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Ao analisar reajustes da gasolina, a Petrobras também está considerando os risco de ficar exposta à concorrência dos importadores. (Foto: Thiago Gadelha)

Periodicidade: Gasolina: Petrobras aceita negociar ajuste.

Estatal, no entanto, não está disposta a analisar propostas que rejeitem paridade com preços internacionais.

05/06/2018

Brasília. A Petrobras negocia alternativas para a mudança da periodicidade de reajuste dos combustíveis, mas rejeita qualquer proposta que não respeite a paridade com os preços internacionais ou que represente prejuízos para o caixa da companhia.

Esse espaço de negociação, na prática, estava ocorrendo ainda na gestão de Pedro Parente, que deixou o comando da empresa, na semana passada, depois de intenso bombardeio político e de setores da população.

A empresa já aceitou uma política de reajuste diferenciada para o diesel e que será subsidiada pela União.

O novo presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, não pretende dar um "cavalo de pau" na política de preços, de acordo com fontes ouvidas pela reportagem. Para isso, os princípios básicos que norteiam a política atual devem ser mantidos.

O principal deles é a referência de preços do mercado internacional. Os prejuízos terão de ser compensados pelo Orçamento da União, como foi feito com o óleo diesel.

Imposto

Outra preocupação da administração estatal é a garantia de que a empresa não ficará exposta à concorrência dos importadores durante o período entre um reajuste e outro.

Para isso, o governo estuda, como já adiantou o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, a definição de Imposto de Importação (II) flexível para ajustar os preços da concorrência dos importadores.

Essa proposta, no entanto, ainda não foi detalhada porque é muito complexa e de difícil operação técnica em momentos de mercado com preços em alta.

Política de subsídios

Apesar das negociações, o governo enfrenta a dificuldade de bancar a política de subsídios por conta do impacto nas contas públicas. O subsídio do diesel no valor de R$ 13,5 bilhões deixou as contas no limite, com o governo cancelando até mesmo despesas na área social.

Reunião

Nessa segunda-feira (4), a reunião de representantes da empresa e do governo no Ministério da Fazenda teve como principal objetivo a definição do novo decreto a ser editado para prorrogar o subsídio para o óleo diesel, cujo prazo terminaria no próximo dia 7.

Opinião

Fim dos 60 dias preocupa o mercado

Acho isso um absurdo muito grande. Em um momento de crise de abastecimento, ainda se fala de criar imposto incidente sobre combustíveis. Entendo que é preciso ser feito uma análise mais profunda da formação de preços e fazer justamente o contrário, reduzir a carga tributária. Eu vejo uma grande probabilidade que voltem a discutir o imposto único e seria extremamente benefício a cadeia de abastecimento.

Já tivemos isso há 30 anos e funcionava muito bem para a cadeia de combustíveis. Mas a nossa preocupação está exatamente no fim dos 60 dias do decreto presidencial que diminui a carga tributária. O governo Vai ter que estudar medidas paliativas nesse tempo que ainda resta, para que sejam mantidas as condições de absorção pelo mercado consumidor pela política de preços pela Petrobras. No fim, no frigir dos ovos, essa decisão definitiva deve escorregar, se tudo correr bem, para 2019.

Bruno Lughetti
Consultor em Petróleo e Gás



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