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Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, foi indicado por Lula, em uma carta, para seu vice na chapa. (Foto: AFP)

Convenções Nacionais: Lula, Bolsonaro, Ciro e Meirelles definem vices.

Partidos confirmaram 14 nomes de candidatos à Presidência. Trata-se do maior número desde a eleição direta de 1989.

06/08/2018

Acabou, ontem, o prazo fixado pela legislação eleitoral para a escolha dos candidatos para as eleições gerais de outubro. No total, a corrida presidencial teve 14 nomes confirmados de postulantes à sucessão de Michel Temer (MDB-SP). Trata-se do maior número desde a eleição direta de 1989 (22 nomes).

Entre os 14 oficializados, está o ex-presidente Lula (PT-SP), virtualmente inelegível. Jair Bolsonaro (PSL), Ciro Gomes (PDT) e Henrique Meirelles (MDB) anunciaram, no fim de semana, os nomes de seus vices, após meses de costura de apoio político.

Mesmo com o risco de ter sua candidatura impugnada, Lula, que está preso em Curitiba (PR) desde abril por ter sido condenado, foi lançado em convenção do PT, no sábado, em São Paulo.

Lula enviou, ontem, uma carta à Executiva Nacional do PT na qual indica o nome do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad para ser o candidato a vice na chapa do partido, mas a executiva do PT não se manifestou até o fechamento desta edição.


(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Bolsonaro

Sob gritos de “mito”, Bolsonaro, anunciou o general Hamilton Mourão (PRTB, Partido Renovador Trabalhista Brasileiro), 64, como vice em sua chapa.

O anúncio, feito em um clube no Jaçanã (zona norte de SP), tinha na plateia pessoas vestindo camisetas com o rosto de Bolsonaro, trajes com estampas militares, portando bandeiras do Brasil e do estado.

Bolsonaro foi recebido por uma bateria de escola de samba e um homem fantasiado de Capitão América. A chapa foi oficializada à tarde, na convenção do PRTB, sob o lema “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

A busca pelo vice foi tortuosa. Envolveu outro general (Augusto Heleno), um pastor (o senador Magno Malta), uma das autoras do impeachment de Dilma Rousseff (Janaina Paschoal) e até um príncipe (Luiz Philippe de Orleans e Bragança).

Presidente do PRTB, Levy Fidelix, abdicou da candidatura ao Planalto e tentará, agora, a Câmara dos Deputados. Definiu a dobradinha Bolsonaro-Mourão como o “momento mais feliz” da sua vida. PRTB e PSL têm, juntos, 8 segundos em cada bloco de 12 minutos e 30 segundos do horário eleitoral e uma inserção a cada três dias.

Ciro

Já Ciro escolheu a senadora Kátia Abreu (TO) como candidata a vice-presidente, confirmou sua assessoria. O anúncio oficial será feito hoje, na sede nacional do PDT, em Brasília. Com apenas o apoio de um partido em sua coligação, o nanico Avante, Ciro optou por uma solução caseira, já que a senadora trocou o MDB pelo PDT em abril.

Com a decisão de ser vice, ela abre mão da disputa ao governo de Tocantins. Segundo o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, a escolha deveu-se à representatividade da senadora no Centro-Oeste e ao seu perfil combativo. “Ela é uma mulher de honra e que foi firme contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff”, disse.

A opção também deveu-se à interlocução da senadora junto ao setor ruralista. Pecuarista, Abreu presidiu a Confederação Nacional da Agricultura.

Meirelles

Por sua vez, Meirelles afirmou, ontem, que a decisão de ter Germano Rigotto (MDB) na chapa como vice foi uma “escolha pessoal”. Os dois estiveram na convenção estadual do MDB gaúcho, em Porto Alegre. No evento, Rigotto também foi oficializado como postulante a vice.

Na convenção, Meirelles foi bastante aplaudido pelos militantes e até arriscou dançar ao som do jingle “Chama o Meirelles”. “É uma honra ter Rigotto ao meu lado, um homem que se pauta pela experiência e competência”, disse o candidato. “Eu e Rigotto vamos rodar o Brasil inteiro, modernizar o País, fazer muita coisa nova e melhorar o que já está funcionando bem”.

