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Com o acusado, a Polícia Militar apreendeu um veículo Toyota Corolla, de cor preta, blindado. Na abordagem, ele apresentou uma identidade falsa. (Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Dois Crimes: Fundador da GDE é denunciado pelo MPCE.

"Celim" é suspeito de ter ordenado a Chacina das Cajazeiras e a expulsão de famílias na periferia de Fortaleza.

11/08/2018

Apontado como um dos fundadores e um dos chefes da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE), Auricélio de Sousa Freitas, de 35 anos, conhecido como ‘Celim da Babilônia’ ou ‘Celinho’, foi denunciado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) pelos crimes de falsidade ideológica e organização criminosa.

‘Celim’ foi preso na Avenida Desembargador Moreira, em Fortaleza, na noite de 11 de julho último. Ele dirigia um veículo Toyota Corolla, de cor preta, blindado, quando foi abordado por uma equipe do Comando Tático Motorizado (Cotam), do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque). Conforme a denúncia do MPCE, o acusado tentou enganar os policiais militares, ao apresentar uma identidade falsa, para escapar da lei.

O fundador da GDE era procurado desde o início de 2018, pela suspeita de ser um dos mandantes da Chacina das Cajazeiras, ocorrida em janeiro deste ano, na Capital. Com 14 pessoas assassinadas, o episódio entrou para a história como a maior matança do Estado. Além disso, ‘Celim’ também é investigado por ordenar as expulsões de dezenas de famílias de suas residências, na comunidade da ‘Babilônia’, no bairro Barroso, onde comanda o tráfico de drogas.

De acordo com a peça acusatório, ele é um criminoso de alta periculosidade, já que possui uma posição relevante na hierarquia da organização criminosa. A acusação foi apresentada no dia 26 de julho deste ano, apenas 15 dias após a detenção. O inquérito da Polícia Civil aponta Auricélio como “conselheiro local” da GDE e responsável por fornecer armas e homens para a execução da Chacina no Forró do Gago, no bairro Cajazeiras. Antes da última prisão, ele já tinha uma extensa ficha criminal, que inclui tráfico de drogas, outros homicídios e porte ilegal de arma de fogo.

O MPCE também pediu, no documento enviado à Justiça, a quebra do sigilo telefônico do celular apreendido com ‘Celim’. “A extração dos dados telefônicos do aparelho celular portado por Auricélio Sousa Freitas, nesta oportunidade, revela viável, possível e importante meio de obtenção de provas ou indícios para a relevante investigação da Polícia Civil quanto aos crimes que envolve o denunciado e a facção GDE”, explicou.


Auricélio de Sousa Freitas, de 35 anos, foi preso na Avenida Desembargador Moreira, na noite de 11 de julho último. (Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Uso do veículo

O órgão acusatório solicitou ainda, após pedido do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil, que o veículo Corolla, blindado, apreendido durante a prisão do acusado, possa ser utilizado pelos policiais da Especializada, nas investigações. O Ministério Público alega que o crime organizado vem se apresentando “cada vez mais preparado para agir”, enquanto as instituições “carecem de recursos para defender a sociedade com dignidade”.

Segundo o documento, a Lei Nº 11.343/06, da Presidência da República, permite que sejam autorizados, às instituições policiais, o uso dos veículos apreendidos em investigações decorrentes de ações delituosas. O DHPP afirma que o veículo está em boas condições para ser utilizado e será melhor preservado, estando na frota da Polícia Civil.

Devido a essas justificativas, o MPCE pediu que o juiz responsável atenda ao pedido e determine, ao Departamento de Trânsito do Ceará (Detran-CE), a expedição de certificado provisório de registro e licenciamento em favor da Delegacia.

Em depoimento prestado à Polícia, ‘Celim’ informou que o veículo era de sua propriedade. Porém, ele voltou atrás e disse ter alugado o automóvel por três dias, pelo valor de R$ 500, de uma pessoa chamada Dário. Com o decorrer da investigação, o DHPP descobriu que Dário se chamava, na verdade, Francisco Pereira da Costa, que já tinha uma vasta ficha criminal. O carro não foi solicitado por nenhum terceiro de “boa fé” ou por alguém lesado até o momento.



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