia Federal pediu mais 60 dias para concluir o inquérito que investiga ele e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia), todos do MDB. O pedido foi enviado ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso na Corte.

Antes de decidir, Fachin deverá encaminhar o pedido para análise da Procuradoria Geral da República (PGR).

O inquérito apura o suposto de pagamento de propina pela Odebrecht na Secretaria de Aviação Civil quando a pasta foi comandada pelo MDB. Embora o inquérito tenha sido aberto em março do ano passado, Temer só foi incluído entre os investigados em março deste ano.

O caso se refere a um jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014, em que teria sido acertado o repasse de R$ 10 milhões supostamente ilícito pela Odebrecht ao MDB. O delator Cláudio Mello Filho, ex-executivo da empreiteira, disse ter participado de um jantar com Padilha, Marcelo Odebrecht e Temer para discutir o assunto. O presidente já admitiu que houve o jantar, mas sempre disse que eles não falaram de valores.

Segundo o Ministério Público, integrantes do grupo de Temer "teriam recebido recursos ilícitos da Odebrecht como contrapartida ao atendimento de interesses da empreiteira pela Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República".

Além deste inquérito, Temer é alvo de outra investigação em andamento no STF: a que apura o suposto pagamento de propina na edição do decreto dos portos. A suspeita é que, ao editar o decreto, no ano passado, Temer beneficiou a Rodrimar, que atua no porto de Santos (SP). Temer e a empresa negam.

O Tribunal de Contas da União (TCU), a propósito, julga hoje medidas para despejar do porto de Santos a empresa Pérola, do grupo Rodrimar, investigado pela Polícia Federal pelo suposto pagamento de propinas ao presidente Temer em troca de benefícios para seus terminais.

Balanço

Ontem, Temer ignorou os escândalos de corrupção durante a cerimônia no Palácio do Planalto. Ele apresentou o balanço de dois anos à frente do governo federal, destacando as reformas feitas. "Começo pela modernização da lei trabalhista, que foi uma grande conquista. Os trabalhadores tiveram todos os seus direitos preservados. Isto significa menor número de ações na justiça do trabalho", afirmou. Temer enfatizou que o desemprego parou de cair.

Sobre Segurança Pública, Temer disse que problemas extremos demandam soluções extremas. "A intervenção federal da segurança do Rio é uma resposta extrema a um problema extremo. Já houve redução do roubo de cargas e no roubo de veículos, por exemplo", completou.

Com o título "Avançamos - 2 anos de vitórias na vida de cada brasileiro", a cartilha preparada para comemorar os dois anos desde que Dilma Rousseff foi afastada trouxe em suas 32 páginas as ações feitas pelo governo, especialmente as da área econômica. Entre elas, a redução dos juros e a queda da inflação.

Nas páginas do balanço, é usado o slogan "Maio/2016 - Maio/2018 - O Brasil voltou".

Inicialmente, o governo havia escolhido o lema "O Brasil voltou, 20 anos em 2", uma referência ao programa de governo do ex-presidente Juscelino Kubitschek -50 anos em 5- que propunha uma política de governo desenvolvimentista. A interpretação ambígua do mote, em caso de omissão da vírgula, fez com que o Planalto reduzisse a frase.

A cerimônia enviou duas mensagens ao meio político: Temer será ele próprio o porta-estandarte de seu legado e, apesar de pregar boas relações com o Congresso, o distanciamento das principais lideranças políticas é patente. Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), não compareceram ao evento. Nas últimas semanas, partidos governistas como DEM, PP, PR e PSD têm tentado se desvincular do Planalto.



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