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Governador Camilo Santana e o senador Eunício Oliveira, ontem, no Centro de Eventos, em Fortaleza, tentaram minimizar a entrevista de Cid. (Foto: José Leomar)

MDB Fora da Coligação: Camilo e Eunício evitam discutir a posição de Cid.

Afirmação do ex-governador sobre ser candidato a senador sem Eunício na chapa oficial foi o tema do dia.

05/06/2018

As declarações do ex-governador Cid Gomes ao Diário do Nordeste, desautorizando uma coligação do seu grupo político com o MDB do senador Eunício Oliveira, estiveram no centro das discussões políticas de ontem. O governador Camilo Santana e o senador Eunício Oliveira não quiseram fazer comentários. Para o primeiro, as negociações sobre alianças só ficarão encerradas em julho, quando das convenções partidárias. Eunício disse que não falava sobre especulações, minimizando a questão.

Cid, na entrevista concedida à jornalista Letícia Lima, da equipe de Política deste jornal, pela primeira vez admitiu que só disputaria mandato nas eleições deste ano se fosse de senador, e que a coligação do governador Camilo Santana só deveria ter um candidato ao Senado, portanto, sem coligação com o MDB de Eunício, candidato à reeleição, para evitar prejuízos à candidatura a presidente de Ciro Gomes, um dos mais críticos ao comportamento do MDB e de alguns dos seus integrantes.

Na manhã de ontem, durante a abertura do Seminário "Prefeitos Ceará 2018: Governança e Transparência", o governador Camilo Santana e o presidente do Congresso Nacional tentaram evitar comentar as declarações de Cid. Enquanto o chefe do Executivo disse que Cid terá importância no processo de discussão de aliança, o senador Eunício Oliveira pareceu mais preocupado com o que declarou o ex-governador no domingo passado, durante missa em celebração aos 50 anos do governador Camilo Santana.

Surpreendido

Para o governador, atualmente cada partido está iniciando suas discussões internas, discutindo coligações, o que só deve ser consolidado no prazo estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "As alianças serão avaliadas nos prazos eleitorais", repetiu diversas vezes o petista, quando questionado sobre a fala do seu antecessor e correligionário. Ele aproveitou para tecer mais elogios a Eunício Oliveira, afirmando que o senador tem sido "um grande parceiro", abrindo as portas de seu gabinete em Brasília para o Estado e todos os municípios cearenses.

Já Eunício Oliveira duvidou das declarações de Cid Gomes, até porque tais falas do ex-governador vão de encontro, segundo ele, a diálogo que teria ocorrido entre as duas lideranças políticas anteriormente. "Não vi nenhuma declaração nesse sentido. Não preciso tecer comentário sobre qualquer especulação que as pessoas querem fazer".

E prosseguiu: "Hoje (segunda-feira), pela manhã, eu fui surpreendido com vários jornais do Sul que implantaram informações dizendo que fomos até proibidos de sentar no mesmo banco (no aniversário de Camilo Santana, no domingo passado). Nem eram bancos, eram cadeiras".

O senador, realmente, não viu e nem ouviu quando Cid deu a entrevista. Os dois estavam no mesmo ambiente, mas distantes um do outro. Sequer trocaram cumprimentos, e saíram da cerimônia por caminhos diferentes.

Eunício, como se combinado com Camilo Santana, repetiu a frase do governador, dizendo que é preciso aguardar as convenções. "É preciso que a gente tenha paciência e aguarde os acontecimentos. Essa aliança, do ponto de vista da forma, das lideranças, vai ser construída até dia 5 de agosto", apontou.

Absorver

"Estamos conversando sobre isso. As coligações serão feitas dentro dos interesses partidários, isso é mais que natural. Mas é preciso ter paciência, é preciso que a gente pense antes de falar. Não podemos absorver aquilo que os outros querem que a gente absorva", disparou. Presidente em exercício do MDB no Ceará, Gaudêncio Lucena se limitou a dizer que desconhece as declarações de Cid Gomes, ressaltando ainda que ouviu do ex-governador que ele seria grato caso Eunício votasse em Ciro Gomes para presidente.

O chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Nelson Martins (PT), defendeu que se amplie uma aliança em torno do nome do governador Camilo, possivelmente, inclusive, com a participação do MDB e do senador Eunício Oliveira no processo.

"Não há contradição em se ter o MDB na aliança. Já ouvi o Eunício dizendo que aceita apoiar o Ciro, se o Lula não for candidato. Temos que trabalhar na aliança do governador de forma ampla, inclusive, envolvendo o MDB", disse. Questionado se o PT já aceita tal ideia, o secretário afirmou apenas que isso deve ser discutido e aprofundado na sua própria sigla.

Votaria

Até o deputado comunista Chico Lopes, que por diversas vezes criticou o MDB, disse que o desejo do ex-governador Cid Gomes em não querer coligação é um pensamento pessoal, mas que não reflete o anseio da maioria dos aliados. Lopes é defensor de aliança com a sigla emedebista, inclusive, afirmando que votaria em Eunício Oliveira.

"O MDB teve papel importante durante a ditadura, eles têm a maneira deles de visualizar as coisas. Mas isso não significa que queremos cada um para o seu lado, porque quem perde é o País. Podemos discutir o apoio ao Eunício, porque tudo na política se discute", disse ele com relação ao posicionamento do seu partido, o PCdoB, apesar da questão nacional, em que o presidente Temer é criticado por ele.

O presidente do PDT no Ceará, deputado federal André Figueiredo, afirmou que tudo ainda está meio confuso, e que definida mesmo só há a candidatura do governador Camilo Santana à reeleição e de Ciro Gomes no plano nacional. O deputado Osmar Baquit (PDT), por sua vez, afirmou que, nas falas de Cid Gomes, ele não disse que não votaria em Eunício, mas deixou margem para um eventual apoio não declarado ao MDB.

"Ele não tem coligação formal, porque se ele defende só um nome do PDT, e a outra vaga? Se o PDT não lança outra vaga, está lançando o Eunício", avalia Baquit. Sérgio Aguiar (PDT) também é adepto da teoria de "coligação branca", até porque, segundo ele, muitos da base governista têm esse compromisso com o senador.

"Esta fórmula já ocorreu em 2002 quando da eleição da senadora Patrícia Saboya, então filiada ao PPS. Ela teve o apoio informal da chapa que tinha Lúcio Alcântara como governador do PSDB. Então, acredito que o apoio político voltado aos interesses do Ceará acontecerá dessa forma", disse.



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