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Líderes do Movimento Brasil Livre, Kim Kataguiri (e), pré-candidato a Câmara, e Fernando Holiday (d), vereador paulistano, alegam perseguição. (Foto: Folhapress)

De propagar "fake news": Facebook desativa contas suspeitas.

Rede social puniu uma página ligada ao MBL por uso de perfis falsos e links maliciosos que geram desinformação.

26/07/2018

Brasília/Goiânia. O Facebook retirou do ar, ontem, páginas e contas ligadas a coordenadores do Movimento Brasil Livre (MBL) como parte da política de combate a notícias falsas. Também foram alvos outras páginas como a do Movimento Brasil 200, ligado ao empresário Flávio Rocha, que cogitou disputar a Presidência pelo PRB.

Pelo comunicado, a empresa diz que desativou dezenas de contas no Brasil por sua participação em "uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação".

De acordo com a rede social, os perfis foram removidos após uma investigação que apontou violações à política de autenticidade da plataforma.

O líder do MBL e pré-candidato a deputado federal pelo DEM, Kim Kataguiri, admitiu que apenas uma das páginas retiradas do ar pelo Facebook, ontem, Brasil 200, é ligada ao MBL. Ele negou as acusações de "fake news" e disse que vai entrar na Justiça.

A página Movimento Brasil 200 é do empresário Flávio Rocha, que desistiu de concorrer à Presidência na semana passada. Ele era apoiado pelo MBL na disputa pelo Planalto.

"Tinha uma que era, sim, ligada à gente, que é a Brasil 200. Mas a do Diário Nacional e do Jornal Livre não, são parceiros nossos", disse Kim. "São infundadas as acusações", completou. O jovem, que participou das manifestações pró impeachment, disse ainda que o grupo vai entrar na Justiça contra a ação.

Proposta de CPI

O deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS), coordenador da recém-criada Frente Parlamentar Mista Brasil 200, quer propor a criação de uma "CPI do Facebook". "Vivemos em um País democrático", disse ele.

Goergen chegou a gravar e divulgar um vídeo ontem, propondo a apuração da ação da rede social que retirou do ar páginas e contas ligadas aos coordenadores do MBL como parte da política da empresa de combate a notícias falsas. "Isso é inaceitável. Estamos estudando a possibilidade de buscarmos assinaturas para a criação de uma CPI do Facebook", afirmou o deputado federal no vídeo.

O ex-presidenciável Flávio Rocha usou justamente sua página no Facebook para criticar a situação. "Conclamo a bancada do Brasil 200 no Congresso Nacional a tomar posição sobre essa arbitrariedade. Nem no tempo da ditadura se verificava tamanho absurdo", escreveu Rocha.

Lista de páginas

O procurador da República Ailton Benedito de Souza cobrou explicações do Facebook no Brasil quanto à remoção de 196 páginas e 87 perfis da rede social. Benedito solicita a relação de todas as páginas e perfis removidos e a justificativa sobre essa providência para cada página e perfil excluído. O procurador estabeleceu o prazo de 48 horas para que a empresa acate o pedido, por meio eletrônico.

"Por oportuno, assevero que os dados requisitados são imprescindíveis à atuação do Ministério Público Federal, inclusive eventual propositura de ação civil pública, ao teor do artigo 10 da Lei federal nº 7.347/85, pelo que a falta injustificada ou o retardamento indevido implicará a responsabilidade de quem lhe der causa", escreveu.

Contra "enganação"

Questionado pela reportagem sobre os critérios adotados para a punição de usuários, o Facebook listou diversos itens, entre eles situações em que "múltiplas contas trabalham em conjunto com a finalidade de enganar pessoas sobre a origem do conteúdo" e "sobre o destino dos links externos aos nossos serviços".

A empresa disse ainda que não se pode enganar pessoas "na tentativa de incentivar compartilhamentos, curtidas ou cliques e com o objetivo de ocultar ou permitir a violação de outras políticas" de uso da plataforma.

Renan Santos e Renato Battista, dois líderes do MBL, telefonaram para o jornalista Brad Haynes, da agência britânica de notícias Reuters, que revelou em primeira mão a iniciativa do Facebook, e cobrou explicações. Quando Haynes explicou que não poderia falar, os dois desferiram ofensas contra o repórter.



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