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Ciro Gomes e Jair Bolsonaro, que aparecem em pesquisas com potencial de terem candidaturas competitivas, lançaram-se à disputa sem vices. (Foto: Agência Brasil)

Corrida Presidencial: Fragmentação dificulta definições de vices.

Só dois presidenciáveis têm vices. Para analistas políticos, cenário aponta para uma eleição marcada por incertezas.

27/07/2018

Com o período destinado às convenções partidárias em curso - desde 20 de julho até 5 de agosto -, as candidaturas ao cargo de vice-presidente ainda são um ponto de interrogação na maioria das chapas que se colocam à disputa pela Presidência da República em 2018. Três partidos, PDT, PSL e PSC, inclusive, lançaram seus presidenciáveis sem homologar os postulantes a vice, situação que se repete até mesmo em candidaturas que já firmaram alianças com outras legendas. Para cientistas políticos, as indefinições refletem a fragmentação de postulações em um cenário de incertezas e, também, a importância que a eleição para o Congresso Nacional deve ter no pleito deste ano.

Até o momento, cinco candidatos a presidente tiveram seus nomes homologados pelos partidos em convenções: Ciro Gomes (PDT), Paulo Rabello (PSC) e Vera Lúcia (PSTU), oficializados no último dia 20, Guilherme Boulos (PSOL), no dia 21, e Jair Bolsonaro (PSL), no dia 22. Destes, apenas PSOL e PSTU já definiram os postulantes ao cargo de vice: Sônia Guajajara e Herz Dias, respectivamente.

No PSDB, após conquistar a adesão de partidos do "centrão", Geraldo Alckmin teve o empresário Josué Gomes (PR) cotado como companheiro de chapa, mas a aposta não se concretizou. Marina Silva, pré-candidata da Rede, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato do PT, também não têm ainda os nomes que completarão suas possíveis candidaturas.

Dificuldades

Para o cientista político Rui Martinho, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), o cenário político aponta para uma eleição marcada por uma "incerteza generalizada", que tem afetado a formação de alianças. A dúvida sobre eventuais consequências do desgaste popular de partidos e líderes nas urnas, a redução do tempo de campanha e a imprevisibilidade de candidaturas, segundo ele, são elementos que tornam composições "muito difíceis", especialmente em um contexto em que "não existe base programática para as alianças".

"Como é: 'eu só quero o seu apoio porque quero o seu tempo na televisão e a sua estrutura partidária, e vou lhe apoiar porque você é o cavalo favorito no páreo e, se você vencer, eu quero cargos. Agora, quem é o cavalo favorito não está muito claro, embora alguns nomes tenham uma posição relativamente destacada, ainda falta muito, e ninguém sabe quem vai resistir ou não ao tiroteio", afirma.

Também professor da UFC, o cientista político Osmar de Sá Ponte avalia que "o grande motivo" para a indefinição dos postulantes a vice é a influência das disputas por vagas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal nas tratativas, além de "acordos regionalizados" em alguns partidos. "Qualquer aliança é condicionada a estar subordinada à eleição da Câmara e do Senado, e essa questão tem pautado muito essa indefinição das alianças", observa.

Segundo Osmar, as candidaturas que estão com chances na disputa "têm um conjunto de contradições para viabilizar uma chapa competitiva". O cientista político analisa que, no campo da centro-esquerda, enquanto o PCdoB tem tido "uma postura absolutamente altruísta ao defender uma unidade", o PT adota "uma postura de continuar hegemonizando a esquerda". Já no campo da centro-direita, ele vê a candidatura do PSDB como "forte", mas "impopular" e "com apoio eleitoral muito fraco".

"No cenário, embora esteja bem dividido programaticamente, aparece muito clara essa divisão entre dois campos, quando se aproxima mais da análise do detalhe, essa distinção não é tão radical entre a esquerda e a direita, porque esses dois campos políticos têm mais divergências internas, às vezes, do que entre os campos opostos", opina.

Efeito

Para o professor, a ausência de vices às vésperas do início da campanha, porém, não deve prejudicar as candidaturas já colocadas. "Acho que não enfraquece (as candidaturas) por causa da complexidade do momento que estamos passando. Se não tem, é porque não tem condição de ter. A política é um conjunto de fatores onde alguém que está na proeminência como candidato tem que fechar o tabuleiro de xadrez dele, porque na política, às vezes, um mais um é zero, você soma dois partidos e perde o resto", reflete.

Avaliação semelhante faz Rui Martinho. Para ele, não há prejuízo aos presidenciáveis na indefinição das chapas, a esta altura, porque quase todos estão "na mesma situação". "Se estivesse assim: só o candidato A ou B não têm vice, poderiam dizer: 'ah, esse cara não sabe fazer articulação política, não vai saber governar', mas certamente eles vão tentar capitalizar isso (pregando): 'não tenho vice porque não fiz aliança escusa', embora tenham tentado".



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