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Cel. João Baptista Lima é apontado como o suposto operador financeiro de Michel Temer. (Foto: Reprodução/Internet)

Decreto Dos Portos: Avança inquérito sobre Rodrimar.

27/07/2018

Brasília. No curso das investigações que envolvem o presidente Michel Temer e empresários do ramo portuário, a Polícia Federal (PF) colheu o depoimento de uma nova testemunha, na semana passada, que estabelece o possível caminho da propina de uma das empresas do setor até o coronel João Baptista Lima, amigo do presidente e investigado no inquérito dos portos por ser o operador financeiro de Temer.

Em depoimento no último dia 17, Gabriel de Carvalho Jacintho contou que abria empresas inativas para vendê-las a empresários brasileiros e entregou uma delas, a Eliland do Brasil, à empresa do coronel Lima, Argeplan. A PF descobriu a existência de um contrato, que teve duração de dez anos, entre a Eliland do Brasil e a Rodrimar, concessionária do porto de Santos investigada por supostamente ter pago propina a Temer para obter benefícios no governo.

Os investigadores apuram se a Argeplan foi usada para captar propina e bancar despesas pessoais de Temer e seus familiares, como a reforma da casa da filha dele, Maristela. O inquérito investiga se Temer favoreceu a Rodrimar ou outras empresas do setor por meio de um decreto que prorrogou e aumentou o prazo de concessões. Santos é um reduto político do emedebista.

Jacintho afirmou à PF que seu trabalho era abrir "empresas de prateleira", que ficavam inativas até serem adquiridas por empresários, a maioria deles brasileiros. Segundo a PF, esse tipo de empresa é usada para operações de lavagem de dinheiro.

No depoimento, ele conta que entregou o controle da Eliland a um sócio do coronel Lima, o empresário Carlos Alberto Costa, atendendo ao pedido de um escritório de advocacia. Ele também apresentou aos investigadores dois documentos que comprovam a transferência integral da empresa diretamente para Costa. Nas buscas realizadas na Operação Skala, deflagrada no fim de março, a PF encontrou papéis da Rodrimar e do porto de Santos na casa de Costa, reforçando seu vínculo com o setor.

Defesa

O Palácio do Planalto tem dito que o decreto dos Portos publicado no ano passado não beneficiou a Rodrimar. Procurada ontem, a assessoria de Temer enviou a seguinte nota: "O presidente jamais recebeu qualquer tipo de propina da Rodrimar. O decreto dos portos não beneficiou a empresa. E foi assinado em 2017. Todos supostos pagamentos citados na investigação são de anos anteriores, quando não havia previsão de Michel Temer vir a ser o presidente da República e assinar essa normatização do setor".

A Rodrimar também nega irregularidades. A defesa do coronel afirmam em nota que ele "nega qualquer irregularidade, assim como a prática ou a participação em qualquer ato ilícito".



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