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Titular da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que o governo está pronto para agir, sem descartar, inclusive, a utilização das Forças Armadas. (Foto: Agência Brasil)

Dos Caminhoneiros: Jungmann diz que PF pode investigar greve.

Ministro revelou ter recebido relatos sobre envolvimento de empresas de transporte no movimento.

25/05/2018

Brasília. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse, ontem, que há indícios de que a greve dos caminhoneiros seja um "locaute" (quando uma paralisação coordenada e incentivada por empresários do setor). Jungmann disse que se as informações sobre locaute forem comprovadas, o fato será investigado pela Polícia Federal.

"No momento estamos ainda coligindo informações na área de inteligência. Agora, comprovada efetivamente a participação de locaute, e como isso de fato é ilegal, não é permitido porque atenta contra a economia, evidentemente vamos ter que tomar providências. Mas primeiro tenho que checar essas informações, torná-las de fato sólidas e consolidados para então poder acionar a Polícia Federal".

Evidências

Segundo ele, as informações colhidas pelo setor de inteligência do governo indicam que a paralisação é "as duas coisas", ou seja, greve e locaute.

"É um locaute porque tem participação clara, vou te dar um exemplo de que há uma participação, anuência, apoio (de empresários). Quando foi pedida escolta da Polícia Rodoviária Federal para poder liberar caminhões-pipa, de abastecimento etc, o que acontecia? Nós mandávamos a Polícia Rodoviária Federal, mas as distribuidoras e transportadoras se negavam a fazer com que os seus motoristas guiassem aquelas cargas e aqueles caminhões", afirmou. "Não posso pegar alguém da Polícia Rodoviária Federal e fazer com que ele faça (a condução dos veículos). Eles se negavam. E isso aconteceu em várias localidades em vários momentos, então isso, para mim, caracteriza de fato uma ação coordenada entre autônomos e também efetivamente empresas de distribuição e transportadoras", mencionou.

Questionado sobre em quais localidades essas recusas dos motoristas foram registradas, Jungmann disse que "isso aconteceu em vários lugares", mas que ele precisaria checar exatamente em quais lugares.

"Mas isso me foi relatado, de vários episódios em vários lugares. Simplesmente chegava escolta da Polícia Rodoviária Federal e as distribuidoras e transportadoras se negavam a colocar o seu pessoal", afirmou.

De acordo com o ministro, esses relatos lhe foram informados ontem, mas "pode ter acontecido até outros dias, não sei".

Uso de força

Indagado sobre eventual uso de força para liberar áreas vitais, como portos, Jungmann disse que não há nenhum plano neste sentido, mas que o governo está preparado para agir.

"Não temos até aqui nenhuma solicitação para emprego de Forças Armadas. A Força Nacional está colaborando com a Polícia Rodoviária Federal, isso já está acontecendo", afirmou, acrescentando que o governo enviou 120 homens da Força Nacional para Minas Gerais.

"Agora, temos planos de contingência. Temos isso inteiramente delineado para qualquer necessidade e qualquer requisição que as autoridades venham a fazer". Pouco antes de o Planalto anunciar acordo com as entidades para suspender a paralisação, Jungmann disse que o governo buscava "trégua".

"Apostamos em uma saída negociada, é o que todos queremos. O que eu digo é: havendo necessidade, o governo, o Estado, tem plano de contingência para evidentemente desobstruir e não permitir que esta situação crítica se agudize ainda mais. Se for trégua tudo bem, não tem problema", disse Jungmann.

Negociações

Em evento na sede da Fiemg em Minas Gerais, o presidente Michel Temer anunciou o acordo com o movimento dos caminhoneiros. "Espero que até amanhã (hoje) esteja solucionado".

Temer comemorou o que chamou de vitória do diálogo e disse que houve pedidos para que usasse as forças militares. "Se fosse necessário, faríamos".

Temer destacou que desde domingo está em tratativas para solucionar a greve. Temer foi aplaudido pela plateia de empresários e industriais ao dizer que convocará secretários da Fazenda estaduais para discutir a redução do ICMS, imposto estadual, sobre os combustíveis.

EUA

Já a embaixada dos EUA no Brasil emitiu, ontem, um alerta aos viajantes americanos sobre a possibilidade de falta de combustível e comida no País. "O governo brasileiro está conduzindo tratativas para encerrar a greve, mas pode levar tempo para que os suprimentos retornem a seus níveis normais - especialmente em cidades distantes de centros de distribuição de comida e combustível", informou o órgão.



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