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Na Região Norte: Morte de bebê expõe crise migratória.

Criança estava sendo tratada no Pará, que teve casos de sarampo entre refugiados da Venezuela.

27/08/2018

Belém/Pacaraima. A confirmação pela Secretaria Municipal de Saúde de Belém do sarampo como sendo a causa de morte de um bebê venezuelano de quatro meses é mais um capítulo do drama migratório dos venezuelanos na região Norte do Brasil.

A criança vinha sendo acompanhada desde o dia 17 deste mês com um quadro de febre, conjuntivite, manchas pelo corpo e pneumonia e faleceu na última sexta-feira (24). Os exames realizados também apontaram sintomas de H1N1.

O primeiro atendimento ao bebê ocorreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Terra Firme, um dos mais populosos da periferia de Belém, onde foi levantada a possibilidade de sarampo e colhido material para exames.

Numa primeira análise, dois dias antes da morte, a hipótese chegou a ser descartada.

A Divisão de Vigilância Epidemiológica da cidade informou que mantém "vigilância ativa para os casos de doenças exantemáticas (com manchas avermelhadas na pele), como o sarampo" e ressaltou que todos os casos suspeitos são monitorados, seguindo o protocolo do Ministério de Saúde.

Em 2018, de acordo com dados oficiais, foram notificados 18 casos suspeitos de sarampo.

Oito foram descartados e dez estão em investigação. "Dos casos em investigação, quatro tiveram a sorologia positiva para sarampo, mas aguardam confirmação pelo exame de biologia molecular que é realizado pelo laboratório da Fiocruz, no Rio de Janeiro", informou, em nota, a secretaria municipal. O órgão assegurou que os casos em investigação são de "venezuelanos indígenas da etnia Warao".

Roraima

Já Pacaraima (RR) se tornou nos últimos dias o palco maior da tensão em torno da questão migratória no Norte do País.

O pequeno município tem chamado a atenção para sérios problemas causados pelo abandono social e pela intolerância de alguns contra imigrantes venezuelanos. A cidade ganhou visibilidade nacional e internacional quando começou a receber levas de venezuelanos fugindo da fome, da insegurança e das doenças causadas pela grave crise político- econômica que aflige o país de origem.

O conflito ocorrido há uma semana retomou as atenções de todo o mundo para a cidade. Por estar localizada na fronteira e em um estado rico em minérios e outros recursos naturais, ao longo de seus 23 anos de história Pacaraima enfrentou algumas situações relacionadas ao garimpo e ao combustível, recurso do qual depende da Venezuela, onde é possível abastecer pagando em média R$1,40 pelo litro da gasolina. O único posto de combustíveis que abastece a cidade fica em território venezuelano e muitas vezes está fechado.

Conforme o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o salário médio dos trabalhadores formais em Pacaraima é de R$ 1,8 mil.

Quase metade da população (46,5%) tem renda mensal inferior a um salário-mínimo e apenas 4,3% é ocupada.



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