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Até a manhã desta terça (5), a Polícia Militar tinha registrado cerca de 30 ocorrências em 18 cidades de Minas Gerais. (Foto: Divulgação / Corpo de Bombeiros MG)

Incêndios: PCC comanda ataques em MG e RN e deixa outros estados em alerta.

A ligação entre as ações é investigada devido a um áudio que circulou no Whatsapp no qual um suposto preso do RN, membro da facção paulista, ordena as ações em Minas.

05/06/2018

Os estados de Minas Gerais e Rio Grande do Norte têm sido alvo de ataques criminosos desde o último domingo (3). Áudios que circulam em grupos de mensagens indicam que as ações teriam sido orquestradas por membros do grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC). A Polícia investiga a possível ligação entre os ataques. Outros estados também estariam na mira dos criminosos e estão atentos a eventuais novos ataques.

Minas Gerais registrou ao menos quatro ataques nos municípios de Varginha, Três Pontas e Itajubá, entre a noite de segunda-feira (4) e a madrugada desta terça (5). Os alvos desta vez foram um carro do sistema carcerário, o veículo de agente penitenciário e dois ônibus. Não houve feridos.

Por volta da 0h, criminosos atearam fogo no carro de um agente penitenciário estacionado em frente a uma casa na rua Rio de Janeiro, no bairro Padre Vitor. Nenhum suspeito foi preso.

Em Varginha, um grupo invadiu uma oficina mecânica e incendiou um veículo do sistema carcerário que estava no local para conserto, por volta das 22h30. Segundo a Polícia Militar, o carro ficou destruído.

Após buscas na região, os policiais prenderam dois adultos e apreenderam cinco adolescentes. Eles foram levados à delegacia de plantão da cidade.

Ao menos dois ônibus foram incendiados nos bairros de Canaã e Rebourgeon, em Itajubá, por volta das 20h. Nas ações, os criminosos obrigaram todos a desembarcar dos veículos e atearam fogo. Ninguém foi preso.

Segundo o major Flávio Santiago, porta voz da Polícia Militar, os ataques não foram especificamente direcionados a Minas Gerais e podem ter ligação com ações no Rio Grande do Norte e São Paulo.

"Parece-nos que em parte houve orquestração de facção criminosa, mas não podemos determinar isso. É a investigação quem vai dizer. Circularam vários áudios na internet determinando uma possibilidade de ligações com facções criminosas", disse o major.

Até a manhã desta terça (5), a Polícia Militar tinha registrado cerca de 30 ocorrências em 18 cidades de Minas. Os alvos foram ao menos 25 ônibus, dois carros, uma delegacia, duas agências bancárias e um caixa eletrônico.

As ações criminosas ocorreram nas cidades de Itajubá, Brazópolis, Monte Santo de Minas, Lagoa da Prata, Passos, Guaxupé, Alfenas, Poços de Caldas, Uberaba, Uberlândia, Pouso Alegre, Cruzília, Varginha, Três Corações, Araxá, Santa Luzia, Uberaba e Belo Horizonte.

Sistema Prisional

A ligação dos ataques com presos do Rio Grande do Norte é investigada devido a um áudio que circulou no Whatsapp no qual um suposto preso do estado, membro da facção paulista PCC, ordena as ações em Minas.

Minas não tem facções próprias, mas abriga presos de organizações criminosas do Rio e de São Paulo, ainda que eles não sejam dominantes no sistema prisional do estado. No entanto, a maior parte dos ataques foi direcionada ao sul de Minas e ao Triângulo, regiões de maior proximidade com São Paulo e, portanto, de mais detentos ligados ao PCC.

Segundo o advogado criminalista Fábio Piló, presidente da Comissão de Assuntos Carcerários da OAB-MG, as ações podem ter ocorrido para denunciar a falência do sistema prisional em Minas ou para tirar o foco da polícia enquanto outros crimes são cometidos.

A população carcerária é de 71.433 presos segundo a Secretaria estadual de Administração Prisional. Porém, o número de vagas nas 200 unidades prisionais de Minas é de 35.886.

"As unidades prisionais não funcionam e são extremamente superlotadas. O índice de reincidência dos presos é de 80%. E somado a isso tem a falta de agentes, o que aumenta o caos. E não houve investimento no sistema prisional nos últimos quatro anos. É uma bola de neve", diz Piló.

A criminalidade, contudo, tem diminuído no estado. No primeiro trimestre deste ano, houve uma queda de 23% no número de vítimas de homicídio. A Secretaria estadual de Segurança pública registrou 1.091 assassinatos entre janeiro e março de 2017 contra 840 no mesmo período deste ano.

Entre os crimes violentos, que incluem homicídios, estupros, sequestros e roubos, a queda foi de quase 30% no período.

Em nota conjunta, as polícias civil e militar, os bombeiros e as secretarias de segurança e administração prisional informaram que atuam de forma integrada para esclarecer as motivações dos ataques e punir os responsáveis. Também foram acionados a Polícia Federal e o Gabinete Militar do Governador.



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