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Fac-símile de matéria recente que trata do otimismo de Ciro e seus aliados, com as conversas com representantes do PSB, com quem deseja muito fazer uma aliança. (Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Perda do Centrão: Ciro, agora, está precisando mais ainda do apoio do PSB.

Ele precisa ter discurso compatível com o cargo que disputa, mesmo sendo forte nas críticas e denúncias que faça.

21/07/2018

Ciro Gomes (PDT) perdeu a perspectiva do apoio pragmático do "Centrão" (DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade), mas continua perseguindo o do PSB, principalmente pelo seu peso ideológico e pela facilitação da adesão do PCdoB. Diferentemente do reflexo no âmbito nacional, a decisão dos partidos do "Centrão" de alinharem-se ao tucano Geraldo Alckmin, um dos mais fortes concorrentes de Ciro, no Ceará, na disputa presidencial nada muda. Todos os integrantes desses partidos citados continuarão na aliança do PDT, fiadora da candidatura de Camilo Santana.

A perda de perspectiva de apoio do "Centrão", porém, impõe mais uma autocrítica ao agora oficial candidato do PDT à chefia da Nação. A indignação de cidadão com pretensões de ser presidente da República, independentemente da sua monta, não justifica discursos com palavras chulas ou impropérios dirigidos seja a quem for.

O político que ocupa ou pretende ocupar o posto mais importante do Pais, além do respeito à liturgia daquele cargo, tem a obrigação de dar bons exemplos, inclusive, no uso do vernáculo. O vitupério é repudiado até mesmo pelos que inconscientemente a tudo aplaudem.

Aglomerado

Evidente que Ciro não perdeu a chance de ter o apoio do "Centrão" pelos palavrões proferidos recentemente em palestra na Espanha e em São Paulo, referindo-se a mãe de pessoas. O seu posicionamento político é bem diferente da quase totalidade dos integrantes daquele grupo. A síntese do projeto que apresenta para solucionar problemas brasileiros vai de encontro ao que defendem os integrantes daquele aglomerado de partidos.

A sua intempestividade, porém, dificulta alianças. Na edição deste Diário do Nordeste, no primeiro sábado deste mês, já havíamos afirmado que a intempestividade "é o principal obstáculo para os apoios necessários, no momento".

Naquele mesmo espaço foi ressaltado que, indiscutivelmente, "dentro do atual quadro de postulantes (ao cargo de presidente), ele reúne algumas das qualidade ou premissas reclamadas pelos eleitores ainda dispostos a dar voto de confiança nos políticos".

Uma dessas qualidades é a coragem de dizer, apontar defeitos e oferecer soluções, com o crédito de ter sido prefeito, governador, ministro e executivo da iniciativa privada, e não ser apontado, como uma boa parte dos políticos o é, como envolvido em questões ligadas a improbidades. Isso o credencia a receber apoios, inclusive fora do universo partidário, para seguir na disputa presidencial.

A disputa presidencial deste ano, por conta do grande descrédito da classe política, como registramos, em agosto de 2015, quando Ciro ainda discutia com o PDT sua candidatura, ontem tornada oficial, sem ainda sequer estar filiado ao partido à época (a filiação foi em setembro daquele ano), "exigirá discursos mais firmes dos postulantes, de modo, não a convencerem aos eleitores, atualmente ressabiados com tantas inverdades, mas (discursos) capazes de os motivarem a ser menos céticos em relação às promessas". Ciro Gomes pode ser um dos que venham a ter audiência.

É possível até que a decisão do "Centrão", ficando com Alckmin, o beneficie no tocante à possibilidade de acordos com o PSB e o PCdoB. Embora integrantes destas siglas estejam juntos em alguns estados, inclusive no Ceará, ainda há um certo receio de eles aparecerem juntos, principalmente em razão de alegadas questões ideológicas, além do histórico relacionamento de indicados seus em administrações públicas, notadamente a federal, nos últimos governos.

O PSB, por certo, não sentir-se-ia confortável no mesmo palanque nacional, posto ter posições políticas, notadamente as sociais, diversas de boa parte daquele pessoal.

