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Acrísio Sena, presidente municipal do PT, diz que é falsa a polêmica sobre a participação de Ciro, candidato do PDT, no palanque de Camilo. (Foto: José Leomar)

Sucessão Estadual: Dirigente municipal do PT critica manifestações.

A posição da direção nacional do PT, quanto às alianças estaduais, ainda motiva divergências entre alguns filiados.

14/06/2018

O vereador Acrísio Sena (PT), presidente do partido na Capital, disse ontem, na Câmara Municipal de Fortaleza, que é uma falsa polêmica o debate sobre o governador Camilo Santana (PT) ter em seu palanque o ex-governador e presidenciável Ciro Gomes (PDT) enquanto seu partido tem seu próprio postulante ao Palácio do Planalto, o ex-presidente Lula da Silva, que cumpre mais de 12 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

"Se temos dois candidatos a presidente que estão muito bem avaliados no Estado do Ceará, qual a dificuldade de trabalhar esses palanques em comum acordo? Nenhum, exceto na cabeça de certos dirigentes partidários", declarou, sem citar nomes. De acordo com o vereador, a postura encontra apoio amplo dentro de sua agremiação. O petista afirmou que tanto Lula quanto Ciro fazem parte do mesmo campo político, e suas candidaturas com certeza estarão lado a lado no segundo turno da eleição.

Reeleição

Para Acrísio, o governador deve ser parabenizado por ter conseguido agregar um arco de mais de 20 legendas em torno da sua campanha de reeleição. Entretanto, com uma coligação tão extensa, é preciso ter flexibilidade. "Como vamos, com o arco de aliança que temos, permitir que qualquer partido - seja o meu PT, seja o PDT - queira palanque exclusivo"?, questionou. Para ele, a sigla não pode desenhar estratégia eleitoral que se torne uma "camisa de força" para governadores que buscam a reeleição, em especial os do Nordeste - na Região, além do Ceará, o PT governa Bahia e Piauí.

De acordo com Acrísio, é digna de celebração a quantidade de candidaturas à esquerda. "Quanto mais palanques nesse campo democrático-popular, de defesa da democracia, antagônico do projeto dilapidador neoliberal, mais nós vamos comemorar", enfatizou.

Apesar disso, em entrevista, o parlamentar afirmou, como já havia feito na tribuna anteriormente, que a esquerda e a centro-esquerda deveriam lançar uma candidatura única, declarando ainda que, até a formalização das candidaturas, ainda há "muito chão para ser percorrido".

Na opinião do vereador, entretanto, caso seu desejo não se concretize, será preciso "maturidade e grandeza para entender essa conformação regional que foi construída pelo governador". Para ele, Camilo é beneficiado pelos diversos palanques. "Seria o sonho de consumo de muitos governadores ter palanques presidenciáveis fortes em seus Estados como tem o governador Camilo Santana", disse.

Nome forte

Na avaliação do petista, os partidos aliados que lançarem candidatos a presidente devem ter a liberdade para, em seus materiais, associarem a imagem de Camilo a de seus postulantes ao Planalto. Na avaliação de Acrísio, isso não fragmentaria o voto presidencial no Ceará. O vereador afirma que são os adversários do PT que estão tendo problemas com palanques, por não conseguirem apresentar um nome forte para a disputa eleitoral.

"A gente vê a dificuldade para eles definirem uma candidatura entre (o deputado federal Jair) Bolsonaro (PSL) e (o ex-governador de São Paulo Geraldo) Alckmin (PSDB). A situação é muito mais tranquila no lado da centro-esquerda", avaliou o petista, um dos mais próximos a Camilo.

Ontem, na Assembleia, o deputado Moisés Braz, no exercício da presidência do diretório estadual do PT, questionou a manchete da matéria do Diário do Nordeste, que dizia: "Governador tem apoio para votar no nome do PDT". Segundo o deputado, "embora fiel ao que mencionei na entrevista, o texto da matéria não condiz com o título e a matéria sugerem".

A entrevista com o deputado foi sobre a decisão da direção nacional da sua agremiação de não permitir coligação, nos Estados, com partidos que tenham candidato a presidente, como é o caso do PDT cearense, principal aliado do governador. Moisés garantiu que Camilo terá legenda, pois sua postulação a um segundo mandato é prioridade do partido no Ceará.

Ontem, o jornal Estado de S. Paulo, na mesma linha, publicava matéria sobre a posição do governador da Bahia, Rui Costa, se negando a fazer coligação com o PSB que quer indicar um candidato a senador na sua chapa; no caso, a senadora Lídice da Mata, interessada em continuar como senadora.

Agradar

Na mesma sessão de ontem da Assembleia, o deputado Roberto Mesquita (PROS) criticou a reunião de vários partidos - cerca de 24 -, com ideologias diferentes, na base de sustentação do Governo Camilo Santana. "Não tem coragem de dizer que é do PT, que é vermelho, não tem coragem de dizer que é bico grande, que é tucano, e, ao mesmo tempo, quer agradar a Deus e ao diabo", afirmou.

Mesquita criticou, ainda, a mudança de "lado" de partidos que outrora estavam na oposição e, agora, são aliados do governo estadual. "Se o senhor (Camilo Santana) saísse do Governo, hoje, o senhor não tinha um deputado para lhe defender", disse, referindo-se à fragilidade das adesões com interesses apenas em benefícios do Governo.



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