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Ex-ministro Ciro Gomes apontou a geração de empregos como uma de suas prioridades caso vença a eleição presidencial de outubro, além de defender suas propostas para a segurança pública, saúde, educação e desenvolvimento. (Foto: Folhapress)

Eleições: Ciro oficializa candidatura à Presidência da República.

Em Convenção Nacional do PDT, ex-governador do Ceará apresentou os principais pontos de seu programa de governo.

21/07/2018

Brasília. Ao ser oficializado candidato à Presidência pelo PDT na sexta (20), Ciro Gomes fez um aceno à esquerda, prometendo cuidar dos mais pobres, e chegou a se colocar como herdeiro político do ex-presidente Lula, preso em Curitiba há mais de três meses, dizendo que depois de “tudo o que aconteceu” com o petista, sua responsabilidade aumentou. Ciro defendeu um novo projeto de desenvolvimento para o país, e elegeu a geração de empregos como primeira tarefa para tirar o Brasil da crise. “Depois de tudo que houve com o presidente Lula nossa responsabilidade aumentou”, disse.

Ciro voltou a reconhecer que comete erros porque dorme pouco e tem a palavra como ferramenta de trabalho. Antes de seguir para o auditório, lotado, onde proferiu seu discurso, Ciro fez uma breve fala do lado de fora, no gramado da sede do PDT. Lá, disse que não é anjo.

“Não posso concordar com a degradação que aconteceu com a vida brasileira. Isso evidentemente me leva a cometer erros. Não sou superior nem vacinado nem imune a erros. Tenho trabalhado praticamente dez horas por dia e a minha ferramenta de trabalho é a palavra. Posso errar aqui e ali, nunca tive a pretensão de ser anjo”, discursou.

Doze pontos

Ciro ocupou metade de seu discurso para citar os doze pontos de seu programa de governo, que propõe um “novo projeto de desenvolvimento” para o País.

Segundo ele, que falou por cerca de 30 minutos, uma preocupação central de é de onde virá o dinheiro para dar cabo de suas propostas.

Nesse sentido, o pedetista criticou a “agiotagem oficial protegida pelo governo” que gastou, nos últimos 12 meses, R$ 380 bilhões em pagamento de juros, “entregues à meia dúzia de putocratas do baronato financeiro”.

Segundo Ciro, a situação fiscal do país é “absolutamente deplorável" e é preciso prestar muita atenção à agenda da economia. “Essa gente quebrou nosso País a pretexto de austeridade. Nunca o Brasil esteve tão fragilizado nas suas contas públicas”.

Ciro também criticou a dívida pública: “A dívida do setor público alcança já hoje 76% do PIB, que está explodindo”, acrescentou. “A sociedade brasileira está devendo a esse baronato mais de R$ 5 trilhões”, afirmou, ponderando que há de ser severo, mas sem desrespeitar aos contratos.

Empregos

Antes disso, o pedetista destacou que a primeira e mais urgente tarefa de seu governo é a geração de empregos, seguida da qualificação das áreas da segurança pública, saúde e educação. “A primeira e mais urgente tarefa é gerar empregos. Muitos milhares, milhões de empregos, do Rio Grande do Sul à Amazônia, da Bahia ao Mato Grosso do Sul, das grandes cidades ao Brasil profundo do interior”, disse.

Na sequência, falou da qualificação da área da segurança pública, para “devolver a paz e a tranquilidade às famílias”. Defendeu um aumento da presença federal na área, tanto na prevenção como na repressão.

O pedetista citou o controle do tráfico de armas e drogas, a criação de uma polícia sem fronteiras, a implementação de um sistema nacional de inteligência e informação para combater o crime organizado, entre outras medidas para a segurança.

Na saúde, defendeu a redução da espera para os atendimentos ambulatoriais, consultas especializadas e a realização de exames. Também falou que é "inadiável" reduzir as filas para cirurgias eletivas, e investir nas redes de atendimento, e nas campanhas de prevenção e vacinação, formação de médicos, entre outros pontos.

Ciro emendou o discurso afirmando que educação de qualidade é a “única saída para uma nação se emancipar”, e defendeu, sobretudo, o investimento na educação pública, “uma das mais importantes prioridades”.

Todas essas medidas, segundo ele, só serão viabilizadas com o combate à corrupção, definida como um “câncer que rouba a crença do povo na política”, e que desvia recursos.

Biografia

Pedetista já foi governador do CE e ministro

Embora tenha nascido em Pindamonhangaba (SP), Ciro Gomes (PDT) é de família cearense e foi no Estado que obteve alguns dos maiores êxitos de sua carreira política, tendo sido eleito deputado estadual entre 1983 e 1988, logo em seguida prefeito de Fortaleza e, entre 1991 e 1994, governador do Ceará.

O pedetista foi ainda ministro em duas ocasiões. A primeira foi na gestão Itamar Franco (que morreu em 2011), quando foi titular do Ministério da Fazenda, nos primórdios do Plano Real. A segunda foi como ministro da Integração Nacional, no governo do ex-presidente Lula (PT), a quem pode vir a enfrentar no próximo ano. Mas essa disputa não seria inédita. Ciro Gomes já concorreu à Presidência duas vezes, então pelo PPS, em 1998 e em 2002, enfrentando, inclusive o petista. Na primeira campanha, ambos ficaram atrás de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Quatro anos depois, Lula e José Serra (PSDB) foram os dois melhores colocados no primeiro turno e Ciro ficou na quarta colocação. No segundo turno, Ciro manifestou apoio a Lula, que foi, então, eleito presidente da República pela primeira vez.

Nos quase dezesseis anos que se seguiram os dois mantiveram-se aliados, mas a eclosão da Operação Lava-Jato, que atingiu, entre diversas figuras políticas, o ex-presidente, fez com que novos nomes de esquerda apareçam como opções eleitorais para 2018, até pela indefinição sobre a possibilidade de que o petista concorra novamente ao Palácio do Planalto. Em tal cenário, o pedetista Ciro Gomes está de olho não apenas no eleitorado que vota tradicionalmente em um 'cacique' como Lula, mas também no eleitor de pré-candidatos que adotam um discurso 'outsider' como Jair Bolsonaro (PSC, mas em processo de troca de partido), conforme indicou o próprio pedetista, em recente entrevista.

Ciro aparece entre a terceira (com 8% das intenções de votos) e a quarta posição (com 4%) nos dois cenários avaliados na última pesquisa CNI/Ibope, divulgada em 28 de junho.



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