Sobrevivência

Os dirigentes do DEM, do PP, do PR, do PRB e do Solidariedade no Ceará estão todos na sombra do Governo do Estado. Os do PR e do Solidariedade, respectivamente Gorete Pereira e Genecias Noronha, ambos deputados federais, foram os últimos a se tornarem governistas no Estado.

A questão dos integrantes de todas essas agremiações é a sobrevivência política dos seus integrantes. Embora o candidato Alckmin tenha o PSDB local com um candidato a governador, o general Guilherme Theophilo, o presidenciável tucano, no quesito apoio político local, não oferece as perspectivas que o grupo de Ciro assegura.

Exemplo disso é a recente adesão ao grupo do próprio Ciro, do pessoal do PSD local, uma das siglas aliadas nacionalmente do tucano, assim como a decisão do PROS, presidido pelo Capitão Wagner, de não votar em Alckmin, embora esteja diretamente ligado ao PSDB cearense por conta da candidatura do general Guilherme Theophilo.

O § 1º do Art. 17 da Constituição Federal garante aos partidos, nos estados, definirem as suas alianças. No caso da falta de diretório constituído é que a direção nacional poderá intervir para evitar aliança diversa da formada nacionalmente.

Reafirmando

Na edição da última quarta-feira deste jornal, o ex-governador Cid Gomes, reafirmando o que dissera o irmão candidato à Presidência da República, disse não aceitar uma coligação com o MDB, excluindo, portanto, o senador Eunício Oliveira da chapa majoritária encabeçada pelo governador Camilo Santana.

Antes, ele já havia dito praticamente a mesma coisa, quando defendeu a indicação oficial de apenas um nome na chapa governista para disputar as duas vagas de senador. Sua alegação, para não ser cáustico tanto quanto Ciro o é em relação a Eunício, é a de que tendo o PDT, contrário a qualquer aliança com o MDB, e sendo um cearense o candidato do partido a presidente, não é possível logo aqui se violentar a posição do seu partido.

Esta tem sido a argumentação de Cid para não ter o senador como seu companheiro de chapa. Porém, o real motivo são as consequências do rompimento de Eunício com ele e seus aliados, em 2014, quando o senador que fazia parte do grupo queria ser o candidato a governador, no lugar do hoje Camilo Santana.

Ficaram grandes e profundas cicatrizes, e ainda ecoam as acusações verbais trocadas entre Eunício e Ciro, assim como ainda têm processos tramitando na Justiça do Ceará por conta das aleivosias de ambos, hoje fazendo parte das memórias, não agradáveis, das eleições cearenses.

O governador Camilo Santana tem interesse na composição com o MDB. Sua relação com Eunício extrapolou as questões administrativas. Ainda ontem iam estar juntos no Cariri, mas ele, até agora, pelas reações públicas dos seus principais aliados políticos, os irmãos Cid e Ciro, não conseguiu reduzir as resistências dos pedetistas, e o tempo está ficando mais exíguo ainda, pois tudo terá que acontecer até o dia 5 de agosto, último dia para a realização das convenções partidárias, quando se oficializam as coligações e indicações de candidatos.

O MDB ainda não marcou a sua convenção, ao contrário do PDT e seus demais aliados, que decidiram cumprir essa etapa do Calendário Eleitoral, no dia 5 de agosto. E o MDB não fixou a data de sua convenção exatamente por ainda não ter certeza de que haverá a tão significativa coligação para o projeto do seu principal líder, conseguir a reeleição para o Senado.

Sem coligação, não será surpresa uma candidatura do senador a deputado federal, posto ser muito difícil o governador, ao lado de Cid ou Ciro, ou de ambos no palanque, pedir votos para Eunício fora da sua coligação. Ademais, não será fácil ao senador estar sozinho numa chapa majoritária, dizendo que tem apoio do governador, de outra aliança, como fez na campanha de 2014, dizendo ser o candidato de Lula e de Dilma, quando ambos são do PT, o mesmo partido do seu adversário da época, Camilo Santana.



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