PT-MG formaliza Dilma e Pimentel

A ex-presidente cassada, Dilma Rousseff (PT), e o atual governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), foram formalizados como candidatos, ontem, em convenção do PT para as eleições 2018. Dilma tentará uma vaga no Senado, enquanto Pimentel vai disputar a reeleição.

O evento foi marcado por críticas ao senadores tucanos Aécio Neves e Antonio Anastasia, candidato do PSDB ao governo de Minas Gerais.

Uma carta do ex-presidente Lula (PT), condenado e preso na Lava-Jato, foi lida na convenção. “Aécio Neves está lançando um prato novo, meio diferente, que não tem muito a ver com a cozinha mineira nem é muito ecológico: o escondidinho de tucano. O povo mineiro não vai engolir essa receita indigesta”, disse Lula na carta. Aécio declarou, na última quinta, que será candidato a deputado federal.

Dilma e Pimentel não falaram com a imprensa e se limitaram apenas aos discursos. Além das críticas aos opositores, a libertação do ex-presidente Lula foi bastante mencionada.

"Perseguição"

Em seu discurso, Dilma relembrou do processo de impeachment, sofrido por ela em 2015.

“Nós vamos, aqui em Minas, combater esse golpe que tem dos dois principais protagonistas. Um que perdeu a eleição, outro que destruiu o orçamento do Estado de Minas e entregou para o Pimentel um Estado falido”.

O governador petista disse que sofreu “perseguição com processos injustos” no mandato no governo mineiro. Ele criticou também a construção da Cidade Administrativa, chamando de “símbolo da arrogância tucana”.

“Todo mundo sabe o que estão fazendo com o Brasil, o que estão vendendo do nosso patrimônio à preço de banana”, afirmou Pimentel, criticando o governo de Michel Temer (MDB).


(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

DEM

Sem a presença dos principais caciques nacionais do partido, o DEM anunciou, ontem, em convenção realizada na capital mineira, o deputado federal Rodrigo Pacheco como candidato ao governo de Minas Gerais. O presidente do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, não estiveram na convenção.

O partido de Pacheco se aliou ao PSDB na disputa pelo Palácio do Planalto. Em Minas, os tucanos têm o senador Antonio Anastasia como candidato ao governo do Estado.

PSB oficializa neutralidade

O PSB oficializou, ontem, posição de neutralidade na corrida presidencial deste ano. A decisão, tomada em congresso nacional em Brasília, faz parte de acordo selado com o PT.

A abertura do evento com apresentação ao piano da suave “Jesus, Alegria dos Homens”, de Johann Sebastian Bach, não acalmou os ânimos da convenção, que teve gritaria e protestos de membros do partido.

Pelo acordo fechado entre PSB e PT, os socialistas não darão apoio a nenhum dos candidatos à Presidência. A decisão inviabilizou a ofensiva de Ciro Gomes (PDT), tido como o principal adversário do PT na disputa pelo eleitorado de esquerda.

Briga

No acerto, o PT aceitou retirar a candidatura de Marília Arraes ao governo de Pernambuco, o que pode facilitar a campanha do socialista Paulo Câmara ao governo do estado. Em troca, o PSB retirou, em Minas Gerais, a candidatura ao governo do ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda, que não aceitou a decisão nacional e o diretório no estado, que o apoiava, acabou dissolvido.

A convenção regional, que tentou lançar a candidatura do ex-prefeito à revelia da direção do partido, acabou invalidada na Justiça e terminou em briga.

Ontem, apesar da insatisfação de dissidentes, que buscavam apoiar Ciro Gomes, a neutralidade foi oficializada em votação simbólica.

"Absurdo"

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, argumentou que a decisão de não fechar nenhuma aliança nacional não vai eliminar a atuação do partido, já que o candidato do PT, ex-presidente Lula, está preso e o segundo lugar nas pesquisas é Jair Bolsonaro (PSL). “Seria um absurdo se nós ficássemos neutros diante do atual cenário político e eleitoral”, disse.


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