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Laurence Casagrande Lourenço, que presidiu a Dersa, estatal paulista responsável por obras rodoviárias, foi preso por suspeita de desvios. (Foto: Governo de SP)

"Pedra no Caminho": Ex-secretário de Alckmin é detido em operação da PF.

Superfaturamento nas obras do trecho norte de anel viário de São Paulo é estimado em mais de R$ 600 milhões.

22/06/2018

São Paulo. A Polícia Federal (PF) realizou, ontem, a operação "Pedra no Caminho", que apura crimes praticados por agentes públicos e empresários durante as obras do trecho norte do Rodoanel (anel rodoviário na Grande São Paulo). Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), o superfaturamento na obra superou R$ 600 milhões.

Um dos alvos de mandado de prisão é Laurence Casagrande Lourenço, que durante o governo Geraldo Alckmin (PSDB) foi presidente da Dersa, estatal responsável por obras rodoviárias paulistas, e secretário de Logística e Transportes. Hoje, Lourenço preside a Companhia Energética de São Paulo (Cesp).

Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de prisão temporária e 56 de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Ribeirão Preto, Bofete, Arujá, Carapicuíba e Marataízes (ES).

Os alvos dos mandados são ex-diretores da Dersa e executivos das construtoras OAS e Mendes Junior. Eles são suspeitos de corrupção, organização criminosa, fraude à licitação, crime contra a ordem econômica e de desvio de verbas pública.

A operação chegou a ser divulgada pelo Ministério Público como parte da força-tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo. Durante entrevista coletiva, ontem, porém, a PF diz que a ação é independente.

As obras do trecho norte começaram em 2013, durante a gestão de Alckmin, e ainda não foram concluídas. Investigações do TCU e Controladoria-Geral da União (CGU) e Ministério da Transparência apontam que os contratos com a Dersa, celebrados inicialmente com preços baixos, tiveram aditivos que elevaram o custo da obra.

Jogo de planilhas

Por meio da prática conhecida como "jogo de planilhas", em que o licitante oferece preço acima do mercado para alguns itens e abaixo para outros, os investigadores apontaram que no lote 1 da obra houve sobrepreço de 16% a 430% em serviços de escavação e explosivos, estrutura de túneis, carga e desmonte de argamassa, acrescendo indevidamente quantia estimada em R$ 60 milhões.

Já no lote 2, esse aumento foi de 987% (mais de R$ 21 milhões) nos serviços de escavação e explosivos e no lote 3, aumentos de até 1.223%. Somados, os acréscimos nos lotes 1, 2, 3 e 5 superam R$ 143 milhões.

Procuradoras

Duas procuradoras -Anamara Osório e Thamea Danelon- afirmaram que parte das fraudes nos aditivos ocorreu mesmo depois da deflagração da Operação Lava- Jato, em março de 2014.

A OAS tem executivos em negociação de delação premiada com o Ministério Público.

Em 2016, uma reportagem mostrou que a Dersa firmou um aditivo com a OAS com base somente em um relatório feito pela própria empresa interessada. A medida aumentou em 290% o custo da terraplanagem em um dos lotes da obra.

Defesa

Em nota, a Cesp diz que não vai se pronunciar sobre a operação porque os fatos investigados não aconteceram na empresa, nem na gestão de Lourenço na presidência da companhia. A defesa da Mendes Júnior afirmou que ainda não teve acesso a informações da operação e, por isso, ainda não irá se manifestar.

A reportagem procurou a OAS e o governo de São Paulo, mas não recebeu resposta, até o fechamento desta edição.



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