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O Lajedo de Pai Mateus impressiona pelas grandiosas formações rochosas. No local, é possível visitar uma pedra em forma de capacete. Os participantes do projeto contemplaram o por-do-sol no local Cabaceiras é conhecida por ser o cenário de filmes, rendendo-lhe o título de 'Roliúde Nordestina', devido à quantidade de produções gravadas na cidade. Contabiliza mais de 30 produções, como "O Auto da Compadecida". (Foto: Jari Vieira)

Viagem Pelo Nordeste: Projeto Pau de Arara registra as belezas do sertão.

Em sua 12º edição, o projeto foi até Cabaceiras (PB), conhecida como a "Roliúde Nordestina".

18/06/2018

Cabaceiras (PB). Inúmeras são as belezas do sertão nordestino: paisagens cinematográficas, caatinga, fauna e flora, festas populares e, o principal, seu povo e sua história. A fim de documentar as maravilhas do local, o professor Jari Vieira, coordenador do Projeto Pau de Arara, leva, desde 2002, alunos da Universidade de Fortaleza (Unifor) para registrar as belezas do Nordeste.

Em quase quinze anos de imersão cultural, os alunos já conhecerem mais de 14 municípios e quatro estados. Em sua 12º edição, o Pau de Arara foi a Cabaceiras, em pleno Semiárido paraibano, para conhecer a "Roliúde Nordestina", no interior da Paraíba. Com apenas 5 mil habitantes, a cidade fica a cerca de 640Km de Fortaleza.

O projeto é uma iniciativa da Vice-Reitoria de Extensão da Unifor, por meio do Centro de Ciências da Comunicação e Gestão (CCG), do qual fazem parte os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. A iniciativa tem como objetivo estimular o contato dos estudantes com a cultura local por meio da produção de fotografias e vídeos documentais. Nesta edição, participaram 50 pessoas, divididas entre alunos, professores e técnicos.

Cenários de cinema

No primeiro dia de viagem os participantes conheceram a Arteza - Curtume Coletivo Miguel de Souza Meire, no Distrito da Ribeira, a cerca de 16Km de Cabaceiras. Durante a passagem, puderam presenciar o processo de curtimento dos semiacabados couros de bode e de boi. Os produtores apresentaram o método usado para a eliminação do mau cheiro das peles dos animais, tratadas e transformadas em peças de artesanato, reconhecidas nacionalmente pela qualidade do produto.

De volta a Cabaceiras, os alunos visitaram o Centro da cidade. As praças estavam enfeitadas para a popular festa do Bode Rei, que há 20 anos reúne visitantes. Cabaceiras é conhecida por ser o cenário preferido dos diretores brasileiros, rendendo-lhe o título de "Roliúde Nordestina", devido à quantidade de produções cinematográficas que já foram gravadas na cidade. Entre documentários, filmes, novelas e longas-metragens, a região contabiliza mais de 30 produções, entre os quais está "O Auto da Compadecida" e a série global "Onde Nascem os Fortes".

Os estudantes também visitaram as casas coloridas construídas em pleno século XVIII, o Museu Cinematográfico e os locais que foram palco para a gravação de filmes, como a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade, que abrigou algumas das cenas de "O Auto da Compadecida", além de conhecerem o popular letreiro com o apelido da cidade, que virou atração turística. No passeio, os estudantes ouviram histórias de moradores dos tempos em que a cidade vira estúdio para gravações, o que faz com que boa parte deles já tenha atuado como figurante nas produções.

Um dos mais populares moradores da cidade é o senhor Zé de Cila, apelido de José Nunes. Dono de uma loja na Praça Principal de Cabaceiras, ficou conhecido por ser dublê de Padre João, interpretado por Rogério Cardoso, no "Auto da Compadecida". Quem entra na loja de Zé de Cila embarca em uma viagem pela sua história e de Cabaceiras. "Tenho aqui no balcão inúmeras entrevistas e matérias que vieram fazer comigo, tenho até uma declaração de ator que veio de Brasília", conta alegremente.


O Lajedode Pai Mateus impressiona pelas grandiosas formações rochosas.No local,é possível visitar uma pedra em forma de capacete.Os participantes do projeto contemplaram o pôr do sol no local. (Foto: Jari Vieira)

Monumentos naturais

No segundo dia de documentação fotográfica, os estudantes foram conhecer os mais ricos monumentos naturais de Cabaceiras: Saca de Lã e o Lajedo de Pai Mateus. Os dois já serviram de locações para filmes, a paisagem cinematográfica encanta os visitantes e reflete a riqueza que os moradores do sertão paraibano possuem.

Saca de Lã, recebeu esse nome devido à lembrança de pacotes de algodão empilhados, em Campina Grande, quando a cidade era um dos maiores exportadores do mundo. A monumental vista faz surgir olhares impressionantes e cliques perfeitos.

Já o Lajedo de Pai Mateus impressiona pelas grandiosas formações rochosas. O local tem esse nome por conta de uma lenda popular do curandeiro Pai Mateus, que teria morado em uma das pedras, sendo considerado pelos moradores uma personalidade sagrada.

No local, também é possível achar uma pedra em forma de capacete, muito interessante devido ao seu formato. Os participantes do projeto viram o por-do-sol no local, seguindo para o Centro de Cabaceiras, em uma trilha sob o céu estrelado, coisa difícil de ver nos centros movimentados das grandes cidades.

Idealizador do projeto, o professor Jari Vieira, destaca que Cabaceiras tem algo diferente, o que a faz tão rica. "As pessoas são apaixonadas pela sua terra, onde você chega, há uma valorização forte da cultura popular. Todo mundo faz questão de ressaltar as belezas do lugar, da caatinga, e mostrar para quem chega como aqui é rico".

Para ele, o projeto é a chance de os alunos saírem da rotina e viverem algo intenso. "Não importa o tempo que as coisas durem, mas sim a intensidade com que elas aconteçam. O projeto é uma coisa intensa, em apenas dois dias, os alunos viveram coisas incríveis da cultural local, que ficaram para sempre na cabeça de cada um, o que faz com que formemos na estrada uma família", destaca. Essa foi a primeira vez que o projeto foi à Paraíba.

Os estudantes participantes se identificam com muitas paisagens e histórias. Para a aluna Brenda Menezes, estudante do 7º semestre de Publicidade e Propaganda da Unifor, a viagem foi uma imersão dentro da própria história. "Essa já é minha terceira vez no Pau de Arara. Para mim, é um mergulhar dentro de nós mesmos, nordestinos. Quem vivencia todo o projeto sabe o quão gratificante é poder estar em outros estados conhecendo a cultura local", ressalta.



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