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Quadro de incertezas trazido por vários elementos que compõem o cenário econômico brasileiro tem deixado os empresários do setor pessimistas e com a confiança em baixa para investir, segundo a CNI. (Foto: USP Imagens)

De 11,8% Para 12,4%: CNI eleva projeção para o desemprego neste ano.

Juros e inflação também devem crescer por conta da frustração do setor com a retomada do crescimento econômico.

27/07/2018

Brasília. Além de piorar suas previsões para a atividade econômica em 2018, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) também espera um aumento no desemprego, nos juros e na inflação neste ano. A projeção para a taxa de desemprego passou de 11,8% projetados em abril para 12,4%. "A frustração com a retomada do crescimento econômico tem sido a principal razão para a recuperação abaixo do esperado do mercado de trabalho", comentou a entidade em nota.

A previsão para a inflação medida pelo IPCA passou de 3,7% para 4,21%, abaixo, ainda, do centro da meta de 4,5% fixado para este ano. A expectativa é que a taxa de juros feche o ano em 6,5%, acima da anterior, de 6,25%. A entidade ressalta ainda que, com o déficit fiscal e a dívida pública crescentes, o próximo governo terá de fazer um grande esforço para equilibrar as contas e que, apesar de crucial, apenas a reforma da Previdência não será suficiente.

"São necessárias medidas adicionais de contenção do crescimento dos gastos obrigatórios, como o com o pessoal e outros programas, de modo a assegurar o cumprimento das metas fiscais constitucionais - o teto dos gastos e a regra de ouro -, além da meta do resultado primário", completa a CNI.

A confederação espera que o dólar chegue ao fim do ano cotado em R$ 3,80,fechando uma média anual de R$ 3,63. Anteriormente, a expectativa era de dólar em R$ 3,40 em dezembro, com média anual de R$ 3,35.

A CNI projeta que o saldo da balança comercial feche o ano com superávit US$ 62 bilhões (ante US$ 58 bilhões). Para o saldo em conta corrente, a expectativa é de déficit de US$ 20 bilhões (ante US$ 25 bilhões).

PIB menor

A CNI reduziu também todas as projeções para os principais indicadores da economia. De acordo com o Informe Conjuntural divulgado ontem, 26, a entidade cortou a projeção do PIB brasileiro em 2018 de 2,6% divulgada no primeiro trimestre para 1,6%. A expectativa da entidade é que o PIB da indústria feche 2018 em 1,8%, ante previsão anterior de 3,0%.

Segundo apresentou a entidade, a redução nas previsões se deve às incertezas sobre os resultados das eleições e os rumos da política econômica do novo governo, aos impactos da greve dos caminhoneiros e às mudanças do cenário internacional, com a tendência de elevação das taxas de juros americanas e a guerra comercial dos EUA com Europa e China. A CNI projeta um crescimento de 1,3% para o setor de serviços (era 2,2%) e de 2,0% para o consumo das famílias (ante 2,8% em agosto). Para o investimento (FBCF), a previsão era de uma alta de 4,0% e passou para 3,5%. "A paralisação do transporte rodoviário de cargas, no fim de maio, afetou a atividade econômica e alterou a dinâmica de recuperação da indústria", lembrou.

Para as contas públicas, a previsão é que o governo federal feche o ano com um déficit primário de 2% do PIB, ante 2,2% previstos anteriormente. A previsão, no entanto, é que um aumento no déficit nominal de 7,2% para 7,5%. A dívida bruta do setor público alcançará 76,3% do PIB, projeção que estava em 73,7% em abril.

Incertezas

Segundo a CNI, a indústria recuperou em junho parte das perdas provocadas pela greve dos caminhoneiros, mas os efeitos da paralisação continuam prejudicando a atividade econômica. No documento, a CNI afirma que o ambiente de incertezas e falta de confiança que impede a recuperação da atividade econômica só mudará quando for definido o quadro eleitoral e um programa efetivo de ajuste fiscal.

A entidade ressaltou que o próximo governo terá que fazer um grande esforço para equilibrar as contas públicas e que a reforma da Previdência é crucial para isso. "Somente a definição do quadro eleitoral e a explicitação de um programa crível e efetivo de ajuste econômico irá sedimentar expectativas positivas quanto ao desempenho da economia para além de 2018", completa. A CNI recomendou que sejam adotadas medidas adicionais de contenção do crescimento dos gastos obrigatórios, como o com pessoal e outros programas, para assegurar o cumprimento das metas fiscais.



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