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Fluxo na BR-116 foi barrado em diversos trechos, assim como em CE's. (Foto: Fabiane de Paula)

Ceará e outros 21 estados do Brasil vivem três dias de caos.

Movimento reuniu cerca de mil caminhoneiros, de acordo com números repassados pela PRF ao longo do dia de ontem.

24/05/2018

O terceiro dia de protestos nas estradas do Ceará, a exemplo de mobilização nacional, também foi considerado o mais forte, com a participação de aproximadamente mil caminhões. Cinco pontos de bloqueio foram acompanhados pela Polícia Rodoviária Federal, com destaque para o quilômetro 70 da BR-116, na altura do município de Chorozinho, que chegou a reunir cerca de 800 veículos de carga, ocupando seis quilômetros de acostamento da via.

Outros quatro pontos da mesma rodovia federal foram parcialmente bloqueados por caminhoneiros. No quilômetro 18, no município do Eusébio, ao menos 200 veículos interditaram a via a partir das 6h. Em Russas, quilômetro 168, o ato contou inicialmente com oito caminhões, que bloquearam os dois sentidos no final da tarde. Já no quilômetro 250, em Alto Santo, a manifestação começou no início da tarde, por volta das 13h. O número de veículos não foi informado pela PRF. Mais à frente, no quilômetro 545 da BR-116, já em Penaforte, 200 caminhões permaneceram ocupando o acostamento nos dois sentidos.

Houve, ainda, trecho interrompido para o tráfego de veículos de carga no quilômetro 334 da BR-222, em Tianguá, na Ibiapaba. Na contagem de policiais rodoviários federais, cerca de 100 caminhões foram estacionados na lateral da via. Em todos os pontos, os atos foram considerados pacíficos.

No Brasil

No balanço divulgado pela Associação Brasileira dos Caminhoneiros no início da noite de ontem, foram contabilizados 270 bloqueios em rodovias de 22 estados do País. Apenas Roraima, Amazonas, Amapá, Acre e Rio Grande do Sul não registraram interdições. O movimento calcula que cerca de 400 mil caminhoneiros estavam parados. Na segunda-feira, segundo José Fonseca Lopes, essa número ainda era de 200 mil. De acordo com a Confederação Nacional do Transporte (CNT), o modal rodoviário responde por 61% das cargas transportadas no País. Outros 20,7% transitam por modal ferroviário e 13,6% por modal aquaviário.

Um dos estados com mais paralisações foi o Paraná. Na tarde de ontem, havia 95 pontos de manifestações nas rodovias. Já em Mato Grosso do Sul, caminhoneiros da Bolívia e do Paraguai contribuíram para o movimento, com 17 trechos interditados. O Distrito Federal teve prejuízo no abastecimento de combustíveis. As BRs 020, 060, 070 e 080 tiveram bloqueios que impediram o tráfego, inclusive de veículos de passeio.

"Estamos recebendo muito apoio da sociedade e a adesão de caminhoneiros é cada dia maior", garantiu o presidente da ABCam. Ao ser questionado sobre a concessão de liminares judiciais que determinam o desbloqueio das estradas, Lopes explicou que o movimento de paralisação se dá no acostamento das rodovias, sem impedir a circulação de carros. Em nota, a Advocacia Geral da União (AGU) informou já ter obtido 9 liminares que obrigam a desobstrução de rodovias federais em nove estados.

Reunião

A reunião na Casa Civil nesta quarta-feira (23) entre Abcam (Associação Brasileira de Caminhoneiros) e governo federal terminou sem acordo. O presidente Michel Temer chegou a pedir "trégua de uns dois ou três dias no máximo". A associação se encontrou com representantes da União para decidir se iria manter a greve que paralisa estradas pelo Brasil desde segunda. A reunião aconteceu às 14h. Anunciaram que estariam presentes o ministro dos Transportes, Valter Casemiro, o ministro da secretaria de governo Carlos Marun e o diretor geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Mário Rodrigues.

Com a ausência de um posicionamento objetivo do Governo, o movimento de paralisação dos caminhoneiros definiu sexta-feira (25) como prazo para que seja apresentada uma proposta de redução do preço do combustível.

Até lá, caminhões continuarão parados. Se nenhuma proposta considerada adequada for apresentada, o movimento será ampliado e motoristas prometem paralisação total a partir de sábado. A informação foi dada pelo presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, após a reunião. "Se na sexta-feira não apresentarem nada, vai parar tudo", disse em entrevista após a reunião no Palácio do Planalto.

Um impasse em relação à paralisação foi criado após o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ter cobrado de Temer a assinatura imediata de um decreto revogando a Cide para o diesel, quando o acordado com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, foi que, assim que o Congresso votasse a desoneração da folha de pagamentos de empresas, o presidente assinaria o decreto para que um gasto fosse compensado com o outro. A paralisação já provoca desabastecimento de mercadorias, combustíveis para postos de gasolina e aeroportos, circulação de transporte público, além do congestionamento em rodovias.

Ônibus

Os recentes aumentos nos combustíveis, no entanto, não devem afetar a tarifa do transporte coletivo na Capital. A informação é do presidente do Sindiônibus, Dimas Barreira. Ele afirmou que não há previsão de aumento do valor da passagem de ônibus antes da data prevista, em novembro de 2018.

"O combustível tem impacto, sim, nos nossos custos e eventualmente ele vai refletir no preço das passagens, mas não há previsão de antecipar reajuste nenhum", disse. O último aumento na tarifa de ônibus da Capital ocorreu em fevereiro deste ano, quando o valor subiu de R$ 3,20 para R$ 3,40.



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