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Conforme Marcel Lima, gerente da mineradora, as explosões ocorrem uma vez por mês, em dia e hora controlados. (Foto: Marcelino Júnior)

Sobral: Pedreira causa vários transtornos à população.

Segundo a empresa, em 8 anos, ocorreu apenas um problema com as pedras: o caso de uma novilha atingida.

08/08/2018

Sobral. A dona de casa Maria Madalena Targino, moradora da comunidade Córrego da Onça, em Sobral, tem um hábito no mínimo inusitado. Ela junta, a contragosto, pesadas pedras espalhadas no terreno de casa. O amontoado de rochas é resultado de explosões que ocorrem uma vez por mês, na empresa Minermac Minerações LTDA, instalada há oito anos nas proximidades da comunidade de 40 famílias, em sua maioria de agricultores. A pedreira, que emprega diretamente 45 pessoas, extrai brita para a demanda da construção civil na região Norte.

"O trabalho não para. O barulho segue direto ao longo do dia, produzindo uma poeira pesada que encobre as casas. Muita gente relata ter problemas de saúde, porque respira esse ar", reclama Maria Madalena, que aponta as explosões para extração da brita como outro sério problema. "Além do barulho, as pedras são lançadas longe, trazendo medo a quem se localiza no entorno".

Próximo à fábrica, o Abatedouro de Sobral recebe cerca de 40 animais, diariamente, entre bovinos, suínos, ovinos e caprinos. E o trabalho realizado para a extração de brita também tem sido apontado como problema. Segundo Tales Oliveira, subgerente do abatedouro, "a inalação da poeira tem aumentado os casos de problemas respiratórios dos funcionários. Os animais também têm sido vítimas da exploração mineral, aqui nas proximidades. Uma novilha já foi atingida e morta por uma das rochas que se desprenderam durante uma dessas explosões".

De acordo com o veterinário responsável pela saúde dos animais para abate, apesar das medidas tomadas para impedir o acúmulo de poeira que encobre o prédio, como a instalação de telas, por exemplo, o barulho das explosões traz muito estresse aos bichos.

"Acionamos o Ministério Público do Estado para tentarmos ver uma solução que seja viável às partes envolvidas, já que não conseguimos entrar em um acordo com os representantes do empreendimento", reclama João Franklin Barroso, responsável técnico do abatedouro, que tem 20 anos de instalação na área.


A dona de casa Maria Madalena Targino, moradora da comunidade Córrego da Onça, junta as pedras que caíram no terreno da sua casa. (Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Conforme Marcel Lima, gerente da mineradora, "as explosões ocorrem uma vez por mês, em dia e hora controlados. Cerca de 15 dias antes, os moradores são orientados a evacuar a área nas proximidades. O local da extração de pedras fica distante da comunidade, assim como do abatedouro, em quase um quilômetro. Em oito anos de empreendimento, tivemos apenas um problema com pedra, que foi o caso da novilha atingida, no qual o proprietário foi ressarcido. Eu recebo essa reclamação surpreso".

Ainda segundo Marcel Lima, "apesar de seguir os critérios de avaliação dos órgãos ambientais como Ibama, Autarquia Municipal do Meio Ambiente e Superintendência Estadual do Meio Ambiente, nós mantemos até hoje uma responsabilidade socioeconômica com a região onde nos instalamos. Além da geração de emprego e renda, e atendimento de outras demandas sociais, para minimizar o impacto da poeira, todos os dias, molhamos a área da empresa e a estrada de acesso, por meio de um caminhão pipa. Há três anos, para atender algumas exigências dos moradores, instalamos um sistema de pulverização de água, vinda de um tanque com 60 mil litros. As gotículas encobrem toda a produção de brita para impedir que a poeira se espalhe no ar", pontua o gerente, que nega ter recebido qualquer notificação do Ministério Público sobre o assunto.

Semace

Para Ulisses de Oliveira, diretor regional da Semace, a geração de poeira é inerente à atividade de extração do minério, mas não seria normal o excesso. "A Semace já faz o controle das ações da empresa, por meio do licenciamento, incluindo medidas necessárias a sua atuação. Nesse caso, devemos verificar criteriosamente o processo para observamos eventuais danos que estejam ocorrendo naquela área, onde foram fechados acordos entre a empresa a população para a realização das atividades".



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