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Comportas em fase de conclusão, no Município de Salgueiro, em Pernambuco. (Foto: Antonio Rodrigues)

Trabalho Retomado: Obras da Transposição ficaram paralisadas durante cinco dias.

Com salários atrasados, funcionários do Emsa-Siton bloquearam a entrada do canteiro de obras, em Penaforte.

11/06/2018

Penaforte (CE)/Salgueiro (PE). Na última terça-feira (5), o ministro da Integração Nacional, Pádua Andrade, em audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR), realizada no Senado Federal, garantiu que as águas do Projeto de Integração do Rio São Francisco (Pisf) já beneficiariam o Ceará em agosto deste ano. Enquanto isso, em Penaforte, chegava ao fim o protesto de ex-funcionários do consórcio anteriormente responsável pela obra - Emsa-Siton - e de empresas terceirizadas, que começou no dia 1º de junho. Com salários atrasados, eles bloquearam a entrada do canteiro de obras, no Município cearense, por cinco dias.

Uma das empresas terceirizadas foi contratada pela Emsa-Siton para fazer serviços de terraplanagem. Segundo um ex-funcionário, o seu patrão alegou que não recebeu o pagamento da antiga construtora em dinheiro, mas em equipamentos. Por isso, não pôde pagá-los. Após o protesto, parte deles recebeu a remuneração atrasada.

O restante promete realizar novos protestos. "A situação é complicada. Estou devendo aluguel, mercado", lamentou. Durante os cinco dias de protesto, nenhum veículo chegava ou saía do canteiro de obras. Inclusive aquele que conduzia a alimentação dos funcionários que estão executando a obra foi interceptado pelos manifestantes.

A invasão ao canteiro de obras foi registrada em Boletim de Ocorrência (BO), pelo Ministério da Integração Nacional, que confirmou que os trabalhadores foram impedidos de exercer suas atividades, porque as vias de acesso às estruturas estavam interditadas. A Pasta também entrou com um pedido judicial de proteção ao patrimônio da União e reintegração de posse das áreas invadidas, que foi imediatamente deferido pela Justiça Federal.

Em nota, o Ministério da Integração afirma que as medidas tomadas tiveram como objetivo assegurar o cumprimento do cronograma de obras do Eixo Norte do Projeto de Transposição do Rio São Francisco. No entanto, ressalta que os profissionais e fornecedores que atuam ou atuaram na execução das obras do Pisf são contratados diretamente pelas construtoras, que são responsáveis pelo pagamento de salários e direitos de cada trabalhador.

Equipes técnicas do Ministério se reuniram na última terça-feira (5), em Salgueiro (PE), com representantes dos ex-funcionários da Consórcio Emsa-Siton, para explicar as responsabilidades sobre os pagamentos e receber as demandas do grupo. No mesmo dia, as atividades nos canteiros de obras do Projeto de Transposição do São Francisco voltaram ao ritmo normal.

Outros impasses

Mas essa não é a primeira vez que os consórcios responsáveis pela Meta 1N causam problemas com a população dos municípios por onde passa a obra. Em junho de 2016, a Mendes Júnior comunicou sua incapacidade técnica e financeira em executar os seus dois contratos e deixou dívidas milionárias com fornecedores de alimentos, aluguel de veículos, empresários do ramo de hospedagem, entre outros serviços. O grupo cobrava cerca de R$ 24 milhões. A Emsa-Siton, assim que assumiu, se envolveu numa polêmica depois que foram achados milhares de currículos queimados próximo ao canteiro de obras.

Andamento

O Eixo Norte, com 96% das obras finalizadas, pretende garantir o abastecimento de mais de 7 milhões de pessoas, em 223 municípios nos estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Hoje, já reforça o abastecimento de mais de 12 mil pessoas em Terra Nova e na zona rural de Cabrobó, em Pernambuco. A Meta 1N, que possui 140 quilômetros de extensão, levará água ao território cearense, a partir de Penaforte. Segundo o ministro Pádua Andrade, as equipes técnicas estão se revezando na fiscalização em tempo integral.

"Nos trechos mais complexos, a exemplo do Túnel Milagres e da terceira estação de bombeamento - a EBI 3, os trabalhos estão acontecendo durante 24 horas. Estamos priorizando o caminho das águas, pois nossa meta é cumprir os prazos para beneficiar a população o mais breve possível", disse Pádua Andrade, no Senado Federal, na última terça-feira (5). As demais etapas (2N e 3N) estão praticamente concluídas.

A EBI-3, citada pelo ministro, é a maior estação elevatória dos dois eixos - Norte e Leste - do Projeto São Francisco. A estrutura possui 90 metros de altura e bombeará volume de água equivalente a uma piscina olímpica por segundo. A expectativa é que as bombas sejam acionadas até o fim deste mês. O equipamento está localizado no município de Salgueiro (PE), onde as obras estão mais avançadas. Inclusive, a ponte sobre a BR-116, no mesmo município pernambucano, pode ser concluída até o dia 20 de junho.

No entanto, no canteiro central de Penaforte, a equipe do Diário do Nordeste flagrou seis funcionários deitados, em horário de trabalho. Mas isso acontece porque está faltando equipamentos para estes trabalhadores, na maioria motoristas. Um dos funcionários conta que estão aguardando chegar mais 40 máquinas, na próxima semana. Ainda há muitos caminhões parados da Emsa-Siton por lá.

Segundo as informações do Ministério da Integração Nacional, a Meta 1N está com 1.500 trabalhadores. A expectativa é de que, até o fim deste mês, esse número seja de 3.000 profissionais. Durante a última semana, muitos homens estiveram na porta do canteiro de obras, esperando serem chamados para assinar contrato, mas, até agora, nada. O número de pessoas aguardando diminuiu e, na última sexta-feira (8), apenas três ainda mantinham a esperança de serem "fichados".

"Se essa daí não terminar, pode botar o Exército", garante um deles, que já trabalhou em quatro empresas diferentes no Pisf. Aproximadamente, metade dos antigos funcionários da Emsa-Siton permanecem na obra.



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