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Fernando Henrique, ex-presidente da República, também foi questionado sobre encontros com empresários e pagamentos recebidos por palestras. (Foto: Agência Brasil)

FHC: Presidente não pode ou não tem como saber tudo.

Testemunha de defesa do ex-presidente Lula, tucano falou ainda sobre dever do chefe do Executivo de "ouvir".

12/06/2018

São Paulo. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso depôs, ontem, como testemunha de Lula no processo que investiga a propriedade do sítio de Atibaia (SP). O tucano foi ouvido por videoconferência ao juiz federal Sérgio Moro.

FHC disse que o presidente da República não tem condições de saber de tudo. “Existe degraus de distância de responsabilidade. O presidente é responsável por quem nomeou. Depois lá dentro você não tem nem tempo de saber, agora no Brasil as pessoas pensam que o presidente pode tudo e saber de tudo”.

FHC afirmou que um presidente deve ouvir “malandros” no exercício do cargo. A declaração foi realizada enquanto o tucano contava sobre as audiências que tinha, enquanto presidente, com políticos e empresários. Segundo o tucano, ele conversou não apenas com empresários, mas com líderes sindicais e religiosos durante seu mandato.

Palestras

FHC, então, relembrou um episódio que viveu quando ainda estava na Universidade de São Paulo para justificar que não se pode “discriminar” malandros.

“Mesmo o malandro, você sabe que ele é malandro, você não vai entrar na malandragem dele. Você tem que ver da malandragem dele, o que ele quer”, afirmou o ex-presidente. FHC foi questionado sobre como recebe por palestras e como presta contas. Ele disse que é “tudo declarado e normal”. “Deus me livre que não seja”, comentou o tucano.

Fernando Morais

Também ontem, Moro negou a palavra ao escritor Fernando Gomes de Morais em audiência do processo sobre o sítio de Atibaia.

“O senhor responde as perguntas que forem feitas”, disse Moro. Morais foi também ouvido, por videoconferência, na condição de testemunha de defesa de Lula. A pedido da defesa do ex-presidente, Morais descreveu um encontro entre Lula e o cantor Bono Vox, em Londres.

Moro questionou qual era a relevância do episódio para o processo, e a defesa de Lula rebateu afirmando que diz respeito à reputação do acusado.

O juiz disse, então, que “a defesa pode divulgar as questões meritórias fora do processo”. Ainda conforme Moro, a questão não tem relevância para o caso analisado e que “o processo não deve ser utilizado para este tipo de propaganda”. Morais disse que repudiava o termo propaganda usado pelo juiz.

Fachin

Já o ministro Edson Fachin, do STF, decidiu ouvir primeiramente a Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de decidir sobre o pedido da defesa de Lula de suspender sua prisão.

A defesa do ex-presidente, preso há mais de dois meses, entrou no início deste mês com um novo pedido de liberdade no STF e no STJ. A petição é para que as Cortes suspendam os efeitos da condenação no caso do tríplex no Guarujá (SP). “O nosso cliente está sofrendo uma injustiça e uma prisão que se diz confortável, mas nunca é confortável uma prisão em solitária como ele está. E injusta”, disse o advogado de Lula, Sepúlveda Pertence, depois de audiência com Fachin, ontem.



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