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O geneticista Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia, é autor do estudo inédito. (Foto: Reprodução/Internet)

Brasileiro recria "minicérebros" de neandertais.

16/07/2018

San Diego. Um cientista brasileiro combinou um conjunto de avançadas tecnologias para produzir em laboratório minicérebros com o material genético do homem de Neandertal.

A pesquisa inédita tem o objetivo de compreender as distinções entre os cérebros dos humanos modernos e de seus mais próximos parentes extintos, a fim de tentar compreender como surgiu a capacidade cognitiva que torna o cérebro do Homo sapiens tão especial.

O autor do estudo, que foi destaque em uma reportagem publicada na revista Science, é o geneticista Alysson Muotri, professor da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórina em San Diego (Estados Unidos) e diretor do programa de células-tronco da universidade. Os resultados, ainda não publicados, foram apresentados em um congresso na Califórnia.

"O objetivo final desses estudos é entender o que nos torna humanos, isto é, quais são as alterações genéticas que, ao longo da evolução, tornaram o cérebro humano diferente de qualquer outra espécie", disse.

Para realizar o trabalho, Muotri usou ferramentas de três áreas que nos últimos anos têm revolucionado a ciência: os estudos sobre DNA antigo, a tecnologia "Crisper" de edição do genoma e os organóides celulares - ou minicérebros - que são estruturas construídas a partir de células-tronco para simular o desenvolvimento cerebral.

Em comparação aos minicérebros feitos com células humanas, aquele que foram criados a partir do DNA Neanderthal - e que simulam aspectos do desenvolvimento do córtex cerebral dessa espécie extinta - apresentaram um formato distinto e diferenças em suas redes neurais.

"Algumas dessas diferenças podem ter influenciado a capacidade dos Neandertais para a socialização - que é uma das características especiais do cérebro humano", afirmou Muotri.

O DNA do homem de Neandertal foi extraído pela primeira vez em 2010 e o genoma da espécie foi sequenciado. Segundo Muotri, certas regiões do genoma neanderthal ainda existem na população humana, enquanto outros fragmentos foram eliminados por seleção natural.



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