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Com a greve dos caminhoneiros, indústrias já contabilizam mais de oito dias sem receber leite. De acordo com a Faec, "tanto o segmento produtivo como o industrial estão bloqueados" no Estado do Ceará. (Foto: Honório Barbosa)

Mensagem ao Governo: PIB da pecuária do Ceará sofre perda de R$ 43,5 mi.

Expectativa do setor é diluir o prejuízo ao longo do ano para evitar um resultado mais negativo.

30/05/2018

A crise no abastecimento ocasionada pela greve dos caminhoneiros em todo o País deve ter impactos diretos no Produto Interno Bruto (PIB) da pecuária cearense que deve amargar perdas de R$ 43,5 milhões contabilizadas até ontem. De acordo com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Flávio Saboya, todos os setores foram afetados com prejuízos que ultrapassam a casa dos milhões.

"Nós temos no Estado 80% do Valor Bruto da Produção representados pelas cadeias da bovinocultura do leite, pela avicultura e pela ovinocultura. A bovinocultura representa 44% da produção total. Faz mais de oito dias que não está havendo entrega de leite à indústria. Não tem como receber e nem levar o leite para as indústrias. Tanto o segmento produtivo como o industrial estão bloqueados".

Apesar do resultado, Saboya acredita que não haverá um impacto muito negativo no PIB do setor deste ano. "Porque nós esperamos que seja uma situação de no máximo 20 dias e no universo de 360 dias o prejuízo é diluído. É evidente que a problemática individual de cada produtor é bastante séria. Mas no geral o resultado não deve ser muito impactado". Ele reitera que, neste ano, o PIB da agropecuária do Ceará será melhor do que o resultado de 2017. "Se nós imaginarmos que este ano vai ser melhor que ano passado, você não vai sentir o impacto dessa situação crítica. A gente espera que este resultado seja melhor por conta da chuva, por exemplo".

Segundo Saboya, por enquanto, não há previsão de quanto seria essa melhora no PIB, apenas que o cenário atual, mesmo com a greve dos caminhoneiros, seja de crescimento em relação aos anos anteriores. "Nós estávamos numa crise hídrica desde 2012. Neste ano, houve uma melhora desse quadro. Quando isso acontece, a gente prevê que impacte positivamente nos resultados da agricultura".


(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Interferência

O presidente da Faec diz que enviou mensagem ao Governo do Estado pedindo interferência para a resolução do problema. "Temos que resolver o problema do produtor rural que é o maior prejudicado com essa greve e fazemos um apelo ao governador Camilo Santana para que ele tome providências". O apelo da Federação chama atenção para as ações voltadas para o leite. "Louváveis e necessárias as ações desencadeadas pelo governador no sentido de garantir o funcionamento dos principais serviços e auxiliar no abastecimento de combustível na Capital e no Interior. No entanto, as atividades agropecuárias, com especialidade, aquelas que produzem produtos de grande perecibilidade, como é o caso do leite, não receberam nenhuma ação que viesse mitigar os enormes prejuízos diários causados a milhares de pequenos e médios produtores impossibilitados de entregar nas usinas o leite produzido", afirma mensagem da Faec ao governo. De acordo com o presidente da Federação, todas as cadeias produtivas do Estado estão encontrando dificuldades para escoar a produção.

Piscicultura

"A piscicultura que representa 2,6% do valor bruto da produção e a carcinicultura que representa 14,4% estão sendo afetadas diretamente porque não conseguem deslocar suas produções", afirma Flávio Saboya.

"Já o segmento de frutas, em relação à exportação, está encontrando dificuldade para deslocar seus caminhões das propriedades para o Porto do Pecém". A Cearáportos já havia informado que diariamente deixam de ser processados cerca de 26 mil toneladas de cargas no Pecém. O setor da fruticultura é um dos mais afetados, segundo Saboya.



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