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O hasteamento da bandeira, momento mais esperado, desse domingo, aconteceu por volta das 17h30. Um show pirotécnico acompanhou o mastro sendo erguido. Até chegar ao largo da Igreja Matriz, cerca de 200 homens carregaram a árvore por 8KM. (Foto: Antonio Rodrigues)

Devoção e Cultura: Pau da Bandeira reúne cerca de 200 mil pessoas.

O ponto alto da celebração foi quando 200 homens conduziram o mastro de duas ton e 23m.

28/05/2018

Barbalha. De uma ponta a outra, o colorido tomou conta das ruas deste Município, no Cariri cearense, ontem, no hasteamento do Pau da Bandeira de Santo Antônio. Há três anos reconhecida como patrimônio imaterial brasileiro, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a festa reuniu cerca 200 mil pessoas na sua abertura oficial, ao longo de todo o domingo. O ponto alto da celebração foi quando aproximadamente 200 homens conduziram o mastro, pesando mais de duas toneladas e com 23 metros de comprimento. Até o dia 13 de junho, um público de 150 mil é esperado na cidade.

A movimentação começou cedo, às 7h, com a II Cavalgada Santo Antônio que saiu do Estádio Inaldão até a Igreja do Rosário. Cerca de 500 cavaleiros desfilaram nas ruas. Pouco depois, a missa com a bênção da bandeira do padroeiro foi realizada. Ainda durante a manhã, mais de 80 grupos de tradição popular se reuniram para sair em cortejo, da Igreja Matriz até a Paróquia do Rosário. Reisado, penitentes, capoeira, maneiro-pau, vaqueiros, foram algumas das manifestações apresentadas.

Nem o calor forte impediu a animação do grupo de 80 crianças que seguiu atrás do cortejo carregando o Pau da Bandeira Mirim, feito de metalon, papel panamá e papelão reforçado. Uma réplica menor do mastro oficial. Esta tradição foi criada há mais de 15 anos e, no início, era feito com uma pequena madeira enrolada no papelão. "Eles representam os futuros carregadores do Pau da Bandeira. Daqui a quatro, cinco anos, alguns já poderão carregar. Nós temos mais de 50 carregadores que surgiram daqui, com a educação patrimonial", explicar o gestor escolar e criador deste costume infantil, Diego Alves de Souza.

Protesto

Um grupo de mulheres da região do Cariri organizou uma manifestação política dentro do cortejo para lembrar os altos índices de violência na região, principalmente, em Barbalha. O Município não possui Delegacia da Mulher e está entre os números mais altos de feminicídio do Ceará. "Desde que iniciamos essa mobilização, a gente tinha nas mãos um número gritante de mulheres vítimas de todos os tipos de violência. Nas nossas reuniões, percebemos que temos de descentralizar até onde podemos chegar. Aqui o fluxo é maior, a conscientização fica mais oportuna", explicou a radialista Célia Rodrigues.

Diversidade

De tarde, as ruas ficaram completamente tomadas por milhares de pessoas. Filas enormes de carros se formaram na entrada do Centro Histórico. Três palcos, instalados no Marco Zero, no Largo da Matriz e na Praça da Estação, trouxeram shows simultaneamente. Destaque para as apresentações de Chambinho do Acordeon e Samira Show. No fim da noite, o Parque da Cidade recebeu Solange Almeida e Gabriel Diniz como principais atrações. Além disso, cada calçada na Rua do Vidéo tinha seu palco particular, além das garagens, com vários paredões de som animando as pessoas. Forró, reggae, rock, funk. Toda essa diversidade reunida.


Um grupo de vaqueiros abriu o cortejo, que contou com mais de 80 grupos culturais, de Juazeiro do Norte, Jardim e Brejo Santo. Reisado, lapinha, maneiro-pau e capoeira foram algumas das manifestações. (Foto: Antonio Rodrigues)


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