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(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Caso Eduardo Cunha: PF atribui obstrução de Justiça a Michel Temer.

Relatório dedicou um capítulo à compra de silêncio de Cunha no episódio da frase "tem de manter isso, viu?".

14/06/2018

Brasília. Sem poder indiciar o presidente Michel Temer em inquérito sobre fraudes na Caixa, a Polícia Federal atribuiu ao presidente "indícios suficientes" de ação na suposta compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ).

Relatório da Operação "Cui Bono?", que mira desvios na Caixa, dedica um capítulo somente para a suposta compra do silêncio de Cunha e do delator Lúcio Funaro por Temer. O emedebista é apenas citado, ele não está entre os indiciados porque detém foro privilegiado.

O documento de conclusão do inquérito sobre fraudes no banco público indicia 16 pessoas, entre elas Cunha, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, Funaro e executivos dos grupos empresariais envolvidos.

A PF se refere ao dia 7 de março, em que Temer foi gravado em encontro fora da agenda por Joesley Batista, do grupo J&F. Na conversa, o delator narrou ao presidente a suposta ajuda financeira a Eduardo Cunha e a Lúcio Funaro com o fim de que não firmassem acordos de colaboração com as autoridades.

Em delação premiada, o executivo afirmou ter feito pagamentos de R$ 5 milhões após a prisão de Eduardo Cunha como saldo da propina de R$ 20 milhões pela relacionada à desoneração tributária do setor do frango. Também narrou pagamentos mensais de R$ 400 mil em benefício de Funaro. Ele relata que Temer tinha ciência disso.Ao ouvir de Joesley sobre os pagamentos, o presidente teria dito: "Tem que manter isso, viu?"

Temer foi denunciado duas vezes pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. As denúncias foram enterradas por votações da Câmara, em 2017.

Ex-ministro

A PF apontou em seu relatório final da Operação "Cui Bono?" indícios de que o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB-BA) recebeu R$ 16 milhões em propina para influenciar a liberação de recursos da vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa. No mesmo documento, o delegado Marlon Cajado também cita que Cunha foi o destinatário de entregas de R$ 89 milhões.

A reportagem entrou em contato com a assessoria do Palácio do Planalto, mas ainda não obteve retorno. Em nota, o advogado Délio Lins e Silva Júnior, que defende Cunha, disse que aguardam para eventual manifestação sobre o documento. O advogado Gamil Foppel, da defesa de Geddel, não respondeu.

A defesa de Joesley reafirma que ele é colaborador da Justiça e que isso foi essencial, "trazendo celeridade e eficácia a esta investigação criminal", motivo pelo qual ele recebeu benefícios da colaboração premiada.



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