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Ex-presidente do PSDB se entregou, na tarde de ontem, após ter sido considerado "foragido"; o mandado de prisão foi expedido na terça-feira. (Foto: Folhapress)

Ex-governador de MG: Eduardo Azeredo é o 1º preso do mensalão tucano.

Depois de 20 anos dos fatos que motivaram a denúncia, o político mineiro de 69 anos começou a cumprir pena.

24/05/2018

Belo Horizonte/Brasília. O ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB), de 69 anos, se entregou à Polícia Civil, ontem, para iniciar o cumprimento de pena de 20 anos e um mês de prisão por peculato (desvio de dinheiro público) e lavagem de dinheiro. Trata-se do primeiro acusado no chamado mensalão tucano a ser preso.

A prisão ocorre 20 anos após os fatos que motivaram as acusações e 11 anos após a denúncia. Azeredo, que teve o mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça na terça, era considerado foragido e policiais passaram o dia em busca do tucano nas ruas de Belo Horizonte. Ele se entregou às 14h45, na 1ª Delegacia Distrital de BH.

Azeredo perdeu todos os recursos na Corte, inclusive os embargos de declaração julgados na terça - considerado o último recurso possível antes da prisão. O tucano sempre negou que tenha qualquer participação em irregularidades. Também ontem, o ministro Jorge Mussi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou o pedido de habeas corpus ao ex-governador.

Antes de ter sua prisão determinada, Azeredo disse confiar no habeas corpus. A peça da defesa pedia que ele permanecesse em liberdade ao menos até a publicação do acórdão do Tribunal de Justiça, para que pudesse, ao entrar com recursos no STF e no STJ, pedir o efeito suspensivo da aplicação da pena.

A defesa já informou que irão recorrer aos tribunais superiores quando o acórdão for publicado. Azeredo deve ficar em batalhão militar sem uso de algemas ou de uniforme do sistema penitenciário. O juiz destacou a necessidade de proteção do ex-governador. O magistrado determinou ainda que Azeredo pode levar suas próprias roupas, "bem como vestuário para banho e cama mínimos para sua dignidade". Já o líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC), disse "lamentar" a prisão de Azeredo. Ao ponderar o impacto da prisão de Azeredo, que governou o segundo maior colégio eleitoral do País pelo PSDB, líderes tucanos têm argumentando que ele não tinha mais atividade partidária.

Com o argumento de que Azeredo estava afastado da vida partidária, o partido nega discutir internamente a situação e tratar o assunto na comissão de ética da legenda.

Esquema

O mensalão tucano é considerado o embrião do esquema de mesmo nome relacionado ao PT e, segundo o Ministério Público, aconteceu durante a fracassada campanha de reeleição de Azeredo ao governo mineiro.

Em 2007, a Procuradoria-Geral da República denunciou ao STF 15 pessoas por um esquema de desvio de recursos estatais e empréstimos fictícios que abasteceu a campanha de Azeredo.

Além dele, se tornaram réus o publicitário Marcos Valério, que foi condenado por operar o mensalão petista, e seus sócios, o ex-senador Clésio Andrade, entre outras pessoas. Todos negam ter cometido crimes.



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